Lily Farias
Tubarão
O subfinanciamento da saúde pública e a crise que os hospitais brasileiros enfrentam é o tema central de um encontro, amanhã, em Porto Alegre, capital gaúcha, com representantes das santas casas e hospitais beneficentes, religiosos e filantrópicos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, além de deputados dos dois estados.
O movimento ‘Tabela SUS Reajuste Já!’ será deflagrado na assembleia legislativa do Rio Grande do Sul às 10 horas. A dívida acumulada pelas instituições no Brasil chega a R$ 11 bilhões. A maior parte refere-se a tributos não pagos. O restante diz respeito a dívidas trabalhistas e com fornecedores.
As santas casas e hospitais filantrópicos são responsáveis por 50% do atendimento pela rede SUS. Mas a grande defasagem da tabela, que não é reajusta há duas décadas, traz um prejuízo sem precedentes para a saúde.
Para ser uma ideia, o SUS repassa, por um parto, a quantia de R$ 600,00, enquanto o procedimento não tem custo inferior a R$ 800,00.
Exemplos na porta da nossa casa
Um dos principais objetivos do movimento ‘Tabela SUS Reajuste Já!’ é buscar uma solução para que os hospitais públicos sobrevivam, literalmente, a falta de reajuste da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). E não é preciso ir longe para exemplificar.
O maior instituição catarinense em números de leitos pelo SUS fica em Tubarão. Conforme a assessora da administração do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Rute Michels Meneghel, a falta de recursos para a manutenção da instituição é o que mais pesa.
De todos os atendimentos prestados pelo HNSC por dia, pelo menos 75% deles é por meio do SUS. Porém, o que o hospital recebe por todos estes procedimentos equivale a apenas 40% do custo real de cada um deles. “A emergência, a UTI e a obstetrícia são os setores onde registramos os maiores prejuízos”, lamenta Rute.
No Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos, em Laguna, a presidenta Regina Ramos dos Santos também acumula dívidas altas. Segundo ela, a cada R$ 100,00 gasto com um procedimento feito pelo o SUS, a instituição recebe apenas R$ 60,00 de volta.
“Tudo aumenta, menos a tabela do SUS. O resultado é a visível falta de recurso para a manutenção e o custeio do hospital”, enumera Regina.
Em outra grande e importante instituição na região, o Hospital Santa Teresinha, em Braço do Norte, a situação não é tão diferente. Conforme a diretora Maria Celir Tenfen, a Zê, se não houver reajuste da tabela logo, a instituição não conseguirá manter o convênio com o governo federal por muito mais tempo.
“Os médicos não querem atender ou fazer cirurgia pelo SUS. Recebemos somente 23% do custo de uma operação, por exemplo. E isso quando é muito porque geralmente vem bem menos. Trabalhos sempre no vermelho e dependemos de doações para manter a emergência”, lamenta Zê.

