Karen Novochadlo
Tubarão
No primeiro dia de greve, os professores municipais de Tubarão reuniram-se com os vereadores. O objetivo foi buscar o apoio para aprovação de um plano de carreira condizente com as reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Educação da Rede Municipal de Tubarão (Sintermut).
Na reunião, ficou decidida a criação de uma comissão especial, composta por integrantes da câmara, para acompanhar o desenvolvimento do plano e as negociações salariais. Também foi sugerida, pelo vereador Deka May (PP), a realização de audiências públicas.
“Entendo que possa difícil para um estudante buscar novos objetivos, quando se espelhe em alguém, que não esteja bem-sucedido financeiramente. Mas é um problema difícil de ser resolvido de um dia para outro, apesar de ser urgente”, ressaltou o vereador Dionísio Bressan Lemos (PP).
Durante a reunião, a professora Gisele Margotti de Pieri Esmeraldino discursou sobre a questão salarial. A professora argumentou que possui duas especializações, além do curso superior em pedagogia, mas ganha R$ 1,7 mil mensais, com um salário base de cerca de R$ 400,00. Segundo ela, um soldador, apenas com o ensino médio, recebe R$ 1,6 mil. “Minha pós não vale nada”, desabafa.
A comissão será oficialmente montada amanhã, durante a sessão dos vereadores. Hoje de manhã, os professores realizam um apitaço pela rua do centro. Também visitarão escolas.
‘Falso Tebaldi’ rasga diplomas
Uma manifestação irreverente marcou o décimo quarto dia da greve dos professores estaduais. Um dos educadores caracterizou-se como secretário de educação do estado, Marco Tebaldi. O objetivo do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) foi mostrar, de forma irônica, que o estado desvalorizou a graduação dos servidores, ao achatar a tabela do plano de cargos e salários.
Para pagar o piso, o estado criou um projeto de lei, já levado para a assembleia legislativa. Mas os professores com ensino médio, graduação e pós-graduação ganharão o mesmo salário.
O ‘falso Tebaldi’ rasgou os diplomas de graduação dos professores, em uma manifestação em frente à secretaria de desenvolvimento regional (SDR) em Tubarão. Antes, os servidores haviam organizado uma manifestação em frente à Casa da Cidade, no Centro, onde penduraram os diplomas. Em Braço do Norte, os professores organizaram uma manifestação ontem.
Para hoje, estão marcadas manifestações em Capivari de Baixo e Gravatal. Em Tubarão, serão visitadas algumas escolas. Também haverá uma reunião em Florianópolis com a lideranças sindicais.
O governador Raimundo Colombo (DEM) se reunirá hoje com o ministro da educação, Fernando Haddad. O objetivo foi buscar mais informações com o governo federal sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal em relação ao pagamento do piso.
Município pagará o piso nacional
Entre as reivindicações dos professores municipais, está o plano de carreira e pagamento do piso nacional (R$ 1.187,00) como salário inicial. Segundo o secretário de educação da prefeitura, Felipe Felisbino, o município pagará o piso. Mas não tem condições de arcar com os 40% de regência, hoje, pago aos professores. O valor comprometeria o financeiro da administração. “Teremos que rever o plano de carreira. Com esse salário, não poderemos dar um aumento de 88% para o nível 5”, exemplificou o secretário.
Na próxima terça-feira, uma empresa de Brasília, indicada pelo Ministério da Educação (MEC), virá a Tubarão para ajudar a secretaria da educação a criar um plano de carreira para os professores. “Também somos professores. Não queremos prejudicar ninguém. Sabemos que os professores merecem ganhar mais”, ressalta. Nesta sexta-feira, haverá uma nova rodada de negociações entre a secretaria e os professores.

