Reportagem da conceituada revista Exame (20/10/2010), intitulada 4 Ideias para Avançar na Educação, provocou um misto de satisfação, frustração e esperança. Satisfação, porque as colocamos em prática quando estivemos à frente da gerência regional de educação em Tubarão, conquistando, em 2005, IDH educacional acima da média estadual. Isso sem gastar um único centavo. Frustração porque foram abandonadas e esperança porque podem ser retomadas.
Tais ideias, defendidas por especialistas, dentre eles o americano Erick Hanushek, doutor em economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e professor da Universidade Stanford, promovem um choque de qualidade nas escolas. São condições para melhorar o Ideb e para o Brasil se desenvolver:
1. Acabar com a bagunça curricular – “nove entre dez alunos de escolas públicas não cumprem o currículo previsto e outros da mesma série, mas de classes vizinhas estudam conteúdos diferentes durante o ano”. Em 2003, organizamos, com todos os professores, os conteúdos de todas as disciplinas e séries. Posteriormente, criamos instrumentos de avaliação que permite a professores, alunos, pais e direção, verificar se tais conteúdos e as atitudes estão sendo trabalhados e “cobrados” e, as etapas destes, que o aluno venceu e as que ainda não venceu, para serem retrabalhadas imediatamente e com outras metodologias.
2. Diagnosticar, planejar, medir – “Planejamento estratégico com sistema de avaliação de desempenho de alunos e metas de melhoria do ensino”. Elegemos indicadores (evasão, repetência, faltas de alunos e de professores), medidos no final dos bimestres e do ano, para redimensionar ações de pais, alunos e professores, após os conselhos de classe e no início do ano letivo. Estes dados, também da região, e as metas para o ano em curso, com os métodos para alcançá-las, estavam expostos em painéis, na entrada e na recepção da gerência de educação. Recomendou-se que o mesmo fosse feito nas escolas.
3. Pagar mais aos melhores – “Premiar os melhores é um caminho obrigatório para estimular a que os bons profissionais permaneçam na sala de aula e os ruins saiam dela é absolutamente necessário para melhorar o ensino de uma escola e de um país”. Os indicadores acima citados constituem a base para premiar os melhores. Não o fizemos porque o estado não adotou esta prática.
4. Transformar o diretor em gestor escolar – “Em geral, o diretor dedica a maior parte do tempo a atividades burocráticas e pouco chama para si a responsabilidade sobre desempenho de professores e alunos da escola”. Oferecemos capacitação para que o diretor pudesse articular a escola e a comunidade, objetivando alcançar as metas citadas no item 2, por meio do rápido atendimento a alunos com dificuldade de aprendizagem e de comportamento.
Instituímos ainda, os planejamentos bimestrais, onde todos os professores, orientados por monitores, capacitados pela própria gerência, estudavam e trocavam experiências sobre como problematizar (a partir do eixo temático), transversalizar e historicizar os conteúdos, para torná-los significativos.
Nunca é tarde para (re)tomar iniciativas que deram certo, principalmente numa área estratégica como a educacional.

