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A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal ao bloco. A decisão foi anunciada na terça-feira (12) e passa a valer em 3 de setembro de 2026, por exigências ligadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
Brasil fica fora de lista sanitária da União Europeia
Com a decisão, o Brasil passa a ser impedido de vender ao mercado europeu produtos como carne bovina, aves, ovos, pescados, mel, equinos e outros itens de origem animal.
Segundo a Comissão Europeia, os países autorizados precisam comprovar conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.
A UE proíbe o uso desses produtos para promover crescimento ou aumentar rendimento na produção animal. Também restringe o uso veterinário de medicamentos reservados para infecções humanas.
A porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, afirmou à agência Lusa que as exportações poderão ser retomadas caso o Brasil demonstre conformidade com os requisitos europeus.
Impacto pode chegar a quase US$ 2 bilhões por ano
Dados do Ministério da Agricultura citados no material apontam que o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes para a União Europeia em 2025. O volume somou 368,1 mil toneladas.
A carne bovina foi o principal item enviado ao bloco, com US$ 1,04 bilhão. A carne de frango somou US$ 762,9 milhões no mesmo período.
Também há impacto sobre outros produtos. Em 2025, o Brasil vendeu à UE US$ 6 milhões em mel, US$ 1,3 milhão em cavalos vivos e US$ 1,2 milhão em peixes.
Governo brasileiro tenta reverter medida
Em nota, o governo brasileiro disse ter recebido a decisão com surpresa. Também informou que adotará medidas para tentar reverter a exclusão da lista.
Os ministérios da Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram que o Brasil possui “sistema sanitário robusto” e reconhecimento internacional na produção de proteínas de origem animal.
A Reuters informou que o governo brasileiro busca esclarecimentos junto à União Europeia para tentar manter o fluxo comercial antes da entrada em vigor da medida.
Produtores europeus comemoram decisão
A decisão foi comemorada por entidades do setor agropecuário europeu. A Irish Farmers’ Association, da Irlanda, classificou a medida como “um primeiro passo importante”.
A entidade tem criticado o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul e cobra maior rigor sobre regras sanitárias aplicadas aos produtos importados.
Segundo o presidente da associação, Francie Gorman, a Comissão Europeia deve tratar com seriedade os riscos ligados ao uso de antibióticos na pecuária.
Países do Mercosul seguem autorizados
Argentina, Paraguai e Uruguai continuam na lista de países autorizados, conforme as informações divulgadas pela agência Lusa.
A lista revisada inclui 21 novos países. Outros cinco foram autorizados a exportar mercadorias adicionais para o bloco europeu.
Santa Catarina será fortemente impactado
No contexto dessas restrições, Santa Catarina assume uma posição de vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, de protagonismo, devido ao seu status sanitário diferenciado. Como o estado é o único do país reconhecido internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação e livre de peste suína clássica, suas exportações de carne suína e de frango possuem um valor agregado superior e acessam nichos europeus que outras regiões não alcançam. Uma suspensão por parte da União Europeia impacta severamente a economia catarinense, que é altamente dependente da agroindústria, forçando as cooperativas locais a redirecionar volumes massivos de proteína para o mercado interno ou para a Ásia. Isso exige que o estado reforce ainda mais seus rigorosos protocolos de biosseguridade e sustentabilidade para proteger seu selo de qualidade e evitar que a crise de imagem do produto brasileiro contamine a “vitrine” diferenciada que Santa Catarina representa no exterior.
Serviço
Quando a decisão passa a valer: 3 de setembro de 2026
Produtos afetados: carnes, aves, ovos, aquicultura, mel, equinos e outros produtos de origem animal
Motivo alegado pela UE: falta de garantias sobre regras de uso de antimicrobianos
Situação do Brasil: governo tenta reverter a decisão antes do início da restrição

