Jailson Vieira
Laguna
A captura do camarão foi liberada há 45 dias, porém os mais de oito mil pescadores artesanais do Complexo Lagunar, que compreende as lagoas Santo Antônio dos Anjos, em Laguna, e Mirim, em Imaruí, não têm muito que comemorar. Eles contam que desde o reinício das atividades não pescaram quase nada.
A situação pode ter ocorrido por inúmeros fatores: a chuva dos últimos meses, a poluição nas lagoas, a falta de fiscalização no tempo de defeso por parte dos órgãos ambientais e a circulação dos barcos industriais no tempo de defeso podem ter prejudicado a pesca do crustáceo.
De acordo com a presidente da União das Associações de Pescadores da Ilha, Maria Aparecida dos Santos Ramos, a poluição das águas é a grande antagonista. “A pesca está comprometida. Hoje (ontem), os pescadores relataram que colocaram 28 redes logo cedo e só conseguiram capturar 300 gramas até o fim da tarde. Desse jeito, eles não conseguirão sobreviver com a pesca. Muitos estão em situação de necessidade. A situação está lamentável”, revela Cida. No ano passado, em dias de ventos, eram capturados de 60 a 70 quilos de camarão ao dia.
Com a falta dos crustáceos, o problema deverá afetar o bolso do consumidor, que poderá pagar um pouco mais caro pelo quilo do camarão. “A nossa legislação não é cumprida. Da maneira que está não pode ficar. Temos que encontrar uma saída para que a pesca artesanal não seja comprometida. Uma lei mais específica tem que ser aprovada”, avalia. Conforme os pescadores, a baixa salinidade da água doce impede o desenvolvimento das larvas. Outros pescados também estão em baixa. Até os siris, considerados ‘ratos do mar’, sumiram das águas.

