Zahyra Mattar
Tubarão
Em meio às disputas políticas internas, o que é natural, Tubarão precisa de saneamento das contas da administração e obras. E isso o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB) continua determinado a fazer. Em seus planos para este ano, estão uma série de pavimentações, a construção do Pronto Atendimento 24 horas, a solução dos cães de rua.
Só faz isso com dinheiro em caixa, tem as rédeas do município. E deixou isso bem claro ontem, quando retornou de viagem e reuniu-se com o vice-prefeito Pepê Collaço (PP) e os vereadores Deka May (PP), Haroldo Silva (PSDB), o Dura, Jefferson Brunato (PSDB) e Edson Firmino (PDT).
Garantiu que não sabia da manobra arquitetada pelo ex-prefeito Carlos Stüpp (PSDB). O grupo que se sente traído saiu convencido da sinceridade do prefeito. Pepê Collaço disse que o partido continua no governo, mas quer definir espaços.
“Devemos (o PP) nos reunir com Manoel para conversar e colocar os pingos nos is. Quero saber qual o posicionamento dele, o que ele espera do meu partido e do dele. Temos que atravessar esta crise política da melhor maneira possível para não afetar a cidade. Aí seria injusto”, considera o vice-prefeito.
“O PP já é nosso parceiro,
precisávamos do outro grupo”
Para o presidente da câmara de vereadores de Tubarão, João Batista de Andrade (PSDB), do ponto de vista jurídico, está tudo certo. Não há o que contestar quanto à eleição da mesa diretora da casa, segunda-feira. Já quanto ao aspecto político, Batista prefere deixar a poeira baixar. Diz que o objetivo foi o de reestabelecer a ordem.
“A manifestação é normal. Particularmente, minha consciência está tranquila. Nosso objetivo foi criar esta mudança para melhorar um clima que não era bem conduzido desde o ano passado. O tempo vai dizer quem está certo”, completa.
Batista voltou a reforçar que a articulação foi do partido, ainda que o prefeito Manoel Bertoncini não tenha participado. “Era necessário para nós não sermos traídos. Soubemos de conversações de que o PP negociava com o PMDB e o PDT. Eu e Nilton somos titulares e a negociação era feita pelos suplentes. O que é isso?”, indaga.
O presidente salienta ainda que a vaga não é do prefeito, é de quem foi eleito. “Obviamente, por questões partidárias, ele (o prefeito) sugere e isso tem peso de decisão, mas não significa que o vereador tem que obedecer cegamente a opinião, seja do prefeito ou qualquer outro membro do partido”, dispara.
Manoel foi procurado por Batista ontem. Entendeu, em partes, o posicionamento dele, de Toni Bitencourt (presidente do partido) e do ex-prefeito Carlos Stüpp. “O PP já é parceiro, faz parte do governo. Precisávamos trazer o outro grupo, que era oposição. Com esta manobra, conseguimos isso. O que falta é todos assimilarem todas estas novidades”, considera Batista.
Caio e Reneuza assumem hoje
Ainda que não tenham adquirido o direito a uma vaga na câmara como gostariam, os suplentes de vereadores Caio Tokarski (PMDB) e Reneuza Marinho Borba (PTB) entram com a cabeça erguida e pela porta da frente da casa.
Ambos serão empossados hoje, às 19 horas. Reneuza será conduzida à vaga de Léo Rosa de Andrade (PPS) e Caio à de Maurício da Silva (PMDB). Ambos tiveram seus direitos políticos cassados – e consequentemente perderam seus respectivos mandatos – por conta de uma sentença do tribunal de justiça, em resposta a uma ação apresentada pelo ministério Público de Tubarão em 2003.
Na época, a dupla ocupava vaga no legislativo e exercia trabalho junto a outros órgãos públicos. Maurício era gerente regional de educação e Léo secretário de desenvolvimento regional. Caio já anunciou que pretende ter uma postura independente, sem lados. Tem afinidade de ideias com os colegas Deka May (PP) e Edson Firmino (PDT).
Reneuza tem bom trânsito entre as outras siglas, mas deve acompanhar a base governista, já que o seu partido integra a coligação que elegeu Manoel Bertoncini (PSDB) e Pepê Collaço (PP) à prefeitura.
Nilton volta à secretaria de
desenvolvimento urbano
A nova composição da câmara não ficará como está por muito tempo. Além da chegada dos suplentes Reneuza Marinho Borba (PTB) e Caio Tokarski (PMDB), Jefferson Brunato (PSDB) voltará à vaga de Nilton de Campos, também tucano.
João Batista de Andrade (PSDB) continuará frente à presidência. O suplente de vereador Haroldo Silva, o Dura (PSDB), continuará fora do grupo. Nilton voltou esta semana somente para votar na composição da mesa. Ele retorna até a próxima semana para o comando da secretaria de desenvolvimento da prefeitura, mesmo contra a vontade do vice-prefeito Pepê Collaço (PP).

