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Justiça suspende parte da reforma trabalhista de Milei na Argentina

Francisco Loureiro/Reuters

A Justiça da Argentina suspendeu parte da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, atingindo 82 artigos da lei. A decisão provisória barra mudanças como a ampliação da jornada para até 12 horas diárias e restrições ao direito de greve.

A medida foi tomada pelo juiz Raúl Horacio Ojeda e atende a um pedido da Confederação Geral do Trabalho (CGT). O caso ainda será analisado definitivamente, e o governo pode recorrer.

O que foi suspenso na reforma trabalhista

A decisão afeta pontos centrais da reforma trabalhista Milei suspensa, que buscava flexibilizar regras do mercado de trabalho.

Entre os principais itens barrados estão:

  • Ampliação da jornada de trabalho para até 12 horas diárias sem pagamento de horas extras
  • Redução e parcelamento de indenizações por demissão
  • Restrições ao direito de greve
  • Regras que dificultavam o reconhecimento de vínculo empregatício

Também foram suspensas mudanças que ampliavam a classificação de trabalhadores como autônomos, incluindo profissionais de aplicativos.

Impactos sobre sindicatos e contratos

A decisão judicial também atinge diretamente a atuação sindical. Ficam sem efeito regras que limitavam assembleias, reduziam a atuação de representantes e restringiam a proteção sindical.

Além disso, foram barradas medidas que priorizavam acordos individuais dentro das empresas, o que poderia abrir espaço para negociações com possível redução salarial.

Outros pontos suspensos incluem:

  • Revogação da lei do teletrabalho
  • Criação de banco de horas por acordo individual
  • Fracionamento obrigatório das férias
  • Criação do Fundo de Assistência ao Trabalhador (FAL)

Segundo o juiz, o fundo poderia não garantir proteção adequada e gerar impactos na Previdência.

Decisão é provisória e governo pode recorrer

A suspensão é temporária e vale até o julgamento final do caso. Na decisão, Ojeda afirmou que a medida busca evitar prejuízos imediatos.

O magistrado citou o “perigo da demora”, indicando que a aplicação das regras poderia causar danos irreversíveis caso a lei seja considerada inconstitucional.

O embate mantém a disputa entre o governo de Javier Milei, que defende a flexibilização trabalhista, e sindicatos, que apontam perda de direitos nas mudanças aprovadas pelo Congresso.

A reforma havia sido aprovada pelo Senado argentino no fim de fevereiro, em meio a protestos e divergências políticas.

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