D esde a descoberta do DNA, na década de 1950 e, agora mais recentemente, a decifração do genoma, a medicina vem avançando celeremente na terapêutica de doenças terminais como a leucemia e o câncer.
Substituindo a síntese química de remédios por biomedicamentos, obtidos pela pesquisa de moléculas ou produtos biologicamente derivados, como proteínas, anticorpos, vacinas, células tronco, a ciência médica tem dado passos na identificação de células doentes e no combate à sua proliferação.
A boa notícia mais recente foi a descoberta de um método que transforma células cancerosas em inofensivos glóbulos brancos. Segundo o jornal madrilenho EL País, um grupo de pesquisadores da universidade norte-americana de Stanford, sob o comando do doutor Ravi Majeti, conseguiu esse grande avanço.
Como muitas vezes tem acontecido na pesquisa científica, a nova e extraordinária descoberta ocorreu quase por acaso. A equipe liderada pelo doutor Ravi lançou nutrientes sobre as células cancerosas extraídas de um doente com leucemia. O objetivo era mantê-las vivas para estudá-las mais profunda e demoradamente.
Scott McClellan, um jovem estudante, estagiário da equipe, foi quem primeiro percebeu que, misturadas àqueles nutrientes, as células daninhas se transformavam em inofensivos macrófagos, ou seja, células de defesa capazes de engolir e fazer desaparecer micróbios nocivos.
Conforme a reportagem do espanhol El País, “no mundo visível, o equivalente (a essa descoberta) seria transformar subitamente os bárbaros assassinos do estado islâmico em trabalhadores da saúde da ONG Médicos Sem Fronteiras. No mundo invisível a olho nu, o que aquele grupo de pesquisadores da universidade de Stanford fez foi transformar células de um câncer do sangue em inofensivos glóbulos brancos, que são as defesas do nosso organismo”.
O que os cientistas liderados pelo doutor Ravi Majeti confirmaram é uma perspectiva para a cura do câncer, esse flagelo que vem ceifando milhares e milhares de vidas, e deixando impotentes todos os que trabalham na terapêutica dessa terrível doença.
A descoberta dos cientistas de Stanford coroa o trabalho incessante de um outro cientista, o doutor Thomas Graf, que há décadas vem defendendo essa tese, seja trabalhando na Escola de Medicina Albert Einstein, em New York, seja no Centro de Regulação Genômica de Barcelona.
Buscando o mesmo resultado, o doutor Graf estuda células cancerosas extraídas há 60 anos da paciente Henriqueta Laks, falecida aos 31 anos de câncer do útero, em Maryland, nos Estados Unidos. Segundo ele, “o ideal, agora, seria encontrar uma substância que acelere a transformação das células cancerígenas em glóbulos brancos”. No momento em que se der mais esse passo, já não teremos somente uma luz no fim desse infinito túnel, mas a certeza para a cura total e absoluta de milhares de pessoas, em todo o mundo.
Os pesquisadores do laboratório da universidade de Stanford nos dão, sem dúvida, uma extraordinária notícia, no meio de tantas tragédias, tanta corrupção, tanta violência, tanta insanidade!

