Rafael Andrade
Tubarão
Centenas de crianças e trabalhadores que voltavam para casa por volta das 17h30min de ontem, no bairro Humaitá de Cima, em Tubarão, foram surpreendidas por disparos de bala de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, gritaria e correria vindos de dentro do Presídio Regional de Tubarão. Mais de 120 detentos rebelaram-se e ameaçaram colocar fogo na galeria, principal ala da unidade carcerária.
Os moradores dos arredores do presídio, preocupados com a situação da superlotação, cobram uma medida emergencial do estado. “Tomo remédios controlados para controlar o nervosismo e já fui parar no hospital algumas vezes devido a outros tumultos. Há crianças na minha família e o medo é inevitável quando ocorre uma rebelião como a de hoje (ontem)”, lamenta a moradora Valdete Martins.
O local tem capacidade para 60 presos e estava com 290 reclusos, até ontem à noite. Após a rebelião, 22 detentos foram transferidos. Dezessete foram levados à Penitenciária Sul, em Criciúma, e cinco ao Presídio de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. “Identificamos os mentores do tumulto e solicitamos as transferências. Com isso, também aliviamos a situação da superlotação”, explica o diretor da unidade prisional tubaronense, Décio Paquelin.
Ala emergencial poderá ser construída
Em resposta aos moradores do Humaitá de Cima e também preocupado com a superlotação, o diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Adércio Velter, informa que poderá ser construída uma ala de semi-aberto em caráter emergencial para comportar 60 presos. “Sabemos da situação do presídio de Tubarão e do tumulto que foi controlado a tempo. A ideia é construir em caráter de urgência uma ala do regime semi-aberto, no mesmo terreno do novo prédio do presídio tubaronense, que está em construção no bairro Bom Pastor.
O planejamento desta ala será relatado ao governador Leonel Pavan e ao secretário estadual de segurança pública, André Luis Mendes da Silveira, ainda hoje. “Vamos solicitar o projeto da obra e informar Pavan sobre a situação crítica de Tubarão”, acrescenta Adércio.
A mão-de-obra dos próprios detentos poderá ser utilizada nesta ala. “Isto já contará como ressocialização”, completa Adércio.

