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Você é 100% honesto?

Priscila Loch
Tubarão

 
Pense rápido! Qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando ouve ou lê a palavra corrupção? É certeza que a maioria vai responder mensalão, política, políticos, eleição, Brasil, Brasília… Elas realmente têm relação, e uma relação bem forte, por sinal. Mas e você, faz a sua parte para mudar este panorama?
 
Quando se fala em cada um fazer a sua parte, não significa apenas escolher candidatos honestos ou não vender o voto. Estas são atitudes imprescindíveis, é claro. Porém, pequenas ações do cotidiano também pesam bastante na hora de dizer que moramos, sim, em um país corrupto. E que temos, sim, ‘culpa no cartório’!
 
Consulte a sua consciência e responda com sinceridade. Já furou fila? Já recebeu troco a mais e não devolveu? Ofereceu suborno? Falsificou a assinatura do pai ou da mãe na prova ou no boletim? “Lembram quando a mãe dizia: filho, se ficar quietinho vai ganhar um presente… Qual é o nome disto?”, exemplifica o jornalista Luiz Antônio Cechinel, funcionário da câmara de vereadores de Tubarão, ao responder enquete feita nesta sexta-feira no Facebook.
 
É preciso mudar a cultura do jeitinho, alerta o diretor do Colégio Dehon, José Antonio Matiolla, professor de sociologia. “O individualismo nos conduz a pensar primeiro e unicamente em nós mesmos. Um espírito altruísta nos permitiria perceber que os outros têm necessidades iguais ou maiores do que as nossas. Assim, mudando a mentalidade, viveríamos em uma sociedade que respeita e promove a todos. Não adianta criticar os políticos do mensalão e colar nas provas e exames ou conseguir emprego com apadrinhamento político”, ensina Matiolla.
 
Não é exclusividade dos políticos
“O pior de tudo é saber que grande parte das pessoas que cometem atos desonestos reclama da corrupção existente no Brasil”. O lamento de Jonathan Magnum Prim, formado em história e pós-graduado em sociologia, só reforça o que a própria sociedade já sabe: é muito difícil encontrar alguém 100% honesto.
Infelizmente, corrupção é uma palavra encontrada quase que diariamente nos meios de comunicação brasileiros. O julgamento do mensalão é uma prova disso. Mas fica mais na esfera política mesmo. A não ser quando algum cidadão encontra algo valioso ou uma grande quantidade de dinheiro e devolve. Daí a história se inverte e o que ganha destaque é o ato de honestidade.
“A corrupção não é um ato exclusivo dos políticos. O ato de se corromper está diretamente associados aos fatos em nosso dia a dia. É comum nos depararmos com pessoas que ignoram gestantes, pessoas com necessidades e idosos em filas de supermercados, bancos e estacionamentos, mesmo com vagas e lugares preferenciais, por exemplo”, cita Jonathan.
 
Ficha Limpa
A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008, pela sociedade civil brasileira, com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um projeto de lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar – critérios de inelegibilidades. O objetivo era alterar a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, chamado de Lei das Inelegibilidades. 
A iniciativa popular é um instrumento previsto na Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao congresso, desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil. O projeto circulou por todo o país, e foram coletadas cerca de 1,3 milhão de assinaturas em seu favor. 
Quase dois anos depois de entrar em vigor, a Lei da Ficha Limpa foi declarada constitucional pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de fevereiro de 2012. E o texto integral da norma começou a valer nas últimas eleições.
 
Eleitor tem que dar o exemplo!
Este ano, muito se falou da Lei da Ficha Limpa, que foi aprovada graças à mobilização de milhões de brasileiros e tornou-se um marco fundamental para a democracia e a luta contra a corrupção e a impunidade no país. Mas muitos eleitores continuam a pedir benefícios em troca de voto. 
Antes do pleito de outubro, muitos eleitores da região ganharam combustível, caminhão de aterro, festas movidas a carne e cerveja, e dinheiro. “Quem faz isso é mais corrupto do que aquele que oferece”, avalia Jonathan Magnum Prim, pós-graduado em sociologia.
No trânsito também se vê muitas situações deste tipo. Principalmente nos longos congestionamentos que se formam com frequência na BR-101. Não é raro ver motorista ignorar a fila e ultrapassar pela direita com o lema de que “os outros que se explodam”. 
 
Observatório Social está de olho
Este ano, foi instalada em Tubarão uma unidade do Observatório Social. A organização tem como principal objetivo fiscalizar as licitações e fazer com que a população se interesse mais pelos recursos públicos.
O acompanhamento começa no lançamento do projeto e segue até a entrega da obra ou de materiais. Caso haja alguma irregularidade no processo, os voluntários do Observatório notificam as autoridades competentes, como o prefeito e o Ministério Público.
O Observatório Social existe desde 2006 e está presente em mais de 60 municípios, em 15 estados brasileiros. Em Santa Catarina, há outras quatro unidades instaladas, em Blumenau, Florianópolis, Brusque e Itajaí. A sede fica em Curitiva (PR).
Acesse: www.observatoriosocialdobrasil.org.br.
 
Dia 9 de dezembro
O Dia Internacional contra a Corrupção, celebrado no dia 9 de dezembro, este domingo, é uma referência à assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, ocorrida na cidade mexicana de Mérida. Por sugestão da Transparência Internacional, a proposta de definição da data foi apresentada pela delegação brasileira. Em 9 de dezembro de 2003, mais de 110 países assinaram a Convenção, entre eles o Brasil. O congresso nacional aprovou o texto em maio de 2005. No dia 31 de janeiro de 2006, a convenção foi promulgada, passando a vigorar no Brasil com força de lei.
 
 
 
 
 
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