Mirna Graciela
Laguna
O inquérito policial sobre a morte de Bruna Cardoso Lisboa, de 19 anos, em decorrência de complicações após o parto, em janeiro deste ano, foi concluído ontem à tarde. A jovem faleceu no Hospital Regional de Araranguá, para onde foi transferida após dar à luz no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna.
“A causa da morte ocorreu por infecção generalizada. Quatro pessoas foram indiciadas por homicídio culposo em decorrência de negligência médica”, aponta o delegado de Laguna, Flávio Costa Gorla, responsável pelo caso. Ele encaminhou o inquérito ao judiciário ontem, no fim da tarde.
Nove pessoas, entre familiares de Bruna, médicos e enfermeiros, foram ouvidos pelo delegado. A investigação estendeu-se por pouco mais de sete meses. “Tivemos que reunir muitos elementos para concluir o documento. Cartas precatórias foram enviadas para Tubarão e Araranguá. Além disto, a evolução clínica da paciente passou por uma análise criteriosa”, detalha Gorla.
Bruna Cardoso Lisboa, de 19 anos, morreu no dia 5 de janeiro. Ela havia sido internada cinco dias antes no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna, onde teve parto normal.
O bebê, um menino, nasceu prematuro, com sete meses de gestação. No mesmo dia, Bruna sentiu fortes dores e o seu estado de saúde agravou-se.
Entenda melhor o caso
A jovem Bruna Cardoso Lisboa, de 19 anos, que morreu em decorrência a complicações após o parto, em janeiro deste ano, foi transferida para o Hospital Regional de Araranguá a pedido de seu marido, Jadson Cardoso. Seu estado de saúde piorou após ter o bebê no Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos, em Laguna.
A transferência demorou dois dias para ser feito, pois não havia transporte de atendimento médico de urgência disponível. No hospital de Araranguá, uma ultrassonografia foi feita e acusou infecção generalizada. Bruna tinha restos de placenta no útero.
O diagnóstico foi confirmado pelo médico Wladimir Luz Junior. À época, ele declarou ao Notisul que uma cirurgia foi feita para retirar o foco infeccioso e confirmou haver restos de placenta dentro do útero de Bruna. Como a infecção era avançada, o útero foi retirado, pois estava com necrose e pus na cavidade abdominal.
Na época, a então diretora técnica hospital de Laguna, Rosane Wink, informou que Bruna já tinha chegado em trabalho de parto na instituição. Segundo ela, a primeira causa de parto prematuro é a infecção. A médica afirmou ser praticamente impossível um obstetra não ver um resto de placenta, pois é bem nítido.

