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Segunda onda de calor em 35 dias

Com o calor de ontem, a Praia do Mar Grosso ficou lotada de veranistas. Foto: Elvis Palma/Divulgação/Notisul
Com o calor de ontem, a Praia do Mar Grosso ficou lotada de veranistas. Foto: Elvis Palma/Divulgação/Notisul

Maycon Vianna
Laguna

Está difícil de aguentar tanto calor… Dá-lhe água, sorvete, ar-condicionado, praia, banho de mar ou de piscina. Tudo isso para dar uma amenizada nos efeitos destas altas temperaturas. A máxima em Tubarão, na tarde de ontem, chegou próximo aos 36 graus e a velocidade do vento não passou dos cinco quilômetros por hora, propício à sensação de abafamento.
E prepare-se, pois este clima quente, segundo os meteorologistas, só deve diminuir a partir desta quinta-feira, quando chega uma frente fria. “É a segunda grande onda de calor da estação. A primeira teve início no dia 14 do mês passado e durou até o último dia 3. No fim desta semana haverá um aumento da nebulosidade. A previsão é de chuva e a temperatura deve reduzir entre sete a dez graus em alguns locais do litoral sul”, confirma a meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene da Lima.

Já segundo o meteorologista Marcelo Martins, a primeira grande onda de calor foi mais intensa do que a atual. “O clima em 30 graus é considerado normal para esta época e não tivemos mais registros de cidades com temperaturas acima dos 40”, confirma Marcelo.
Nos primeiros dias de janeiro, as temperaturas mínimas ficaram em torno dos 22 graus nas regiões mais quentes do estado, como, por exemplo, no extremo oeste, nas cidades de Itapiranga e São Miguel do Oeste, além de Criciúma, Joinville e Blumenau. “Não é possível prever quando ocorrerá uma nova onda de tempo abafado como nos últimos 35 dias. Neste ano, não há influência de fenômenos como o La Niña e o El Niño. Consideramos que está dentro da normalidade. Verão remete sempre a calor, tempo quente, chuvas, tempestades tropicais e assim é o ciclo da estação”, ressalta Marilene.

Tendências do clima
No período entre esta sexta-feira até o próximo dia 3, haverá presença de sol e calor em Santa Catarina, com pancadas isoladas de chuva entre a tarde e noite, típicas de verão. Entre o próximo sábado e a quarta-feira da próxima semana, há indicativo de chuva mais distribuída pelo estado, principalmente pelo litoral, devido a frentes frias que passam pelo sul do país. A temperatura e a umidade relativa do ar estarão altas neste período.

A proliferação das águas-vivas
Com o aumento da onda de calor, as praias da região ficam lotadas durante a estação. E um dos problemas mais enfrentados pelos banhistas é a queimadura ocasionada por águas-vivas. Em Laguna, por exemplo, segundo estudos, é um dos locais com maior concentração de espécies no litoral sul. Apesar disso, o biólogo Reinaldo Langer, que mora na Praia do Cardoso, acredita que nesta temporada, a incidência de águas-vivas é menor se comparado ao ano passado. “Elas aparecem conforme a ondulação leste e se a água do mar está mais clara e mais gelada, fato que não vem ocorrendo. No inverno, como moro próximo ao mar, também não foi verificado grande quantidade em pontos específicos das praias”, lembra Reinaldo.

O tamanho das águas-vivas varia muito de uma espécie para outra. Algumas podem ter mais de dois metros de diâmetro. “Elas parecem uma geleia transparente, pois 95% do organismo é composto por água. São arredondadas, movem-se lentamente e têm um mecanismo de defesa muito especial: queimam quem pisar ou tocar nelas”, alerta o biólogo.
O ferimento é causado quando se tem contato com os filamentos. “O ideal é não esfregar e sim lavar com água corrente. Em alguns casos, pode causar alergias e até febre. É bom evitar soluções químicas ou combinações com limão ou farinha”, orienta Reinaldo.

Cuidados redobrados com as crianças
Nesta época do ano, os destinos preferidos das famílias que moram na região são as praias. Os municípios de Jaguaruna, Imbituba e Laguna estão entre os mais procurados. E, com a alta temporada, os cuidados com as crianças já devem começar logo na estrada. Duas, três, quatro horas parados nas filas da BR-101, próximo à Ponte Anita Garibaldi, requer muita água. “Com o excesso de calor, os pequenos devem ser hidratados constantemente, além de manter a temperatura interna do veículo sempre bem agradável. Vale lembrar também do transporte adequado em cadeirinhas de segurança”, orienta o pediatra Arary Cardoso Bittencourt, de Tubarão.

O médico ainda destaca a importância de proteger as crianças do sol, da água parada nas praias e com a questão alimentar. “Ao chegar à casa de veraneio é preciso ventilar bem o ambiente. Usar sempre protetor solar (em bebês de seis meses devem ser evitado) e evitar banhar-se próximos a córregos ou esgotos, devido a sujeira que ocasiona doenças”, avisa Arary.

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