terça-feira, 2 junho , 2026

Paciente canta e toca violão durante cirurgia

Tubarão

Mais uma cirurgia para extração de tumor cerebral, em que o paciente é mantido acordado, foi realizada pela equipe do neurocirurgião Marcos Ghizoni, no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão. Desta vez, os testes realizados durante o procedimento foram além da interação por meio de gestos e fala entre paciente e equipe cirúrgica. Anthony Kulkamp Dias, 33 anos, cantou e tocou violão enquanto os médicos realizavam a cirurgia. Começou com “Emanuel”, música que ele mesmo compôs para o filho, nascido há poucos meses, seguida por Yesterday, dos Beatles, e outras canções.

Conforme o anestesiologista Jean Abreu Machado, que participou da cirurgia mantendo o jovem orientado e cooperativo com a equipe, normalmente as neurocirurgias são realizadas com o paciente sob anestesia geral, ou seja, inconsciência e ausência de dor. Porém, quando o tumor está próximo a áreas com funções especiais do cérebro, como é o caso da fala, movimentação e sensibilidade, há o risco que estas funções especiais sejam perdidas, caso forem lesadas durante o procedimento. “Mantendo o paciente acordado durante a cirurgia, estas áreas podem ser monitoradas em tempo real. É feita uma espécie de mapeamento das áreas importantes, a corticografia. Assim, são menores as chances de lesão e é possível uma otimização do tratamento”, completa.

O anestesiologista explica que o tecido cerebral não possui sensores para dor, mas pele e outras estruturas, cujo acesso é necessário para um campo operatório adequado – possuem tais sensores. “Neste momento, inicia o desafio do anestesiologista: manter o paciente acordado e sem dor”, frisa.

Um desafio
Enquanto Anthony surpreendia a todos, a cirurgia era realizada. A monitorização cerebral – importante para evitar que ocorram lesões nas áreas sensoriais, motora e da fala – ocorreu durante todo o procedimento. 

A cirurgia, disponibilizada apenas em hospitais de referência, trata-se de um grande avanço na medicina, pois é possível fazer, de forma segura, um verdadeiro mapeamento do cérebro, evitando-se lesões que podem comprometer áreas importantes e refletir na qualidade de vida do paciente.

O anestesiologista Jean Abreu Machado ressalta que “realmente é um grande desafio para toda a equipe cirúrgica, inclusive para o profissional esse tipo de procedimento”.

Várias técnicas são utilizadas e muitas vezes a combinação delas. Medicações endovenosas (na veia) são usadas com combinação de anestésicos locais para bloquear o estímulo doloroso. Jean destaca que outro fato muito importante é um bom relacionamento médico-paciente, que inicia na consulta pré-anestésica. “Tenho percebido que o que mais tranquiliza os pacientes nesse momento, que certamente é difícil, é quando eles notam que existe uma pessoa que se importa com seus temores e estará lá ao seu lado para ajudá-lo da melhor maneira possível”, observa.

Marcos Ghizoni realizou a cirurgia juntamente com o neurocirurgião Michel Linne e o neurologista Franciel Linne, responsável pela eletroestimulação, auxiliados pela instrumentadora Keller Damian Preve.

 

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Paciente canta e toca violão durante cirurgia no cérebro realizada no HNSC A equipe do neurocirurgião Dr. Marcos Ghizoni realizou, na última semana, mais uma cirurgia para extração de tumor cerebral em que o paciente é mantido acordado. Desta vez, os testes realizados, durante o procedimento, foram além da interação através de gestos e fala entre paciente e equipe cirúrgica. Anthony Kulkamp Dias, de 33 anos de idade, cantou e tocou violão enquanto os médicos realizavam a cirurgia. Começou com Emanuel, música que ele mesmo compôs ao filho, nascido há poucos meses, seguida por Yesterday, dos Beatles, uma canção em alemão, Bem Maior (Roupa Nova) e a canção sertaneja ‘Telefone Mudo’ (Trio Parada Dura).Enquanto surpreendia a todos, a cirurgia era realizada. A monitorização cerebral – importante para evitar que ocorram lesões nas áreas sensoriais, motora e da fala – ocorreu durante todo o procedimento.A cirurgia – disponibilizada apenas em hospitais de referência – trata-se de um grande avanço na medicina, pois é possível fazer, de forma segura, um verdadeiro mapeamento do cérebro do paciente, evitando-se lesões que podem comprometer áreas importantes e refletir na qualidade de vida do paciente.Dr. Marcos Ghizoni realizou a cirurgia juntamente com o neurocirurgião Dr. Michel Linne e o neurologista Dr. Franciel Linne, responsável pela eletroestimulação, auxiliados pela instrumentadora Keller Damian Preve. O DESAFIO EM MANTER O PACIENTE ACORDADO E SEM DOR – O anestesiologista e diretor clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Dr. Jean Abreu Machado, também participou da cirurgia, mantendo o jovem orientado e cooperativo com a equipe. Questionado quanto ao desafio em manter o paciente acordado neste tipo de procedimento, o médico ressaltou que “realmente é um grande desafio para toda equipe cirúrgica, inclusive o anestesiologista”.Segundo Dr. Jean, normalmente as neurocirurgias são realizadas com o paciente sob anestesia geral, ou seja, inconsciência (dormindo) e ausência de dor, porém, quando o tumor está próximo a áreas com funções especiais do cérebro, como é o caso da fala, movimentação e sensibilidade, há o risco que estas funções especiais sejam perdidas, caso forem lesadas durante o procedimento. “Mantendo o paciente acordado durante a cirurgia, estas áreas podem ser monitoradas em tempo real. É feito uma espécie de mapeamento das áreas importantes", a corticografia. Sendo assim, são menores as chances de lesão e é possível uma otimização do tratamento”, completou.O anestesiologista explicou, ainda, que o tecido cerebral não possui sensores para dor, mas pele e outras estruturas, cujo acesso é necessário para um campo operatório adequado – possuem tais sensores. “Neste momento, inicia o desafio do anestesiologista: manter o paciente acordado e sem dor”, frisou.Várias técnicas são utilizadas e muitas vezes a combinação delas. Medicações endovenosas (na veia) são usadas com combinação de anestésicos locais para bloquear o estímulo doloroso. Dr. Jean destacou que outro fato muito importante é um bom relacionamento médico-paciente, que inicia na consulta pré-anestésica, quando não apenas o anestesiologista conhece melhor o paciente, seus problemas de saúde, alergias, medicações de costume, mas quando o paciente aproveita a oportunidade para esclarecer todas as dúvidas e diminuir as inseguranças e medo. “Tenho percebido que o que mais tranquiliza os pacientes nesse momento, que certamente é difícil, é quando eles notam que existe uma pessoa que se importa com seus temores e que estará lá do seu lado para ajudá-lo da melhor maneira possível”, observou o diretor clínico do HNSC.

Posted by Sociedade Divina Providência – Hospital Nossa Senhora da Conceição on Terça, 2 de junho de 2015

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