quinta-feira, 7 maio , 2026
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Nômades: Menino de 11 anos é acusado de furto

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Rafael Andrade
Tubarão

“É necessário tocar na mesma tecla até que alguém tome uma providência”. “Não dá mais para aguentar a rebeldia, a falta de educação e as ações criminosas destes ciganos”. Estas são algumas das dezenas de frases indignadas de comerciantes e moradores da avenida Padre Geraldo Spettmann e de outras 12 ruas transversais, no bairro Humaitá, nas proximidades da rodoviária.

O caso mais recente ocorreu na noite de quinta-feira e foi desvendado nesta sexta. Um casal de nômades, de 17 (ele) e 14 anos (ela), e um menino de 11 entraram na loja Zardo Brinquedos e Utilitários e furtaram um aparelho de som de carro. “Enquanto o casal me chamou em um dos corredores da loja para saber o preço de uma vassoura, a criança aproveitou e pegou o aparelho da prateleira”, relata a vendedora Rosangela Pereira da Rosa Berti.

Somente nesta sexta-feira, o proprietário do local sentiu falta do som, perguntou à funcionária e ela disse que não havia vendido. Eles foram observar o sistema de monitoramento e flagraram o menor furtando o aparelho. “Procuramos a polícia e mostramos as imagens. Foi constatado que se tratava de um nômade”, explica Rosangela.

Vários investigadores da Central de Operações Policiais (COP) e policiais do Pelotão de Policiamento Tático (PPT) da Polícia Militar foram até o acampamento e encontraram o objeto de furto.
Os dois adolescentes mais velhos – que compraram a vassoura e uma pá -, a criança e a sua mãe foram encaminhados à delegacia. Foram ouvidos e liberados.

Terrenos baldios invadidos

A avenida Padre Geraldo Spettmann é o principal ponto de entrada da cidade via BR-101, de quem vem do sul. Dezenas de turistas e moradores enviaram e-mails, telefonaram e até mesmo deslocaram-se pessoalmente à redação do Notisul nos últimos meses para falar sobre os nômades.

“Estes acampamentos enfeiam o município. Se fosse somente isso, não seria tão mau. O problema é que há furtos e vandalismo frequentes nesta região. Ninguém faz nada”, lamenta o mecânico Altair Gabriel Justino.

Alguns proprietários já cercaram os seus terrenos para não haver mais invasão de ‘ciganos’, no entanto, seis grandes terrenos seguem abertos, e com a ‘fundação’ pronta para receber as barracas montadas com lonas alaranjadas e amarelas.
Os nômades assistem TV em uma construção nas proximidades e pegam água de torneiras das casas e empresas. Na semana passada, uma faxineira da rodoviária foi agredida por um grupo de crianças do acampamento por proibir que pegassem um balde de água de um banheiro.

Tentativa de homicídio: Golpeado por uma barra de ferro

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Tubarão

Um homem de 39 anos foi agredido por um rapaz de 18, no fim da manhã de quinta-feira, na rua Anastácio Teófilo Teixeira, no bairro Dehon, em Tubarão. Foi a segunda tentativa de homicídio registrada na cidade em menos de três dias.

Onze pessoas já foram assassinadas no município este ano. O número só não é maior porque as agressões contra a última vítima foram contidas por familiares. “É uma ‘richa’ antiga entre eles”, informa um amigo.

O jovem, em um dia de fúria, desferiu vários golpes na cabeça e costas do homem com uma barra de ferro. E fugiu sem deixar pistas. A Polícia Militar já o identificou e foi até a sua casa nesta sexta-feira à tarde. A sua namorada informou que ele não estava e não sabia o seu paradeiro.

O homem foi socorrido por familiares, que o levaram às pressas ao Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão. O socorro rápido salvou a sua vida. Ele está internado em estado grave e pode ter sequelas, já que recebeu golpes na cabeça.
Também continua interando o jovem Enio Tomaz, 23 anos.

Ele foi vítima de uma tentativa de homicídio, no início da tarde de terça-feira, quando dois homens, de 44 e 50 anos, tentaram enforcá-lo e asfixiá-lo com um saco plástico. A dupla foi enquadrada no artigo 121 parágrafo terceiro do Código Penal Brasileiro (CPB) e encaminhada ao Presídio Regional de Tubarão. Se condenados, podem ficar reclusos entre seis e 20 anos.

Atlético Tubarão: “Só assumo se tiver apoio”

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Rafael Andrade
Tubarão

O Atlético Tubarão poderá ter um novo presidente a partir da próxima quarta-feira. Quem informa é o atual comandante do clube, Pedro Almeida. O empresário do ramo de confecções Dorli Fernandes Rufino, o Lico, colocou o seu nome à disposição.

“Tem muita gente me ligando para perguntar se já sou o novo presidente. Tive uma conversa com os atuais dirigentes na quinta-feira à noite. Debatemos possibilidades de assumir a gerência do Atlético e iniciar uma nova etapa. Por enquanto, é só isso. Ainda não assumi oficialmente”, relata Lico.

A atual diretoria deixou todos os cargos à disposição para que o possível novo dirigente tenha total liberdade de montar a sua equipe de trabalho. Pedro continuará no tricolor como presidente no Conselho Deliberativo e comprometeu-se buscar recursos de apoio à nova gestão.

Lico já contatou outros empresários da cidade para auxiliar nesta nova jornada. “Ele tem ótimos contatos e é necessária esta renovação no clube. O foco de todos é avaliar possibilidades para quitarmos a dívida do Atlético Tubarão – aproximadamente R$ 150 mil”, detalha Pedro.

Mercado Público: Revitalização está orçada em R$ 3 milhões

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Laguna

A revitalização do Mercado Público de Laguna está programada para iniciar em agosto deste ano e certamente mudará totalmente o visual do prédio histórico. A obra, orçada em R$ 3 milhões, está inclusa no PAC das Cidades Históricas e deve ser finalizada até fevereiro de 2012.

O arquiteto Jean de Souza da Silva, da empresa Arte Real, que administrará a obra, apresentou a obra esta semana, em uma audiência pública no Iphan. O projeto, nostálgico e ao mesmo tempo moderno, reconstituirá a época da primeira edificação, construída em 1958.

Antes disso, todo o comércio da cidade era feito dentro das canoas, à beira do cais. O novo Mercado Público terá em sua fachada e interior características marítimas, com detalhes que remetem à cultura local. Serão construídos novos boxes, sanitários e lojas de artesanato.

Na parte superior haverá espaço para um restaurante com mirante para o centro histórico e deques com 12 metros de avanço à Lagoa Santo Antônio dos Anjos, que será dragada.

Desapropriação

Os comerciantes instalados no Mercado Público de Laguna mostraram-se preocupados com a desocupação do local. Os trabalhos começarão pelo interior do prédio e não há como fazer a reforma com os empreendedores no local. Além disso, a estrutura atual não oferece segurança para isso. O prefeito Célio Antônio (PT) assegurou que as famílias que vivem do comércio no Mercado Público não serão prejudicadas com a obra, mas será necessário cumprir as recomendações e normas de locação.

Uma reunião entre a prefeitura, o Iphan e a Associação dos Comerciantes do Mercado Público já está marcada para discutir a melhor forma e o local mais adequado para os realocar. Durante o período de intervenção da obra, os aluguéis serão suspensos para os comerciantes que estão com o pagamento em dia. Quem está com parcelas em aberto precisam quitar a dívida.

Cooperativa de recicláveis: Catadores recebem orientações

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Tubarão

Famílias de Tubarão que sobrevivem da coleta de materiais recicláveis participaram nesta sexta-feira da primeira reunião para a formação de uma cooperativa. Uma nova assembleia foi marcada para o dia 3 do próximo mês, quando serão discutidos os aspectos gerais à formação da associação.

Atualmente, cerca de 100 famílias vivem da coleta de resíduos recicláveis em Tubarão. “Além de capacitar o catador para aproveitar ainda mais o material, vamos montar núcleos de coleta em vários pontos da cidade. Desta forma eles não precisarão levar o que coletaram para sua casa”, detalha a educadora ambiental Lúcia Helena Mello de Freitas.

A prefeitura já adquiriu um terreno, no bairro São Cristóvão, para construir a sede da cooperativa. Assim que o grupo estiver formado, será possível buscar financiamentos e recursos de programas do governo federal para edificar o galpão e dar início às atividades.

A educadora ambiental explica ainda que a cooperativa não será da prefeitura. “Daremos todo o suporte e faremos as mediações necessárias para que o trabalho em grupo seja feito de forma organizada e rentável aos cooperados, mas todo o resultado será destinado somente a eles”, salienta Lúcia Helena.

Sabe o que os astros reservam para você hoje?

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Áries (21/03 a 19/04)
Versatilidade, inteligência e contatos estimulados com o novo movimento de Mercúrio. Fase importante para estudar, aprender, viajar e circular em diferentes ambientes. A capacidade de se comunicar é o que caracteriza a inteligência.

Touro (20/04 a 20/05)
Mercúrio estimula os talentos, inteligência e finanças taurinas. Hora de desenvolver os seus potenciais, fazendo contatos e sendo mais flexível. A mobilidade, a comunicação e o senso de negócios ficam ativados com novo trânsito astral de Mercúrio.

Gêmeos (21/05 a 21/06)
Mercúrio passa a atuar em seu signo, estimulando a inteligência e a comunicabilidade. Você é visto como alguém inteligente, capaz de atender a diferentes demandas. É a habilidade de fazer contatos e de se comunicar.

Câncer (22/06 a 22/07)
Inteligência intuitiva. Autoconhecimento. Percepção de possibilidades futuras. Você volta-se para compreender o que passou nos últimos meses. Interiorização. Auxílio a irmãos ou pessoas próximas. Percepção do insconsciente coletivo e do que está por vir.

Leão (23/07 a 22/08)
Sociabilidade. Contato com amigos e grupos. Percepção do futuro. Vanguarda. Aprendizado em grupo. Pensamento compartilhado entre pessoas que possuem sintonia mental. Volte o pensamento ao futuro.

Virgem (23/08 a 22/09)
Mercúrio passa a atuar em Gêmeos, estimulando os conhecimentos e o trabalho. Questionamento sobre seus objetivos e trabalho. Contatos importantes para o desenvolvimento profissional. Terá de ser versátil.

Libra (23/09 a 22/10)
Mercúrio passa a atuar em Gêmeos estimulando os conhecimentos e o trabalho. Questionamento sobre os seus objetivos e trabalho. Contatos importantes para o desenvolvimento profissional. Terá de ser versátil.

Escorpião (23/10 a 21/11)
Percepção da multiplicidade de fatores que estão em jogo atualmente. Mudança de pensamento e de mentalidade que abre a novas possibilidades. A inteligência e a habilidade de comunicação revelam-se essenciais.

Sagitário (22/11 a 21/12)
O movimento de Mercúrio favorece a ampliação de contatos e de relacionamentos. Há muito a aprender com as pessoas e muitas experiências a serem compartilhadas. As pessoas trazem mais jovialidade e versatilidade à vida dos sagitarianos.

Capricórnio (22/12 a 19/01)
Importância de conhecimentos e interesses com relação à atividade profissional. Estudos, contatos e viagens relativos ao trabalho. Informações que são úteis a uma vida mais saudável. Momento para refletir sobre o que deve ser aprimorado, melhorado.

Aquário (20/01 a 18/02)
Atitude mais jovial e versátil caracterizará a vida afetiva. Quer diversidade de experiências. Tendência a se expressar com naturalidade. Quer falar sobre os seus sentimentos espontaneamente. Experiências importantes envolvendo crianças ou adolescentes.

Peixes (19/02 a 20/03)
Inquietação interna que o leva a novos ambientes, contatos e experiências, pisciano. Poderá buscar ambientes mais condizentes com as suas verdadeiras necessidades emocionais. Reflexão sobre privacidade, família e emoções. Movimentação no lar.

Os intocáveis (1)

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A lberto estava quase no final de seu plantão, sob um sol escaldante. O agente continuava suas abordagens de rotina, numa blitz da Guarda Civil Municipal, no subúrbio do bairro da cidade. Estava exausto. Mesmo assim, aproximava-se dos veículos com cautela, verbalizava com os condutores com uma educação exemplar, que fora cultivada desde sua infância por influência de seus pais. Procurava, sempre que possível, orientar as pessoas a respeito de uma boa conduta no trânsito e, de modo geral, era recepcionado com a mesma educação que oferecia.

– Vamos encerrar a operação. Fiscalizem os últimos veículos e depois vamos embora – disse o comandante para os subordinados.

Alberto ordenou com gestos a parada de um automóvel que se aproximava. Caminhou até uma distância segura para que pudesse iniciar sua abordagem com segurança, observou o condutor através do retrovisor externo, e falou:

– Bom dia, cidadão! Por favor, carteira de habilitação e documentos do veículo.
O cidadão respondeu ao bom dia e ao mesmo tempo foi abrindo o porta-luvas. No meio de muitas parafernálias, encontrou os documentos que Alberto havia pedido. Entregou nas mãos do agente, que conferiu e disse:
– Está quase tudo certo, exceto pelo fato de o senhor não estar usando o cinto de segurança.
– E daí? – exclamou o cidadão.
– Como e daí? O Senhor não sabe que está no Código de Trânsito Brasileiro, em seu art. 65, que o uso do cinto de segurança é obrigatório em todo território nacional? Além do mais, num possível acidente de trânsito, o senhor pode ser lançado para fora do veículo, podendo sofrer ferimentos graves ou até mesmo morrer!
– E daí, seu guarda? – insistiu o cidadão.

– Que coisa! – exclamou consigo mesmo Alberto. Mesmo assim, manteve a postura. Respirou fundo e completou:
– O senhor está sendo notificado no art. 167 do CTB, por deixar de usar o cinto de segurança.
– O quê? Tu ‘tá’ me ameaçando, rapaz?
– Não, não estou lhe ameaçando, estou lhe notificando, o que é bem diferente.
– O rapaz! Tu sabes com quem tu ‘tá’ falando?

Alberto já estava de ‘saco’ cheio com aquela situação. Mesmo assim, respondeu a pergunta ousada daquele cidadão:
– Não, não sei! Se nem mesmo você sabe quem você é, como você quer que eu saiba?
– Eu sou índio. Tu não ‘tá’ vendo o penacho no banco de trás?
– Estou vendo, sim, mas agora quem diz ‘e daí’ sou eu!
– Ah, meu filho! Tu estudaste até que série? Como foi que tu entraste pra esta corporação? Parece um burro analfabeto!
– Olha o desacato, cidadão! Respeita-me senão eu te prendo, hein!

– É bem nesse ponto que eu queria chegar seu guarda. Tu não podes me prender, não pode fazer nada contra mim. Porque ‘mim ser índio’, e índio pode alegar desconhecimento de lei. Eu nem sei o que é esse tal de desacato. Afinal, nós não vivemos nessa selva de pedra que vocês vivem, nós somos regidos pelos costumes seculares de nossos ancestrais. As leis que regem vocês não regem o povo da minha aldeia. Na minha tribo, a gente decide o que é melhor para cada membro baseado nas nossas tradições, advogamos em causa própria, em nossos interesses pessoais. Quando a população tenta nos colocar em pé de igualdade com os demais cidadãos, sempre encontramos uma forma de nos livrar das responsabilidades. Quando cometemos irregularidades, somos julgados dentro da própria tribo, e a penalidade materializa-se no máximo em uma advertência do cacique. Nós somos intocáveis e inimputáveis!

(Continua na edição de amanhã).

O mundo em vários clicks

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Um projeto de inclusão digital tem dado o que falar na Escola Jovem Dite Freitas, em Tubarão. O curso começou na aula de física, da professora Edna Soares. As aulas sobre óptica e estudo da luz logo se transformaram em aulas de cliques, muitos cliques.

O mais interessante é que os próprios alunos constroem as suas máquinas. A primeira a ser reproduzida foi a câmara escura. O equipamento foi a primeira grande descoberta para a fotografia desenvolver-se como a conhecemos hoje.

A próxima a ser confeccionada pelos estudantes será a pinhole, uma forma de máquina que não utiliza lentes. É apenas o primeiro passo do projeto. Depois, os estudantes ainda aprenderam um pouco sobre revelação de fotografias.

A última parte do projeto será uma maratona de fotografia. Serão 48 horas de atividades. Cada grupo terá seis horas para colocar em prática o que aprendeu durante do projeto. O tema proposto é ‘Um olhar para a cidade’.

Anote a evolução do projeto

O que já foi feito
♦ O primeiro passo foi a participação dos alunos em um aulão sobre fotografia digital.
♦ Depois, houve outro aulão, sobre a história da fotografia.
♦ Em seguida, os participantes colocaram os conhecimentos em prática. Foi a vez da construção da primeira máquina fotográfica da história: a câmara obscura.

O que vem por aí
♦ Agora, os estudantes preparam-se para confeccionar um outra câmara, a pinhole, um equipamento capaz de captar a imagem sem lentes.
♦ O quinto passo será uma oficina de revelação de fotografias em preto e branco.
♦ Depois, eles terão uma aula de como utilizar a máquina digital.
♦ Haverá também uma visita técnica em um local degradado e outro recuperado.
♦ Maratona de fotografia. Cada grupo terá seis horas para clicar algo dentro do tema proposto: ‘Um olhar para a cidade’.

Meio ambiente: A preservação é um dever de todos

Desastres naturais, biodiversidade e água são alguns dos assuntos discutidos pelos alunos do Colégio Dehon, em Tubarão, na Semana do Meio Ambiente.
Em parceria com acadêmicas do curso de ciências biológicas da Unisul, os estudantes realizaram várias ações. O objetivo foi inserir nos alunos o espírito de conscientização.

Para a professora de biologia do colégio, Samantha Pereira Miguel, despertar nos estudantes a importância de se preservar o meio ambiente foi a principal finalidade desta iniciativa. “Os jovens possuem uma facilidade maior de se comunicar, então, se eles estão conscientes, provavelmente, repassarão essas informações para pais e amigos”, define.

Participaram das atividades as primeiras séries do ensino médio, com maquetes, cartazes e experiências. Os trabalhos abordaram temas como desastres naturais, biodiversidade e água.

“Por meio de muita pesquisa, aprendemos como melhorar não só o espaço em que vivemos, mas todo o meio ambiente. É muito bom poder repassar esse aprendizado tão importante para a sociedade”, avalia a aluna Anabelly de Souza Medeiros.

“O índio era um ordinário”

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Zahyra Matta
Tubarão

Notisul – O que mais o fascina na história de Tubarão?
Amadio
– Nada em particular, mas o conjunto. A forma como a cidade iniciou foi totalmente diferente da maioria. Uma estrada de ferro era aberta para ligar o litoral ao planalto e uma cidade desenvolveu-se na beira de um rio e transforma-se em um centro de convergência de todas as vias. Quer mais interessante do que isso?

Notisul – Quem fundou Tubarão?
Amadio
– Capitão João da Costa Moreira.

Notisul – João Teixeira Nunes deve estar se revirando no túmulo. A história diz que foi ele. Não foi?
Amadio
– (risos) Pois é, deve estar (se revirando na cova). Com o tempo, esta parte da história vai ser modificada. Não tem cabimento João Teixeira Nunes ter fundado Tubarão porque tinha 6 anos quando o outro João, o da Costa Moreira, chegou aqui. As terras que ele, mais tarde, doou por afloramento à igreja, foram adquiridas em 1812, quando toda a margem do rio já estava ocupada. Na verdade, ele foi o quarto proprietário destas terras.

Notisul – Então por que ensinam errado?
Amadio
– Vai saber! Teixeira Nunes foi um cidadão benemérito. Ele doou terras onde hoje é a Catedral, para justamente criarem uma igreja. Nesta época, o centro de Tubarão era ali, na região do bairro São João-MD. Era o chamado Poço Grande do Rio Tubarão. Nesta época, a margem do rio era bem povoada. A doação por afloramento diz que qualquer cidade poderia usar a terra, desde que pagasse o laudênio para a igreja. Imagina se daria algo de graça né!? Mas não era só gente de bem que podia pagar. E esse ‘bem’ significa dim-dim e não o outro bem, de bondade. A pobretada ficava na margem do rio, em situação deplorável.

Notisul – Credo. Que ‘miserê’. Até os ricos eram pobres então!?
Amadio
– Uma verdade: olhando para trás, o rico da época era o miserável de hoje. Na verdade, todo mundo era miserável, alguns mais, outros menos. Se você olhar os inventários das pessoas mais abastadas do século 19, vai ver que eles praticamente viviam na miséria se comparar com hoje. Quem era miserável já nascia com o pé praticamente na cova. Quem tinha qualquer coisa, às vezes, chegava aos 40 anos.

Notisul – Nossa! Mas voltando à fundação. Daí João chegou…
Amadio
– Então, João da Costa Moreira chegou para receber as sesmarias (instituto jurídico português que normatizava a distribuição de terras) junto com o sargento-mor Jacinto Jaques. A carta de sesmaria exigia que o dono deveria, em dois anos, demarcar e beneficiar a terra. Caso contrário, perdia a posse. Foi o que fizeram. Na verdade, foi o que João da Costa Nunes fez, porque Jacinto nunca saiu de Florianópolis, onde morreu em mil oitocentos e pedrinhas. O filho dele era padre, morreu novo e não deixou herdeiros, ainda que na época era muito comum padre ter filho. Então, a mãe recebe a terra, como herdeira ascendente. Anos depois, Teixeira Nunes compra esta terra. Daí a confusão a respeito da fundação de Tubarão. Como os descendentes de Teixeira Nunes mandaram em Tubarão e doaram terras à poderosa igreja, ele foi aceito como fundador, mas não é. Levo pau até hoje por dizer isso, mas é a verdade.

Notisul – Leva pau?
Amadio
– Quando você muda algo tido como verdadeiro sempre gera polêmica. Mas, como não devo nada para ninguém e não tenho compromisso com esta sociedade vinda de United States Of Lageado (gargalhada – ele refere-se à serra), coloquei tudo em pratos limpos. A história é essa.

Notisul – O nome de Tubarão é por causa do índio ou por causa do rio?
Amadio
– Do rio. No começo, eu também achei que era e escrevi esta injustiça. Nem sempre a gente acerta. Mas um dia, curioso, saí em campo e fui pesquisar. E descobri que o nome é por causa do rio e não do índio. Mais uma (história) para me darem pau. Conforme os relatos da época, os jesuítas encontraram este dito cujo lá para as bandas de Arroio do Silva e o denominaram, por 13 vezes, com o nome de Tubarão. Literalmente Tubarão. Ele não era um cacique por delegação indígena, mas sim por delegação do branco. Ele era um negociante. Fazia suas guerrinhas, aprisionava os índios e os vendia para os brancos. Na visão europeia, ele era um serzinho ordinário. Em uma das citações, os jesuítas contam que chegaram, com suas roupas no melhor estilo urubu, e pediram que ele mudasse, parasse de aprisionar os indígenas. Pois o ordinário não gostou, puxou a mangueira e mijou no pé do padre (gargalhadas). Os jesuítas ficaram loucos, descreveram sua petulância e arrogância. Isso foi em 1605.

Notisul – Mas o rio tem o mesmo nome do índio.
Amadio
– Espera. Vou chegar lá. Em 1605, quando os jesuítas chegaram, todos os acidentes geográficos já tinham denominação. Porque foram dar um nome indígena a um rio? Imbituba, Itapirubá, Imaruí, tudo já tinha nome. Como que o hoje Rio Tubarão não tinha? Impossível, né? Tubanharô realmente vem do idioma indígena. Tuba significa pai. Nharô quer dizer feroz. Então: pai feroz. Mas essa denominação era dada ao rio pelos índios. Não era o nome do índio.

Notisul – Mas como o senhor concluiu isso?
Amadio
– Pela lógica. Em épocas normais, o rio tinha água potável, era navegável, tinha caça em suas margens – o que facilitava a vida do índio -, era calmo e tranquilo. Era um verdadeiro Tuba, um verdadeiro pai. Mas, quando vinha o vento leste, como ocorreu em 1974, ele ficava feroz, dava enchente. Então, os índios chamavam o rio de Tubanharô. Com isso, cheguei à seguinte conclusão: do índio era impossível. Primeiro, porque ele não estava aqui; segundo, porque os jesuítas, europeus não dariam um nome indígena para um rio que já tinha nome. Vão encher o meu saco por causa disso. Fazer o quê. Todos têm direito de errar na história, menos eu.

Notisul – Por quê?
Amadio
– Caem de pau em cima. Até porque já fui logrado na história.

Notisul – Como?
Amadio
– É o seguinte. Em Treze de Maio, onde nasci, vivia na roça, o que tinha eram um livretos de contos bíblicos. Lá estava escrito que o povo judeu começou o mundo, aquela mentalidade medieval, típica da igreja. Mas era o que eu conhecia, era o que tinha acesso, então, era a minha verdade. Bom, aos 13 anos me desmamei da família e fui para o seminário. Bom, então verifiquei que existia uma civilização inteira antes dos judeus. Fiquei indignado. Me senti logrado.

Parabéns, São Ludgero! Cidade comemora 48 anos

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Wagner da Silva
São Ludgero

Durante toda a semana vários ocorrem em São Ludgero. O motivo: a celebração dos 48 anos de emancipação político-administrativa da cidade. Neste sábado, data do aniversário, uma grande festa é preparada no salão paroquial. Uma cuca gigante será servida aos moradores, às 16 horas.

Até o domingo, outras atrações estão programadas. Uma delas é o rodeio no CTG Beira Rio, a festa de 25 anos do Educandário Municipal Menino Deus e o Campeonato Municipal de Futebol de Campo.

São Ludgero começou a ser colonizado em 1870 por famílias de origem alemã, vindas da Westphalia. A emancipação, porém, ocorreu somente em 1962.

Hoje, o município é referência em saneamento básico no estado e também destaque na indústria de embalagens. Paralelamente, o município é tido como exemplo da área esportiva. Tanto que é apelidado, em Santa Catarina, de capital dos esportes.

Os maiores investimentos são no futebol, no futsal e no voleibol feminino. Atualmente, a bocha também está entre os esportes que mais trazem glórias. Atletas como Rafael Borges e Ingrid Fuchter Schulz, hoje ícones nacionais, são de São Ludgero.