sexta-feira, 25 setembro , 2026

Professora é autuada após chamar vizinho de ‘preto, macaco’, em Minas

“Não quero falar com você, preto, macaco”. O autônomo, Igor Thimoteo de Oliveira, de 32 anos, conta que, com essas palavras, foi agredido pela sua vizinha, uma professora de 48 anos, na tarde desta quarta-feira (15), em Montes Claros no Norte de Minas. A mulher, que foi autuada em flagrante por injúria racial, mas solta após pagar fiança de R$ 2 mil, negou ter cometido o crime.  

 

Conforme informou a Polícia Militar (PM), Oliveira afirmou que deixou um pote de feijão descongelado no muro que divide sua casa com a da professora. Depois, ele percebeu que o pote havia caído quando o colocou no lugar. Instantes depois, notou o pote no chão novamente. Ao perceber a presença da mulher perto do muro, a questionou sobre o fato de ter encontrado a vasilha caída. Nesse momento, ele foi ofendido pela vizinha. 

 

“Ela me respondeu com muita raiva: ‘Não quero falar com você, seu preto, macaco’. Eu fiquei sem acreditar no que estava escutando e a perguntei novamente: ‘como é?’ Quando ela me disse: ‘isso mesmo, você é um preto, macaco’”, relatou Oliveira. 

 

O autônomo contou que nesse momento ficou muito perplexo com as ofensas e foi até um imóvel próximo, onde mora o tio da mulher, que também é locatário das casas onde ele e ela moram. Quando, já na rua, foi ofendido novamente. 

 

“Fui até a casa do tio dela com quem tenho uma excelente relação para avisar que ia chamar a polícia, porque aquilo que ela fez é crime. Ela me viu na rua e continuou me xingando de macaco. Uma amiga que testemunhou, na mesma hora perguntou se ela não tinha vergonha daquilo. Foi aí que ela conseguiu piorar ainda mais a situação e disse que não, pois ela seria melhor do que eu por ser branca”, contou Oliveira. 

 

A reportagem entrou em contato com a professora, mas até o momento, ela não atendeu às ligações e nem respondeu às mensagens. 

 

Durante a ocorrência policial, ela negou ater ofendido o vizinho aos militares que atenderam o caso. Ela relatou que ao perceber o pote de feijão no seu muro decidiu tirá-lo pois não gosta que coloquem nada lá. Contou também que Oliveira teria jogado uma pedra contra ela, mas que não acertou, conforme registrado no Boletim de Ocorrência. 

 

Ela foi autuada em flagrante por injúria racial, pagou uma fiança de R$ 2 mil e vai responder pelo crime em liberdade. Se condenada, pode pegar até três anos de prisão, conforme informou a Polícia Civil.

Desentendimentos

Oliveira contouque tem uma boa relação com toda vizinhança, inclusive com a família da professora, no entanto com ela, sempre houve desentendimentos. 

“Moram na casa, eu minha companheira e mais dois amigos e desde que nos mudamos para cá, ela sempre nos ofende. Fala que somos favelados, maconheiros e sempre relevamos, pois não gostamos de confusão, somos da filosofia rasta, pregamos a paz, o diálogo, mas dessa vez ela passou de todos os limites. Não podemos aceitar esse tipo de ofensa, precisamos sim levantar nossa voz e usar a lei que nos protege a nosso favor”, ressaltou. 

 

Ele conta que durante a vida já sofreu preconceito, como, quando morava no Sul do país, foi perseguido por um segurança de um shopping, mas que foi a primeira vez que foi vítima de uma ofensa tão escancarada. 

 

“A gente ver isso acontecer com amigos, na televisão, nos jornais e sente muita raiva, mas quando é com a gente o sentimento é de tristeza e de impotência, de não saber o que fazer. Esse sentimento foi a primeira vez que senti”, lamentou. 

 

Oliveira contou que pensa em entrar com processo contra a professora por danos morais, no entanto, ele quer disso tudo, como contou, ‘que a vizinha aprenda.’ 

 

“Não quero vingança, quero que a justiça seja feita, mas não no sentido dela sofrer, mas que ela consiga aprender e perceber que não pode ofender as pessoas dessa forma. Ainda mais por ser professora, ela precisa a respeitar o próximo. Tomara que ela aprenda a não ser preconceituosa e seja um racista a menos no mundo”, desejou Oliveira. 

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