O deputado Gilmar Knaesel me telefonou aflito, dizendo que precisava uma intervenção urgente do governo para que não perdêssemos a nova fábrica da empresa alemã Thomaz Netsch. Fabricante de bombas para prospecção de petróleo, a Netsch estava sendo seduzida por dirigentes da Petrobras para fazer a nova unidade em Natal, no Rio Grande do Norte.
Fui com Gilmar a Pomerode, discutir o assunto com os dirigentes locais daquela empresa. Era preciso que fosse desapropriado um terreno ao lado da empresa. E, além disso, fosse construída uma ponte de concreto ligando os dois imóveis. Mas a decisão final só poderia ser arrancada do próprio proprietário, na pequenina Selb, na Alemanha.
Fomos até lá – Gilmar, o prefeito Ercio Krieck, o embaixador Roberto Colin e eu – para afirmar que o estado daria o dinheiro, o prefeito desapropriaria a área e construiria a ponte. Thomaz Netsch não disse nada. Apenas convidou-nos para jantar no Hoffbrauehauss, em Munique.
Lá, entre um gole e outro de chope, ele, no final da noite, nos disse que aceitava a proposta, e faria a nova fábrica em Pomerode. O compromisso, escrito por mim, foi assinado por todos nós, numa bolacha de cerveja, que guardo com todo carinho.
Outra luta foi para manter a Bosch em Santa Catarina. Depois de adquirir a Rexroth, a Bosch reivindicou o asfaltamento sobre o paralelepípedo dos quase cinco quilômetros da rua Herman Weege, ligando a sua fábrica até o começo da rodovia que liga Pomerode a Jaraguá do Sul. O asfalto era fundamental para garantir o transporte sem danos das peças sensíveis que produz. Mais uma vez, passei o dinheiro à prefeitura. E o prefeito Krieck, mais uma vez, fez a obra.
Fiz muitas missões à Alemanha. Só à Oberkochen, estive umas cinco vezes. Fui lá para insistir em termos, no nosso estado, uma filial da empresa que é líder mundial em produtos óticos de absoluta precisão e excelência. Até hoje, não conseguimos, mas um dia, quem sabe Blumenau, Indaial, Timbó ou a própria Pomerode recebe a boa notícia.
Outra história interessante é a da SEW. Fui a Karlsdorf em março de 2001, levado pelo empresário Pedro Davi Schmidt, um jovem engenheiro que, saído do Departamento de Mecânica da nossa Universidade Federal, criou, em Guabiruba, a Açopeça, fornecedora de sistemas avançados de freios para a indústria automobilistica internacional.
Lá, conheci Rainer Blickle, cuja empresa fornece, na Alemanha, servo-motores e baterias para carros elétricos e híbridos, que representam a nova fronteira tecnológica da Volkswagen. Depois de fazer uma palestra para cerca de 100 empresários do estado de Baden-Wirtenberg, o senhor Blickle aproximou-se de mim e disse que gostaria de conhecer nosso estado e avaliar novos investimentos. Dessa sua visita resultou a instalação, em Joinville, da SEW, que se dedica ao ramos de servo-motores e motores elétricos, na sua imponente fábrica às margens da BR-101.
Após participar da festa de sua aposentadoria como prefeito de Karlsdorf, convidei Egon Keflens – valendo-me do seu grande trânsito e credibilidade – para ser representante de Santa Catarina naquele que é o estado mais desenvolvido da Alemanha. Foi quando ele me falou que a BMW estava instalando fábricas nos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), e, fatalmente, o faria no Brasil.
Foi aí que começaram os contatos. E a partir daí que Santa Catarina surgiu no mapa-mundi da BMW. Demonstramos a nossa posição estratégica: no meio do caminho entre a Grande Buenos Aires e a grande São Paulo; cinco portos; mão de obra qualificada; dezenas de empresas fornecedoras de auto-peças para o setor automotivo nacional e internacional; mais de quinhentas ferramentarias, produzindo moldes de qualidade, etc…
Esses contatos se aprofundaram no governo Raimundo Colombo/Eduardo Moreira, com o próprio governador e seu vice, e, principalmente, com os secretários Paulinho Bornhausen e Alexandre Fernandes. Este, ficou, recentemente, uns 15 dias em Munique, negociando, detalhe por detalhe, com os executivos da BMW.
Com base no Super-Prodec e no Pró-emprego (programas agressivos que criamos para atrair novas empresas), o estado garantiu os incentivos necessários. O governador Colombo foi incansável nos contatos para que finalmente possamos comemorar a decisão da BMW de se instalar em Araquari.
Lembro bem de quando um jornal de São Paulo anunciou que o BMW se instalaria em São Paulo. Apavorado, liguei para Pedro Schmidt. Ele acionou o Keflens, que foi até seus amigos da BMW. É “quatsch” (piada), respondeu o diretor da empresa, responsável pelo novo investimento no Brasil.
Hoje, a BMW em Santa Catarina é uma realidade, graças ao novo programa automotivo, recentemente lançado pela presidenta Dilma Rousef, cujas ações têm sido voltadas para combater firmemente a desindustrialização, aumentar a competitividade nacional e o crescimento da economia do país.
Os alemães vieram para cá, em massa, no século 19. Agora estão voltando com investimentos, empregos e alta tecnologia. A Siemens já está aqui. O Instituto Fraunhoffer acaba de firmar com o jovem empresário Bernard Schmidt, da nova empresa local Flexsolar, contrato voltado à produção pioneira de filmes para transformar a luz solar em vários novos campos de energia. E, com a BMW, virão dezenas de outras empresas.

