Priscila Loch
Tubarão
Todas as discussões necessárias antes da redragagem do Rio Tubarão devem ser encerradas até o próximo mês. Depois disso, será possível lançar os editais para contratar a elaboração dos projetos básico, executivo e de impacto ambiental, imprescindíveis para o início efetivo da obra.
A expectativa do governo do estado é que os documentos estejam prontos até março, revela o gerente regional da Cidasc em Tubarão, Claudemir Souza dos Santos. Ele destaca que tudo precisa ser bem ‘costurado’ – por isso a demora para lançamento da licitação -, já que se trata de um trabalho complexo e de extrema importância para toda a região.
Além do desassoreamento do rio, um estudo indicará obras complementares a serem feitas para contribuir no processo de prevenção de grandes cheias. Planeja-se a construção de canais extravasadores (para o deságue direto no oceano), ampliação dos molhes do Camacho em aproximadamente 150 metros, em Jaguaruna, para manter a barra aberta, e a limpeza do Rio Seco.
“Na última reunião, ficou definido que serão feitos dois termos de referência: a manutenção da calha e o estudo de obras que darão maior proteção”, cita Claudemir.
Outro problema a ser resolvido no que diz respeito à prevenção de enchentes é uma barreira que precisa ser removida na Barra de Laguna. Estima-se que a profundidade neste trecho esteja em aproximadamente três metros, quando deveria ter oito.
“Há um esforço do governo do estado para concluir até outubro o termo de referência correspondente à manutenção da calha, exigidos pelo Ministério das Cidades”, acrescenta o gerente da Cidasc.
Na prática, obra pode ficar para 2014
Os representantes do governo do estado projetavam o início da remoção de areia do fundo do rio para ainda este ano. Depois, a data foi adiada para o próximo ano. Mas, dependendo do processo de contratação de empresas e elaboração dos projetos, a obra propriamente dita pode ficar apenas para 2014.
Os recursos para desassorear o rio – aproximadamente R$ 80 milhões – teoricamente estariam garantidos pelo governo federal, a partir de uma lista de emendas regionais da bancada catarinense.
Pelo menos 6.831.455,075 metros cúbicos de areia serão removidos de um trecho de 29,7 quilômetros do manancial, entre a área urbana de Tubarão e a foz, em Laguna. O material, por ser contaminado por materiais pesados, não poderá ser depositado em qualquer lugar.
Barra do Camacho será dragada novamente

Enquanto não é possível colocar em prática uma solução definitiva para evitar o assoreamento da Barra do Camacho, em Jaguaruna, o jeito é dragar o canal constantemente. Este trabalho é intensificado no momento.
Na última oportunidade, foram retirados da boca da lagoa 52 mil metros cúbicos de areia (isso equivale a mais de 7.400 caminhões carregados). Agora, como a dragagem será executada em um espaço menor, da ponte em direção ao mar, a expectativa é que a quantidade de material fique em 30 mil metros cúbicos.
Aproximadamente mil famílias dependem direta ou indiretamente do pescado retirado das lagoas do Camacho, Santa Marta e de Garopaba do Sul. A entrada da água do mar possibilita o aumento da salinidade nas lagoas e o ingresso de peixes e crustáceos.

