Quando assumiu o governo do Estado, o governador Eduardo Pinho Moreira avisou que teria como prioridade absoluta a preservação da vida. Por isso, intensificou as ações em favor da Segurança Pública e da Saúde. Na semana passada, ele estava na apresentação dos dados do primeiro semestre da Secretaria de Segurança Pública, feita pelo secretário Alceu de Oliveira e com a participação da cúpula da pasta – comandante geral da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, e delegado geral da Defesa Civil, Marcos Ghizoni. Todos, é claro, comemoraram os avanços alcançados, de uma maneira geral resultados bastante positivos. Depois da apresentação, o secretário concedeu entrevista exclusiva para a Coluna Pelo Estado, momento em que aprofundou algumas informações. Além dos dados, a cúpula da SSP-SC também divulgou o Plano Estadual de Segurança Pública. A proposta ainda depende de ajustes, mas já tem os eixos definidos: criminal, operacional, estrutural e integração.
[PeloEstado] – Os dados que o senhor apresentou ao governador Eduardo Moreira e à imprensa foram muito positivos. O que Santa Catarina tem feito de diferente?
Alceu de Oliveira – Nós fizemos uma análise muito séria e muito metodológica de todos os cenários que envolvem a segurança pública e uma projeção desses cenários. A partir daí, adotamos algumas estratégias para chegar aos resultados pretendidos. Deu certo! Tanto que os resultados alcançados foram positivos.
[PE] – E agora, quais os próximos passos?
Alceu de Oliveira – Temos feito uma medição de resultados e redimensionamento das estratégias para fazer a manutenção desses índices em queda até pelo menos o final do ano. E deixar esse legado para o próximo secretário, para o próximo governo. É importante que as ações de segurança pública não estejam ligadas a pessoas. Devem ser estratégias institucionais, políticas de governo.
[PE] – O governador Eduardo Moreira expôs que ainda há muita dificuldade para obter recursos para Santa Catarina. Aponta a burocracia como entrave. Como o senhor fez para alcançar esses resultados sem recursos ou com valores insuficientes?
Alceu de Oliveira – Estamos atuando em várias frentes para trazer recursos para a Secretaria. Estamos atuando para trazer recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); estivemos com uma equipe no Rio Grande do Sul para verificar como estão funcionando por lá alguns projetos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a segurança pública, e trouxemos ótimas informações que aplicaremos aqui em Santa Catarina; temos uma parceria com a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), que tem verbas para disponibilizar para o nosso estado e só estamos discutindo a operacionalização disso.
[PE] – Quanto o senhor espera que chegue para a pasta?
Alceu de Oliveira – As possibilidades são muitas. Infelizmente, não acredito que todas darão certo. Mas estamos trabalhando para conquistar R$ 57 milhões junto ao BNDES, mais de R$ 50 milhões junto ao BID, pelo menos R$ 20 milhões junto à Senasp… são projetos de curto prazo. Identificando novas possibilidades e novas demandas, vamos atrás para conquistar.
[PE] – Para chegar aos resultados apresentados, houve reforço no orçamento da Secretaria?
Alceu de Oliveira – A modificação de determinadas estratégias, como atuar com muita força em algumas áreas vermelhas (maior índice de criminalidade), necessitou de alguns recursos extras, como diárias, deslocamentos, suplementação de combustíveis. A necessidade foi entendida pelo governador, que autorizou a liberação de verbas. A ideia é essa mesmo: não extrapolar nos gastos, mas otimizar resultados.
[PE] – O senhor destacou a efetiva integração entre todos os órgãos da Segurança Pública, notadamente entre Polícia Militar e Polícia Civil. Como isso vai ser mantido ou mesmo ampliado?
Alceu de Oliveira – A integração não é apenas “juntar as forças”, juntar policiais civis com militares. Isso, invariavelmente, não deu resultado. A integração que promovemos foi a partir do entendimento pleno das características e do modo de atuação de cada instituição. Aí, sim, integramos para otimizar os resultados. A inteligência, as informações são compartilhadas e esse compartilhamento possibilitou que cada um dos nossos braços otimizasse seu trabalho.
[PE] – Alguma cidade ou alguma região do interior preocupa mais as forças estaduais de segurança?
Alceu de Oliveira – Temos um cuidado muito grande com o interior catarinense, com os pequenos municípios. Já estava em nosso planejamento, quando desencadeamos as nossas operações, que teríamos que atuar também em cidades menores, mesmo sem índices relevantes de criminalidade. Mesmo sem isso ocorrer, entendemos por bem desencadear operações nessas áreas, até para desestimular uma possível migração da criminalidade. Ocupamos espaços para repelir as organizações do crime e para mostrar que ali os criminosos não terão oportunidade. Agimos de forma preventiva.
[PE] – Preocupam os crimes na área rural?
Alceu de Oliveira – A Polícia Militar está atuando para inibir essas ocorrências. A informação é positiva também sobre isso – o furto de gado, na comparação do primeiro semestre de 2017 com o de 2018, caiu mais de 15% passando de 698 para 589 casos.
[PE] – Dois recados: para o cidadão catarinense e para quem pensa em viver do crime em Santa Catarina:
Alceu de Oliveira – Para o cidadão, lembro que a Constituição federal fala que a Segurança Pública é um direito de todos, mas também que é um dever de todos. A participação da sociedade, com a luta em prol do desenvolvimento, com a sua responsabilidade, é imprescindível. E acreditar nas nossas polícias, um diferencial que nós temos. A parceria com as comunidades traz benefícios para todos os cidadãos.
E, para os grupos e pessoas que atuam ou pretendem atuar em Santa Catarina, um aviso: estamos tornando Santa Catarina cada vez mais desinteressante para os criminosos. A tendência de prisão de lideranças, apreensão de drogas e apreensão de armas é mais forte a cada ação que realizamos.
