terça-feira, 10 fevereiro , 2026

Sindilojas de Tubarão e região critica proposta de novo feriado estadual em novembro

FOTO Agência Alesc Divulgação Notisul

Uma preocupação do Sindilojas de Tubarão e Região reacende um debate central da economia catarinense: os impactos da criação de novos feriados sobre o comércio, a indústria e a competitividade do Estado.

O Sindilojas se posiciona de forma contrária à proposta de criação de um novo feriado estadual no mês de novembro, período que já concentra datas como Finados (2), Proclamação da República (15) e Consciência Negra (20). Para o setor produtivo, a medida representa mais do que uma pausa no calendário: trata-se de um aumento direto de custos operacionais.

Projeto de lei amplia debate em Santa Catarina

O tema ganhou força em 2026 com o Projeto de Lei nº 0023/2026, enviado pelo governador Jorginho Mello (PL), e que tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e propõe tornar 25 de novembro, data dedicada a Santa Catarina de Alexandria, um feriado estadual. A santa dá nome ao Estado.

Entidades representativas do setor produtivo, como a AEMFLO e a CDL, também já manifestaram oposição ao projeto, citando impactos econômicos relevantes, especialmente para o comércio e a indústria.

Custos diretos para quem gera emprego

Segundo o Sindilojas, a criação de um feriado em dia útil transfere custos diretamente para o empresariado. Caso a empresa opte por abrir as portas, será obrigada a arcar com pagamento em dobro, além de encargos adicionais como alimentação, transporte e benefícios previstos em convenções coletivas. Além de mais um dia sem faturamento no mês.

Setores essenciais, como supermercados e farmácias, não conseguem suspender atividades, o que transforma o feriado em um custo fixo inevitável, com repasse aos preços onerando o consumidor. Já para empresas que optam por fechar, o prejuízo ocorre pela queda imediata no faturamento, sem garantia de recuperação nos dias seguintes.

Indústria e logística também são afetadas

O impacto não se restringe ao comércio. Santa Catarina possui uma das indústrias de transformação mais fortes do país, com destaque para os segmentos metalmecânico, têxtil e alimentício. A paralisação de linhas de produção por 24 horas provoca atrasos logísticos que, muitas vezes, não são compensados dentro da mesma semana.

Esses atrasos afetam contratos, exportações e toda a cadeia produtiva, elevando o custo final e reduzindo a competitividade das empresas catarinenses frente a outros estados.

Impacto desigual entre setores

O empresariado destaca ainda que os efeitos de um novo feriado não são distribuídos de forma equilibrada:

Quem perde: comércio de rua, indústria e prestadores de serviço, que mantêm custos fixos mesmo com queda de receita.

Quem ganha: turismo e hotelaria, especialmente em regiões como o Litoral Sul e a Serra Catarinense, onde o feriado pode impulsionar a ocupação e o consumo.

Esse desequilíbrio gera distorções na economia estadual, penalizando justamente os setores que sustentam a maior parte dos empregos formais.

Novembro: mês estratégico para o comércio

A crítica mais contundente à proposta do feriado em 25 de novembro é o acúmulo de datas no mesmo mês. Novembro é considerado estratégico para o varejo por concentrar ações como Black Friday e o início da preparação para as vendas de Natal.

Segundo lideranças empresariais, mais um dia de paralisação compromete o fluxo de caixa em um período decisivo para o fechamento do ano, especialmente para pequenas e médias empresas, que precisam de caixa para honrar com despesas como o 13 terceiro salário.

Competitividade em risco

Santa Catarina ocupa atualmente a 2ª posição no Ranking de Competitividade dos Estados. Para o setor produtivo, a criação de feriados regionais adicionais acaba “punindo” o estado por sua alta produtividade, tornando o custo de empreender mais elevado em comparação a unidades da federação que não adotam datas extras.

O debate segue em pauta na Assembleia Legislativa e mobiliza entidades empresariais de todo o estado, que defendem equilíbrio entre valorização cultural e sustentabilidade econômica.

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