Temperaturas elevadas e estiagem marcarão estação, que começa hoje às 17h02 e segue até 21 de dezembro.
Lysiê Santos
Tubarão
Conhecida como ‘estação das flores’, a primavera começa oficialmente hoje às 17h02. A chegada da nova estação já é notável com as mudanças na natureza com o florir das árvores que exalam perfume e embelezam os ambientes. A primavera deste ano também é marcada por um clima atípico. O inverno se despede com temperaturas elevadas e tempo seco com o predomínio de estiagem em toda a região.
De acordo com a previsão da Epagri/Ciram, a primavera será de calor com temperatura acima da média climatológica no Estado, neste trimestre. “A previsão é de chuva abaixo da média. Em boa parte do período deve predominar o padrão mais seco observado no inverno com risco de queimadas frequentes. Outubro é o mês mais provável de ter chuva próxima à média com chance de minimizar a situação de estiagem no Estado”, projeta o Ciram.
Também há um aumento da probabilidade de acontecer o fenômeno La Niña no Sul durante a primavera e verão de 2017-18, segundo, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Diferentemente do El Niño, o fenômeno consiste na redução da temperatura das águas do Pacífico. Os meteorologistas confirmam essas previsões, em parte, devido ao resfriamento recente das anomalias de temperatura superficial e sub-superficial.
O tempo seco tem causado estiagem e a baixa no nível dos rios. O fenômeno alerta a Defesa Civil. De acordo com o coordenador regional do órgão, Anderson Martins Cardoso, na Amurel o abastecimento ainda não foi afetado, diferente do que já ocorre em Criciúma. Em Lauro Müller e Nova Veneza já há um racionamento de água. “O que nós pedimos para a população é a conscientização do uso adequado da água em sua residência”, alerta o coordenador.
Segundo o engenheiro agrônomo da Plantar Serviços Agronômicos, Clair Teixeira, esses fenômenos são atípicos para a estação. “O nível do rio Tubarão continua baixo e a previsão é de pouca chuva. Porém, o abastecimento continua dentro da normalidade, mas nas cidades em pontos mais altos e distantes dos rios, a situação já é bem preocupante”, detalha o agrônomo.
Estiagem provoca prejuízos ao agronegócio
A estiagem prolongada em Santa Catarina está afetando as pastagens e o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) estima que produtores de leite já tenham prejuízo de R$ 22 milhões. A situação ocorre justamente em um ano em que a produção vinha se recuperando. Os levantamentos do Epagri/Cepa apontam que no primeiro semestre deste ano as indústrias estaduais inspecionadas captaram cerca de 8% a mais de leite do que no mesmo período de 2016. Para alimentar os bovinos, os produtores de diversas regiões estão recorrendo à silagem, feno, ‘pré-sacado’ ou rações, nem sempre disponíveis nas quantidades necessárias e com impacto direto nos custos da produção. A expectativa é de uma queda na produção estadual de 8% ou cerca de 18 milhões de litros de leite a menos.
Em Braço do Norte, a abundância de água ameniza os efeitos do clima, porém, de acordo com o secretário de agricultura do município, Adir Engel, o setor agrícola já sente as consequências do tempo seco. “Os agricultores nos relatam que as culturas plantadas, como o milho, por exemplo, não estão nascendo. Os equipamentos nem entram no solo de tão seco. Se continuar assim pode chegar a prejudicar o abastecimento das criações, o que vai ser um caos”, alerta. A orientação é economizar. A Defesa Civil do Estado orienta a população a reduzir o tempo de banho; manter a torneira fechada; não lavar calçadas e áreas pavimentadas externas, entre outras ações que poderão colaborar durante o período de estiagem.

