terça-feira, 10 fevereiro , 2026

Trabalho por plataformas amplia renda e reacende debate jurídico no Brasil

ARTE IA Notisul

Tempo de leitura: 4 minutos

O avanço das plataformas digitais de transporte e delivery vem transformando de forma permanente o mercado de trabalho brasileiro e consolidando o chamado gig work. Baseado na prestação de serviços sob demanda e mediado por tecnologia, esse modelo ampliou as possibilidades de geração de renda, mas reacendeu um debate central no direito do trabalho: a existência — ou não — de vínculo empregatício entre plataformas e trabalhadores.

O que define o vínculo empregatício

De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o reconhecimento do vínculo empregatício exige a presença simultânea de quatro elementos: dependência econômica (frequentemente chamada de subordinação), pessoalidade, habitualidade e onerosidade.

As plataformas digitais, por outro lado, sustentam que atuam apenas como intermediadoras tecnológicas. O argumento central é que os trabalhadores exercem suas atividades com autonomia, podendo definir horários, aceitar ou recusar corridas e entregas, o que afastaria a caracterização do vínculo formal de emprego.

Crescimento do trabalho por aplicativos

Trabalho por plataformas amplia renda e reacende debate jurídico
Reprodução Mídias Sociais Notisul

Dados divulgados pelo IBGE em 2024 mostram que cerca de 1,7 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no Brasil, o equivalente a 1,9% da população ocupada no setor privado. Entre 2022 e 2024, esse contingente cresceu 25,4%, com a incorporação de mais de 335 mil trabalhadores.

Os números reforçam que o trabalho por plataformas deixou de ser pontual ou emergencial e passou a integrar de forma estrutural o mercado de trabalho brasileiro.

Renda maior, mas com mais riscos

Para o advogado trabalhista Arthur Felipe Martins, o debate é necessário por diferentes razões. Segundo ele, apesar de os trabalhadores por aplicativos apresentarem rendimento médio líquido ligeiramente superior ao dos empregados formais, esse ganho vem acompanhado de riscos relevantes.

“Esses trabalhadores — também chamados de gig workers — enfrentam uma assunção de riscos que faz com que o benefício da remuneração fique em xeque. As jornadas são mais extensas: em média, 44,8 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais trabalhadores, o que resulta em menor remuneração por hora”, explica.

Informalidade e ausência de proteção social

Outro ponto crítico apontado por Martins é o elevado grau de informalidade. “O trabalhador plataformizado fica sem acesso a proteções básicas que acompanham o empregado ao longo da vida profissional, como férias remuneradas, cobertura adequada em caso de acidente, afastamento médico ou até mesmo um desligamento formal da plataforma”, afirma.

Esse cenário amplia a vulnerabilidade social e transfere integralmente ao trabalhador os riscos da atividade econômica.

Debate chega ao STF

A controvérsia também se reflete no Judiciário. Decisões divergentes — ora reconhecendo o vínculo de emprego, ora negando — levaram a discussão ao Supremo Tribunal Federal. Atualmente, recursos em análise podem consolidar um entendimento nacional sobre a natureza jurídica do trabalho por plataformas.

Enquanto isso, todos os processos que tratam do tema no país permanecem suspensos, à espera de uma definição da Corte.

Tendência internacional e modelos híbridos

Segundo o advogado, o debate brasileiro acompanha uma tendência internacional. Países como o Reino Unido adotaram modelos híbridos, que garantem direitos mínimos sem equiparar integralmente os trabalhadores por aplicativos aos empregados tradicionais.

“É uma tentativa de equilibrar inovação, flexibilidade e proteção social, sem descaracterizar a dinâmica própria das plataformas”, avalia Martins.

Um novo marco regulatório em debate

Para ele, a discussão não deve se limitar à oposição entre emprego formal e autonomia plena. “O ideal é avançar para a construção de um marco regulatório que assegure segurança jurídica, proteção social mínima e transparência, sem comprometer um modelo já consolidado na economia contemporânea. A ausência de uma resposta clara pode aprofundar a precarização ou frear a inovação”, conclui.

Nesse contexto, o futuro do trabalho por plataformas estará diretamente ligado à capacidade de equilibrar tecnologia, direitos fundamentais e sustentabilidade econômica, por meio de uma legislação alinhada à velocidade das transformações sociais.

Continue lendo

Sindilojas empossa Marciano Michels como presidente da gestão 2026–2029

FOTOS Notisul Tempo de leitura: 4 minutos O Sindilojas – Sindicato do Comércio Varejista de Tubarão e Região realizou, na noite desta segunda-feira (9), a cerimônia...

Quando o bot diz “entendi” e prova que não entendeu nada

Após falarmos tanto sobre processos e pessoas, hoje a gente começa a nossa jornada dimensional nas ferramentas. E, como toda ferramenta, ela pode construir...

Fontanella Transportes: do primeiro caminhão à liderança nacional em logística

FOTO Divulgação Notisul Tempo de leitura: 6 minutos Este 10 de fevereiro é um marco na história da Fontanella Transportes, um retrato fiel do empreendedorismo catarinense. Fundada...

ACIT Talk abre 2026 com debate sobre gestão profissional no agronegócio

IMAGEM Divulgação, Notisul  Tempo de leitura: 3 minutos O primeiro ACIT Talk do ano colocará em pauta o tema “Agro com visão de negócio: gestão profissional...

Araranguá avança em obra contra alagamentos na Rua Rui Barbosa

FOTO PMA Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 3 minutos A Administração Municipal de Araranguá, por meio da Secretaria de Obras, segue avançando com a intervenção na...

Tubarão notifica empresa de coleta emergencial por irregularidades e suspende pagamentos

A Prefeitura de Tubarão notificou extrajudicialmente a empresa Plural Serviços Técnicos Ltda, responsável pela coleta de lixo no município por meio de contrato emergencial,...

Prefeito de Capivari de Baixo cumpre agenda em Brasília em busca de recursos e parcerias

FOTO PMCB Divulgação Notisul  Tempo de leitura: 3 minutos O prefeito de Capivari de Baixo, Claudir Bitencourt, está em Brasília desde a última segunda-feira para uma...

Previsão do tempo 10/02: Sol e calor predominam no Sul de Santa Catarina

IMAGEM Notisul  Tempo de leitura: 2 minutos Para esta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a previsão do tempo indica dia de sol e calor em...