Tubarão
Os gastos de viagens internacionais feitas por oito deputados estaduais e dois servidores, que teriam custado aos cofres públicos mais de R$ 300 mil entre 2014 e 2015, são investigados pelo Ministério Público de Contas de Santa Catarina. O deputado José Nei Ascari (PSD) e o ex-deputado Joares Ponticelli (PP) estão entre os envolvidos.
A apuração começou há nove meses. Entre os questionamentos estão os gastos excessivos e a falta de interesse público das viagens. A procuradora Cibelly Caleffi apontou irregularidades em procedimentos de cinco viagens, entre novembro do ano passado e maio desse ano. "Não conseguimos identificar uma correlação entre a atividade e o objetivo das viagens, tão pouco uma finalidade pública", atestou Cibelly.
Em maio, a Assembleia Legislativa autorizou o embarque do deputado José Nei Ascari, com a comitiva que foi a Paris, na França. Eles foram receber um certificado de zona livre de peste suína clássica para Santa Catarina. A viagem de Ascari durou oito dias e custou mais de R$ 40 mil. "Na condição de presidente da frente parlamentar da suinocultura e atendendo convite do governo do estado, fui autorizado pela mesa da assembleia a representar o parlamento catarinense no evento mundial realizado na França, que culminou com a entrega do certificado, um marco para o produtivo agronegócio catarinense", esclarece Ascari. Para a procuradora Cibelly, a questão é que o motivo da viagem não tem identificação com a atividade do parlamentar.
A mais cara
A viagem mais cara ocorreu no fim do ano passado. Os ex-deputados Joares Ponticelli e Nilson Gonçalves (PSDB) foram com dois servidores para uma mostra de sorvetes artesanais, na Itália. O custo da viagem de dez dias, com passagens e diárias, chegou a quase R$ 120 mil.
O Ministério Público de Contas concluiu que não houve um resultado efetivo dessa viagem, diz a procuradora. "Houve sim um protocolo de intenções firmado entre aquela região na Itália e uma universidade do sul do estado", afirma.
Ponticelli afirma que até esta sexta-feira não recebeu nada referente a este assunto. "A procuradora fez uma representação. Não sei os questionamentos, nem a acusação. Mas, acredito que quem julga é o Tribunal de Contas. Estou com a consciência limpa, tranquilo, viajamos dentro da legibilidade da assembleia", esclarece.

