Priscila Loch
Braço do Norte
Não é de hoje que os gestores municipais reclamam do aumento das despesas e da queda nas receitas. O problema agravou-se neste ano, junto com a crise que se instalou em todo o país.
Assim como a população, os prefeitos também sentem as consequências dos reajustes. Os combustíveis e a energia mais caros, por exemplo, refletem diretamente no funcionamento da máquina pública. Como efeito, os municípios estão no vermelho, alguns um pouco mais, outros um pouco menos.
Estas dificuldades levaram os prefeitos do Vale do Braço do Norte a reunirem a imprensa, nesta sexta-feira, para uma entrevista coletiva. O principal propósito foi detalhar a situação de cada município, levar a situação ao conhecimento da população.
“Quando fizemos o orçamento, tínhamos uma previsão de despesas x. Os aumentos são despesas que não estavam previstas, e pesaram bastante. O piso salarial dos professores também aumentou mais que o repasse do Fundeb”, explica o prefeito de Braço do Norte, Ademir Matos (PMDB).
“O FPM vem caindo de forma drástica. O ICMS não é diferente, porque nossas empresas não estão vendendo. Hoje, vendemos 50% menos. Tem empresa com queda de até 70%. Temos que encontrar saídas”, acrescenta o prefeito de São Ludgero, Volnei Weber (PMDB).
A situação é complicada. Mesmo assim, por enquanto, os gestores descartam a possibilidade de ocorrerem demissões. “Nosso município, não tenho vergonha de dizer, é o pior da região quando se fala em dívidas. Só de precatórios, pagamos recentemente R$ 600 mil”, relata o prefeito de Grão-Pará, Amilton Ascari, o Breca (PSD).
Distribuição de recursos é injusta, avaliam
O governo federal hoje fica com 60% dos recursos, os estados com 23% e os municípios com apenas 17%. Essa distribuição é injusta, avaliam os prefeitos, que batalham pelo pacto federativo. A Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) reivindica que o percentual da União seja reduzido para 45%, seja destinado 25% aos estados e 30% para os municípios.
“Vivemos um sistema político falido, podre. Se para o governo federal já está complicado, imagine para os municípios. O povo não suporta mais pagar impostos para bancar isso. Se não mudar esse sistema de governo, vamos ser eternos pedintes”, lamenta o prefeito de Rio Fortuna, Lourivaldo Schuelter, o Pita (PMDB).
“Nosso município tem poucos habitantes e baixa arrecadação. Temos que fazer um exercício muito grande para atender a população”, salienta a prefeita de Santa Rosa de Lima, Dilcei Heidemann (PMDB).
Entre as medidas de economia definidas, em Braço do Norte o orçamento será bloqueado em 20%. Em São Ludgero, o patrolamento de estradas aos fins de semana foi suspenso para evitar o pagamento de horas extras e economizar com combustíveis e manutenção da frota. “Na saúde, investimos 23%, embora a lei obrigue 15%. Talvez agora tenhamos que reduzir”, avisa o prefeito Volnei Weber.




