Zahyra Mattar
Tubarão
A falta de água é um problema que afetará, a longo prazo, todo o mundo. Ainda que o Brasil seja privilegiado quanto às suas reservas, é fato a necessidade de investimentos. Na região, a discussão maior é sobre o Rio Tubarão e Complexo Lagunar.
Mas qual a real situação do nosso principal manancial? Precária. Nos últimos cinco anos, é possível afirmar que pouco mudou na situação do rio. Até porque pouco foi feito para isso. O levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA) versa sobre o abastecimento e considera o atual modelo de abastecimento suficiente para atender a demanda da Cidade Azul até 2025.
Mas é a qualidade? “A qualidade das águas em nossa região é crítica e compromete o abastecimento”, atesta o secretário-executivo do Comitê Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Francisco Beltrame.
A questão é muito mais ampla e requer investimentos e debates muito mais enérgicos dos que os feitos até agora. Até porque não existe abastecimento isoladamente. O saneamento básico contempla abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos realizados de formas adequadas.
“No nosso caso, o problema que mais se destaca é o baixo índice da população atendida por sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários. Na nossa região, não chega a 5%. Os investimentos em obras de saneamento básico devem ser prioridades”, pontua Beltrame.
Apesar de tudo, hoje o maior problema ambiental relacionado à água na região não é o somatório das atividades de impacto, mas a irresponsabilidade tanto dos organismos competentes que deveriam, com rigor, fazer cumprir a lei, como da população, que é cúmplice na maioria dos casos.
‘Mais do mesmo’
Os problemas que afetam hoje a Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão são os mesmos do ano passado, de 2009, de 2008… É o famoso ‘mais do mesmo’. Além da irresponsabilidade, da falta de fiscalização e punição, o Rio Tubarão continua a ser bombardeado, principalmente, por:
• Esgoto, fruto da situação rudimentar do saneamento básico;
• Enormes quantidades de dejetos animais, especialmente da suinocultura;
• Sais minerais de adubos e pesticidas (principalmente da rizicultura);
• Metais pesados e outros compostos altamente danosos à saúde humana (advindos da mineração e o beneficiamento de carvão);
• Assoreamento (causado, entre outros fatores, pelo manejo inadequado da agricultura e pecuária e pelo desmatamento das mata ciliar).
Na região, sete cidades precisam
investir mais no abastecimento de água
O Brasil corre o risco de chegar em 2015 com problemas de abastecimento de água em 55% dos 5.565 municípios do país. O dado, alarmante, integra um levantamento inédito feito pela Agência Nacional de Águas (ANA).
O Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água revela onde está o problema e estima o quanto cada estado precisa investir para garantir o líquido nas torneiras da população.
Em Santa Catarina, a situação é considerada uma das melhores do país, mas nem por isso menos perigosa. Dos 293 municípios catarinenses, apenas dez precisaram de investimentos pesados (R$ 115,46 milhões) para buscar outra fonte de abastecimento: Campo Erê, Jaraguá do Sul, Balneário Camboriú, Camboriú, Maravilha, Faxinal dos Guedes, Nova Trento, Itaiópolis, Atalanta e Agrolândia.
Em outras 138 cidades, o levantamento da ANA considerou a situação de abastecimento satisfatória. No restante dos 145 municípios, a situação é mediana, mas é preciso investir quase R$ 513 milhões à adequação do sistema já existente.
Na região, apesar de nenhum município estar na lista das cidades que correm risco de ficar sem água até 2025, sete figuram no rol dos que precisam adequar o modelo em vigência: Armazém, Treze de Maio, Pedras Grandes, São Martinho, Braço do Norte, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima.
O restante das cidades que compõem a Grande Tubarão integram a lista dos municípios onde o atual sistema é capaz, mesmo sem grandes investimentos, de garantir o abastecimento de água adequado da população (veja no quadro).

