Dos eventos sofisticados às mesas de bar de 2015, um dos assuntos mais discutidos rodeava uma palavra: crise. O cenário de dificuldades se confirma pelo crescimento do número de empresas com pedido de recuperação judicial no Brasil – 766 entre janeiro e agosto, segundo a Serasa Experian, o maior índice do período na história.
A alternativa da recuperação judicial pode ser a salvação da empresa, contudo traz uma série de obrigações impostas pela lei regulamentadora (nº 11.101). Na qualidade de consultor, recomendo uma profunda análise da situação do negócio antes da decisão de embarcar nesta via, mas reforço que há como vencer dificuldades financeiras severas fora dela.
Um bom planejamento estratégico subsidia medidas a serem tomadas na empresa com o objetivo de ganhar fôlego financeiro. Dentro desse estudo, a revisão de contratos, sobretudo com instituições bancárias, pode trazer à tona uma série de cláusulas abusivas de cobrança de juros, o que numa renegociação de dívidas pode influenciar substancialmente no resultado positivo para a empresa.
O termômetro para o embarque no processo de recuperação judicial é justamente o volume de juros. Quando a empresa tem um planejamento estratégico elaborado por um consultor ou contador junto a um advogado e não consegue ter viabilidade financeira em razão das taxas e juros dos bancos, ou seja, não consegue mais colocar esse custo no produto, então chega a hora de parar e planejar. O empreendedor deve reconhecer a fase de insustentabilidade financeira, mas enxergar condições de se manter no mercado pela condição econômica de viabilidade, sendo que o planejamento estratégico demonstrará com clareza tal situação.
Obrigações impostas pela lei merecem a atenção das empresas optantes pela entrada na recuperação judicial. Ao tempo em que se consegue a dilatação dos prazos e parcelamentos de débitos, honrar os compromissos se torna essencial, sob pena de falência. A regularização dos compromissos financeiros com empregados, impostos, seguidos dos credores (especiais e quirografários) devem ser mantidos.
A elaboração do planejamento estratégico de recuperação e viabilização da empresa apresenta a realidade financeira da empresa, o que, não raras as vezes, o proprietário desconhece. O estudo não só poderá emergir o empreendimento no mercado, como dará ao dono do negócio um raio X completo de todos os setores, trazendo à luz situações simples ou complexas que poderiam ter sido evitadas ao longo do tempo.

