sexta-feira, 2 outubro , 2026

Sobre violência, esquerda e direita; sobre nós

Não há dúvida. Algo deveria ser feito no Rio de Janeiro. E noutros lugares do Brasil, também. E no Brasil todo, talvez. Mas, imagina: a violência será mesmo contida com a presença intimidadora de tanques de guerra em bairros pobres?

As formas simbólicas violentas, as demonstrações ostensivas de força, não se prestam para apaziguar a vida social. Reprimem, contêm provisoriamente a coisa, mas não recompõem as relações sociais violentas que geram violência.

Que sociedade é essa nossa que engendra as condições perniciosas de convivência que depois caem sobre ela mesma? A Síria está em guerra, porém aqui a brutalidade espraiada mata mais do que a conjuntura beligerante de lá.

Algo, contudo, não está na conta que comumente se faz sobre a questão. A percepção de violência que temos é principalmente a cometida contra o patrimônio e contra a vida. Vemos violência sobretudo em assaltos e homicídios.

Nossas práticas de violência, todavia, são muito mais dispersas. Cultivamos violência nos lares, nas escolas, nas praças esportivas, no trabalho, nos passeios públicos, nas mídias sociais. E somos particularmente violentos no trânsito.

Atlas da Violência (2017): homicídios cresceram 22,7% em dez anos; superam mortes por terrorismo e Guerra do Vietnã. Foram 59.080 casos registrados há dois anos contra 48.136 em 2005; 31.264 jovens (https://goo.gl/Qe3LIs).

Mortes no trânsito têm alta de 25% em 9 anos. Em 2002, 32 mil morreram no trânsito; em 2010, foram 40,6 mil mortes (https://goo.gl/o5HU3y). Em 2017, o Brasil registrou cerca de 47 mil mortes (https://goo.gl/ubboFp).

Brigas de trânsito se multiplicam pelo Brasil. Em São Paulo, o disque 190 da PM recebe por dia 400 registros. Especialistas dizem que a relação do brasileiro com o carro tem a ver com status e poder (https://goo.gl/cwVVoN). 

O veículo como extensão da pessoa, a desconsideração pelas ruas, o controle forçado do tráfego; a violência que incide no sujeito, que o sujeito transporta em si, que o sujeito descarrega no próximo. Produzimos uma guerra.

Pedágios de SC têm uma fuga a cada dois minutos, 680 por dia. No ano passado, 248,2 mil motoristas passaram sem pagar pelas praças. Isso porque os números foram 57% menores do que no ano anterior (DC, 08mar18, p.11).

Suponho raiva, exibição, protesto, sensação de impunidade, desdém por normas. Seguramente há muita violência. Segundo a matéria, a PRF conseguiu aplicar apenas 131 notificações no período. O crime de trânsito compensa.

Num contexto nacional no qual uma das maiores preocupações da sociedade está no combate à corrupção, chega a ser impressionante o número revelado pela reportagem sobre motoristas que furam os pedágios (DC, 08mar18, p. 4).

Corrupção é só mais uma forma de violência tolerada e justificada se o corrupto é “dos nossos”. Ver as falácias bem elaboradas e os “maquiavelismos” mal-ajambrados (os fins justificam os meios) que autorizam a ladroagem lulopetista.

Notar o cinismo que afronta o Judiciário – que, sim, é violento. Ora, a violência judicial não faz contraponto à ladroagem identificada, confessada e reembolsada ao erário. São bilhões recuperados em processos.

Ver o ódio antipetista que se busca saciar no discurso anti-Lula de Bolsonaro. Como se a violência antidemocracia, anti-igualdade, antimulher, antilgbt, antirracionalidade, antilaicidade de político pudesse contemplar paz social.

Refiro os dois candidatos destacados em pesquisas, mas o que me preocupa é o descaramento de seus eleitores. Com eles, retomo tanques e demais procedimentos agressivos que humilham as favelas cariocas.

Estão lá e são um acinte. Mas não são novidade. Não são obra do Temer (ainda que sim, fora Temer). De 2008 para cá, as Forças Armadas estiveram no Estado do Rio de Janeiro 13 vezes. Isso foi em tempo de governo petista, não?

Essa é a maior violência: os embustes das classes dominantes. Diatribes de elites que se acusam reciprocamente sabendo que mentem. E que teria a ver isso com o trânsito, com as misérias, com a violência, afinal?

Essa violência toda: o discurso petista do “nós contra eles”, o falaz Bolsonaro que ignora que não sabe o que diz; isso somos nós. Os eleitores que relevam roubalheira, os eleitores que têm esperança no ódio; isso somos nós.

Nossa esquerda de direita, nossa direita troglodita, nossos homicídios, nosso trânsito, tudo isso é violência, tudo isso somos nós. Referimos essas coisas como eventos que nos são alheios. Nada! Sem inocência, somos nós.

Continue lendo

Pelo Estado – Eleições 2026: regras e os principais candidatos 

  Com a proximidade do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, cerca de 158,7 milhões de eleitores brasileiros vão às...

Nunes Marques fará pronunciamento em rede nacional antes do 1º turno

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, fará um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão neste sábado (3),...

Lei Seca nas Eleições: veja onde há restrição de bebidas no 1º turno

A Lei Seca nas Eleições terá regras diferentes pelo país no primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4). Pelo menos nove estados...

Lula e Flávio concentram agenda no Sudeste na reta final

Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram os últimos compromissos de campanha no Sudeste antes do...

Eleitorado brasileiro no exterior cresce 31% para as eleições de 2026

O número de brasileiros aptos a votar fora do país cresceu 31,82% nas eleições de 2026 em comparação com o pleito de 2022. Segundo...

Trânsito no Centro de Tubarão muda a partir deste sábado

A Prefeitura de Tubarão altera, a partir deste sábado (3), a circulação de veículos em três ruas do Centro. As mudanças atingem a Rua...

Sul de SC terá frio, calor e temporais no fim de semana

FOTO Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutosO fim de semana terá mudanças importantes no tempo no Sul de Santa Catarina. A sexta-feira (2) começa fria...

PM registra tráfico em Tubarão e prisão após fuga em Imaruí

FOTO PMSC Divulgação Notisul TEMPO DE LEITURA: 2 minutos A Polícia Militar registrou duas ocorrências de destaque entre a manhã de quinta-feira (1º) e a manhã...