A escalada da criminalidade em Tubarão é assombrosa, em especial os assaltos, em número cada vez maiores, atingindo estabelecimentos comerciais dos mais diversos ramos. A “moda” pegou, os marginais perderam o medo, perceberam que as chances de serem capturados pelas polícias são remotas, pois sabem que esta cidade com cerca de 100 mil habitantes tem apenas, em média, sete viaturas de Polícia Militar e até mesmo, às vezes, apenas duas, conforme disposição de escala. Além de que os policiais são seres humanos, com suas necessidades diversas, que naturalmente descontinuam os serviços, somando-se ainda os trâmites burocráticos internos e externos como condução aos DPs que são procedimentos morosos que muitas vezes levam até mesmo horas, fazendo com que o pequeno efetivo fique ainda menos ostensivo.
É verdade que, apesar do efetivo diminuto, a polícia tem sido eficiente, prende muito mais que antigamente, mas também não é verdade que “quando o cardume de peixe é grande a pescaria fica mais fácil?”. E o que é pior, com muita certeza, milhares de adolescentes estão na fila da criminalidade, com o agravante do surgimento do crime organizado, como o PGC. Com certeza, tempos ainda muito piores virão. Ações sociais são necessárias, mas são morosas, ou seja, seu resultado não vem a curto prazo, e são de pouca eficiência quando aplicadas para correção e não de forma preventiva.
Na década de 80, tínhamos muito mais policiais. Lembra-se do tempo em que os encontrávamos em duplas por todo o centro da cidade? Há muito, eles sumiram , pois, na verdade, com o atual efetivo, é impossível manter um policiamento como antigamente. Atualmente, as polícias “cobrem um santo e descobrem outro” e, com a sobrecarga de serviço e extenuante, na verdade estes policiais, na tentativa do cumprimento de sua missão, são realmente verdadeiros heróis.
Urgentemente, a cidade necessita de aumento do efetivo, mas aumento real, pois quando se contrata 40 (o que parece muito), na verdade se está acrescentando apenas dez na escala de serviço – lembrando que a polícia trabalha 24 horas por dia, contando com férias e afastamentos. Na prática, em cada plantão, seriam adicionados somente dez policiais.
Na minha avaliação, que certamente será contestada por representantes de alguns segmentos, baseado nas nossas necessidades e estudos da ONU, que afirmam que o número ideal de policiais por habitantes é de 1 a cada 250, em Tubarão seria necessário um efetivo de 400 policiais, enquanto que atualmente dispomos de apenas cerca de 160/170 (contados também os que prestam serviços internos). Para ter um policiamento forte, presente em todos os bairros, seria no mínimo necessário contratar mais 200 policiais – seriam 50 policiais por plantão distribuídos dois por viatura – e mais 25 viaturas.
Conforme levantamento aproximado , este aumento de efetivo custaria, entre salários, custeio de frota e outros, cerca de R$ 700 mil por mês e, dividindo o custo por cerca de 10 mil habitantes, seriam apenas R$ 7,00 per capita. Até mesmo a população de menor renda gasta muito mais que R$ 7,00 por conta da insegurança, sem falar nos investimentos em segurança das empresas privadas, com o consequente encarecimento dos produtos e serviços e a desmotivação para novos investimentos, e ainda o medo da população, que, insegura, consome menos, são prejuízos incalculáveis que poderiam ser bem menores. Assim, esta é uma causa urgente e tenho certeza de que lideranças políticas que a abraçarem receberão grandes dividendos eleitorais, pois só quem não quer enxergar não vê esta realidade caótica.

