A necessidade do projeto de redragagem do Rio Tubarão virar realidade é evidente. Quem vivenciou a tragédia de 1974 tem ainda mais este anseio. Mas a sua complexidade é motivo de debates. A perspectiva do diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente, Guilherme Bressan, é positiva, mesmo em meio aos contratempos.
“Isso é mais uma discussão política do que propriamente financeira, estruturante e de engenharia. O que ocorreu? Se desejava destinar o recurso com um projeto mal feito e sem estudo ambiental. Agora está adequado, pronto. Então, para que seja executado, dependemos da busca de recursos”, avalia.
O vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Francisco Beltrame, aponta que a redragagem pode não ser suficiente e os estudos devem ser ampliados. “Nós, do comitê, na época, propomos isso para identificar outras eventuais obras, como o projeto de algumas barragens em pontos estratégicos para minimizar a chegada das águas, canais extravasores. Pela magnitude do que se pretende, seriam alternativas em conjunto, talvez mais prioritárias do que a redragagem. Não que não seja importante, mas sempre defendemos estudos mais aprofundados para uma solução efetiva de combate a uma catástrofe daquela”, argumenta Beltrame ao alerta que, mesmo com a remoção do volume de areia previsto (são cerca de 6.831.455,075 metros cúbicos em um trecho de 29,7 quilômetros), é de grande importância existir uma conscientização constante sobre o rio.
“Quando as pessoas deixarem de dar as costas para o rio e enxergarem ele de frente, conseguiremos preservar, melhorar a qualidade das margens, fazer boas calçadas, plantar e retirar as árvores que colocam em risco, trabalho que estamos desenvolvendo. O estudo diz que é possível, é necessário. O plano de redragagem também cita muito isso”, complementa Guilherme.

"Fizemos cinco remadas, chegada do Papai Noel, procissão, e teremos mais uma, no próximo dia 4, a 'Remando pelo Rio'. É o apelo das pessoas que desejam partilhar o rio, mas ele ainda está poluído e pressionando os órgãos para agilizar os processos”.
Guilherme Bressan • diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente

"Quanto à vazão da água, os estudos mostram que o Rio Tubarão está projetado para suportar, no caso de uma cheia, dois mil metros cúbicos por segundo após a redragagem. Isto é o que suportariam as calhas aprofundadas do projeto que é implantado. Em 1974, foram três mil e 900 metros cúbicos".
Francisco Beltrame • vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar

