Zahyra Mattar
Tubarão
Ao que tudo indica, a greve dos professores da rede estadual de ensino será resolvida na justiça. No começo da semana, o governador Raimundo Colombo ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça. O pedido era para declarar o movimento ilegal.
A ação chegou a ser distribuída e ficou na mesa do relator, desembargador Cláudio Barreto Dutra, até quarta-feira, quando o governo voltou atrás. Agora foi o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) que acionou o judiciário.
O primeiro motivo é o desconto de 23 dias no contracheque dos educadores (entre 18 de maio – quando iniciou a greve – até o último dia 10). “A lei é clara e permite o desconto de apenas 10% dos salários. O movimento é legítimo. Buscamos o cumprimento de um direito garantido por lei”, argumenta a coordenadora estadual do Sinte, professora Alvete Bedin.
Na mesma ação, o Sinte pontua a legalidade do movimento e pede a remoção, da assembleia, da Medida Provisória enviada pelo governo na semana passada. O texto define, entre outros termos, que as gratificações por regência de classe passem dos atuais 40% e 25% para 25% e 17%.
Além disso, o piso ficaria em R$ 1.483,00 e atenderia a 100% dos servidores estaduais. A medida provisória anula a antiga, que pagava o piso de R$ 1.187,97 para os 35 mil docentes que ainda não recebiam isso no salário-base.
“Não recebemos nenhuma proposta nova. Apenas esta, que achata completamente o nosso plano de cargos e salários. A maioria dos trabalhadores da educação, cerca de 7%, ou 40 mil professores, não seria beneficiada com a medida imposta por eles (o governo)”, considera Alvete.
Na rede municipal, negociação fica para segunda
Karen Novochadlo
Tubarão
A reunião de negociação entre a prefeitura de Tubarão e os professores municipais foi adiada para segunda-feira. Enquanto isso, os alunos seguem sem aulas. De acordo com informações da prefeitura, cerca de 42% dos servidores estão parados.
O motivo da mudança da data do encontro foi o recesso provocado pelo feriado do Corpus Christi. A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da Rede Municipal de Tubarão (Sintermut), Laura Isabel Guimarães Oppa, destacou que compareceu à reunião, mas encontrou as portas da secretaria fechadas.
O secretário de educação da prefeitura, Felipe Felisbino, afirma que a reunião já havia sido desmarcada na terça-feira. “Repassamos para Laura que seria segunda-feira. O horário ainda não foi definido”, explica Felipe.
O sindicato e a prefeitura já acertaram que o valor de regência será de 15%. É 5% menos do que foi reivindicado pelo Sintermut. A proposta original da administração municipal era retirar o valor da regência. Agora, o principal ponto de discordância é quanto à progressão dos professores dos três últimos níveis.
O salário dos professores grevistas foi descontado. Ainda segue na justiça regional do trabalho o processo sobre a ilegalidade da greve, sem julgamento. A greve completa 26 dias neste sábado.
Manifestos públicos são organizados
Segunda-feira, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) promoverá uma série de atos públicos em todas as regiões do estado. Em Tubarão, haverá a passeata da luz, organizada por educadores e pais.
O primeiro grupo sairá às 19 horas de frente da Escola Henrique Fontes, no bairro Humaitá. O outro sai no mesmo horário da Igreja Santa Teresinha, no bairro Passagem. O destino é o mesmo: a gerência de educação, na rua Lauro Müller, no centro.
O Sinte mantém a greve por tempo indeterminado.
Segunda-feira, o movimento completa 40 dias. Esta já é uma das maiores e mais extensa greve dos educadores do estado dos últimos anos.

