Silvana Lucas
Tubarão
Uma profissão que muitas vezes passa despercebida pela população mas, se não for executada, transforma as cidades em um verdadeiro amontoado de lixo: os garis. São trabalhadores que nem sempre recebem, por parte de outros profissionais, um bom dia, boa tarde e um como vai. Dentro dos centros urbanos, é uma função essencial à qualidade de vida das pessoas.
Para realizar as atividades, acordar cedo faz parte da rotina destes trabalhadores, que têm pelo caminho cães soltos, papéis, plásticos, enfim, a sujeira deixada nas ruas.
“Não é um trabalho ruim. Aqui em Tubarão, considero tranquilo. Falta mesmo é conscientização da população”, conta o gari Nascimento Miguel Machado, de 65 anos, que trabalha há quase um ano neste ofício e pretende ficar até conseguir sua aposentadoria.
Para a margarida Rita de Cássia Machado, de 55 anos, que atua na limpeza somente há cinco meses, exercer esta profissão é um prazer. “Antes, eu tinha que catar muito papel e andar bastante na rua para poder chegar à metade do que ganho atualmente com meu salário de R$ 900 reais e mais cesta básica".
“Vim do interior da Bahia para trabalhar na Cidade Azul”, ressalta a servidora de 20 anos, Edilene da Silva Carvalho, ao contar que um primo veio morar em Tubarão e disse que era melhor do que no nordeste.
“Cheguei há dois meses e este foi o único trabalho que encontrei. Hoje já estou acostumada e somente sairei se for para outro ofício muito melhor”, afirma a baiana, que não pretende sair da Cidade Azul.
Lixos
Os profissionais da limpeza destacam que a maioria das sujeiras encontradas nas vias da região se resume a garrafas, plásticos e, principalmente, papéis. “Muda um pouco os lixos encontrados, conforme o local em que somos encaminhados no dia para varrer. Próximo das margens do rio, é comum encontrar embalagens de comida. O pessoal compra os alimentos nas rotisserias e depois joga as vasilhas na rua”, relata o gari Nascimento Miguel Machado.
O gari e a margarida
O nome 'gari' nasceu em homenagem ao empresário Aleixo Gary que, em outubro de 1876, no Rio de Janeiro, assinou o primeiro contrato com o governo imperial para realizar o serviço de limpeza da cidade. Já a 'margarida' ocorreu em função da administração de São Paulo precisar na década de 1970 de mais mão-de-obra para o serviço público e contratou mulheres para a função de limpeza. A palavra margarida é formada, neste caso, por conter 'gari' e também por ser uma flor.
