quinta-feira, 26 fevereiro , 2026

WhatsApp – use, mas não abuse!

Que o mundo está cada vez mais dinâmico e veloz ninguém mais tem dúvidas, ou melhor, não “sobra mais tempo” para ter este tipo de questionamento. Toda a informação gerada pela humanidade tem dobrado de volume em menos de um ano, e estima-se que por volta de 2020 serão necessários menos de 12 horas para tal.

E você, está conseguindo acompanhar tudo isso? Deixem-me adivinhar? Hummm… certamente não, e isso pode estar lhe causando uma grande ansiedade e aquela sensação de que deixou “algo por fazer, por estudar, por aprender, aquele seriado para assistir, aquele livro para ler, aquela mensagem por responder, e ainda muitas outras coisas que deveriam ter isso vistas e não foram”.

Mas espera um momento. Vamos distinguiu um ponto muito importante, nem todo este “conhecimento” gerado é “conhecimento”. Como assim? Isso mesmo, muito do que está sendo produzido e arquivado nos servidores espalhados ao redor do mundo é mera informação, como essas que lemos ou assistimos diariamente nos telejornais, entretenimento, além de dados sobre o perfil de navegação e de consumo de todos nós e é claro, das milhões de mensagens trocadas diariamente por meio dos mensageiros instantâneos. Segundo o Fórum Econômico Mundial, estima-se que sejam trocadas mais de 41 milhões de mensagens por minuto, só considerando o WhatsApp e o Facebook Messenger.

Este comportamento é o responsável por gerar uma ansiedade muito grande na maioria das pessoas, de tal modo que a maioria dos usuários acaba interagindo dezenas de vezes por dia com seu telefone, alguns até centenas, e os mais “viciados” até milhares de vezes. Afinal, está tudo ali, basta olhar para o aparelho que lá está o alerta de mais uma notificação de notícia, das interações nas mídias sociais, ou dos mensageiros instantâneos que utilizamos.

Já no grupo de aplicativos que facilitam nossa comunicação de forma geral, os mesmos podem ser classificados como excelentes por facilitar muito a vida de todos, em especial para aqueles que precisam de uma resposta imediata no seu ambiente de trabalho ou familiar.
Porém, nem tudo são flores, e o que existe para nos ajudar muitas vezes torna-se um vilão para a saúde mental das pessoas, pois como já citamos, acaba sendo o responsável por gerar muita ansiedade.

E é neste ponto que proponho um uso consciente dos mensageiros. Vamos ver alguns exemplos? Será que você também não está sendo um gerador de ansiedade em seus pares?
Um caso típico no uso dos mensageiros instantâneos, como o WhatsApp, Skype, Hangout, Telegram, entre outros, é quando um interlocutor envia um e-mail, por exemplo, mas ao mesmo tempo envia uma mensagem avisando do e-mail, e uma segunda com o conteúdo do mesmo. Alguns mais ansiosos, em poucos minutos, irão também enviar uma terceira mensagem cobrando a resposta.

Estes mensageiros também oferecem a possibilidade de criar grupos específicos, agregando comunidades de interesses similares, de participantes de um mesmo projeto / setor ou empresa, e os mais comuns, grupos familiares e de amigos. Nas comunidades informais, vale a regra estipulada pelos participantes, agora, nos grupos de trabalho o “bom senso” deveria ser o imperativo, pois não raro alguém exagera postando inúmeras “selfies” com a intensão de mostrar o desenvolvimento de seu trabalho, e outros tantos por sua vez interagem com estes por meio dos emojis (as carinhas, o joinha, as palminhas, e centenas de outras formas). Ah, eu já ia esquecendo, tem aquelas pessoas que passam todos os dias em todos os grupos para dar “bom dia!” e compartilhar correntes de “orações” ou coisas do tipo.

Comportamentos como este são prejudiciais para todo o grupo, pois em questões de minutos você acaba se deparando com centenas de notificações de mensagens não lidas naquele grupo importante do trabalho, e a ansiedade automaticamente aumenta para saber o que de tão importante está sendo dito. Porém, ao abri-lo verá que não era nada além de “algumas fotos” e muitas interações.

Se sou contra interagir nos grupos do WhatsApp? Não, não sou contra, apenas acredito que deveria haver um mínimo de “bom senso”. Quais as consequências deste uso inadequado? Eu apontaria pelo menos duas:

1. Pessoas cada vez mais ansiosas e viciadas no smartphone, não largando ele nem mesmo para ir ao banheiro;

2. Pessoas que passarão cada vez mais a sair de grupos, silenciá-los, ou simplesmente ignorar as notificações e mensagens por não acreditar mais que há alguma informação útil no meio de tantas “interações”. (Eu estou neste grupo de usuários, e muitas vezes deixo de abrir mensagens importantes por não dar mais crédito às dezenas de notificações que por vezes se acumulam na tela do celular).

Então, considerando as facilidades criadas pelos mensageiros instantâneos, os utilize sempre que necessário de forma racional e interaja com sabedoria, em especial nos grupos de trabalho.
E atenção, se abusar, poderá ser “Bloqueado”!

Leia outros textos desta coluna em http://bit.ly/fernandopitt.

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