Antonio Bento
antoniorbento@gmail.com
Durante dois dias, não mais que isso, reservei de minha frenética e agitada vida, duas horas para observar minimamente como ocorre o dia a dia das pessoas.
E escolhi exatamente um banco da praça, porque sei que por lá transitam diariamente muita gente de todas as idades, raças, credo, ideologia, ricas e pobres, altos, baixos. Aparentemente normais, fisicamente, se é que se pode dizer assim, com necessidades especiais e muito mais. Humanos com intrínseca semelhança.
Por ter eu um jeito diferente, talvez meio esquisito de ser, sei lá, opto em olhar extremante para todos os lados. Essa aguçada curiosidade às vezes me coloca em maus-bocados, pelo fato de as pessoas estranharem o cumprimento que dedico a alguém que sequer nunca viu. Absolutamente normal para um mundo desajustado, cruel e por demais individualizado que vivemos.
Mas então, sentado no banco da praça, confesso que vi e senti tantas situações que me deixaram perplexo da forma como elas ocorrem em nossa volta. Embora ainda em uma cidade de porte médio, Tubarão, contudo, os movimentos daqui são idênticos as das grandes metrópoles. Pessoas de múltipla condição social/cultural/econômica seguem seus ritmos acelerados em busca de algo a mais para contemplação da vida.
Meu desejo desafiador não parou por aí, queria mais, enxergar também os seres que não são racionais. Como nas praças públicas felizmente ainda resistem poucas árvores centenárias malconservadas, ao olhar para o alto visualizo alguns pequenos pássaros, lindos, coloridos, alguns sem a plumagem bonita, voando de galho em galho alegrando-nos com seus lindos e indescritíveis cantos. As avezinhas, mesmo sendo imperceptíveis para muitos, afloram os nossos corações atabalhoados.
Cá embaixo continuemos nós, eu sentado no banco da praça a observar tudo e a todos, no meu entorno uma multidão persistente e em compasso hiperativo na marcha pela disputa de exíguos espaços para não perder tempo, porque todo tempo faz-nos otimizar o melhor tempo do mundo.

