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Sonhos coletivos: empreendedorismo e ação

Parece impossível falar neste momento sem fazer menção às dificuldades que vivemos. Está difícil! E pior, não se trata de uma crise econômica, nem brasileira. É uma crise ampla e profunda, que abarca o mundo todo, e vem crescendo há muito. Ela tem nuances locais, claro, mas é generalizada.

É moral, social, ambiental… e por aí vai. Compromete desde crenças e dignidades, e nos leva a pensar sobre como nos organizamos desde a revolução industrial. No fundo, nem entendo bem meu próprio espanto. Há muito, a gente sabe que repousa sobre um dragão adormecido. 

Eu mesma já usei como tema de coleção a mega população mundial – que é assustadora, e apenas um dos imensos problemas -, mas o caos parecia estar mais longe. Chegou rápido e forte, e agora, pouco se vê adiante. Desânimo? Para ser honesta, sim. Mas sempre há noite estrelada cantando um samba assim: “levanta, sacode a poeira…”. Impõe-se a necessidade de repensar e reinventar. Temos que entender que esta é uma hora em que as autoridades estabelecidas falham, não podemos contar com eles. Ou pior: temos que viver apesar deles. Parar para conversar, entender-se, e combinar, é o mais simples a ser feito, ponto inicial de qualquer reorganização. Também serve para entender o momento, e para processar a dor, o medo e a solidão.

Mais do que nunca, a sociedade civil organizada é uma maneira de poder agir, de desenvolver independência e encontrar formatos sem esperar eternamente. Esperar é muito chato, especialmente pelo que não vem. Encontrar nossos pares e agir de maneira conjunta está ao nosso alcance e é desejável. Criar alianças com quem acredita nas mesmas coisas, tem valores e objetivos semelhantes. Organizar-se, situar-se e determinar caminhos coletivos. Há certeza de não estarmos mais no terceiro mundo, incerteza sobre onde estamos, e esperança de poder inventar um lugar novo. Dar a volta por cima é inventar saídas, lugares, espaços, formatos e soluções.

Não temos o que esperar, nem tempo ou porque fazê-lo. Mas é preciso conversar. É preciso imaginar um sonho, muitos sonhos, e viabilizá-los. Sonhos servem para muitas coisas: guiar nossos talentos, orientar ações, para encorajar, para estabelecer parâmetros, para não nos acomodarmos com pouco. Servem também para aprendermos a respeitar os sonhos dos outros, para buscar novas formas de conviver. Para que o novo se invente, e a diversidade possa surgir. Para que possamos utilizar os recursos de que dispomos da forma mais total e inteligente possível. Para avançarmos sobre nossos próprios limites, como atletas da vida. Estamos vivendo um mundo homogêneo, respeitando demasiadamente os limites, conformados com a pouca qualidade, tomando o médio por ótimo. Apesar da correria desenfreada, somos letárgicos e pouco críticos. E falamos sem parar, em inovação, mas pouco praticamos.

Na maioria das vezes, fazemos “o que outros fizeram” – o que não expressa desejo e talento pessoal, logo, é vazio e enfadonho. Agir como consequência do sonho é empreender. Significa “decidir realizar” (o que pode ser uma tarefa difícil e trabalhosa), tentar, correr riscos. O meu sonho é que Santa Catarina reconheça seus valores, preserve as belezas que (ainda) tem e vitalize sua capacidade pujante de trabalho.

Que se compreenda como um lugar em que grande parte da indústria depende da capacidade criativa, o que a torna um conjunto industrial/ambiental/cultural particular no mundo. Que busque novas formas de tratar e preparar profissionais – em particular os que administram processos criativos – com delicadeza e profundidade, fazendo decrescer vertiginosamente o consumo de drogas licitas no âmbito industrial, entre outras catástrofes do dia a dia. De maneira que possa crescer exponencialmente em entrega de valores e produtos, inteligência e discernimento. Para isso eu trabalho.

 

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