Começou a vigorar nesta sexta-feira (5) a medida do governo dos Estados Unidos que classifica facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A decisão, anunciada no fim de maio pela gestão de Donald Trump, tem gerado fortes reações do governo brasileiro e de especialistas, que alertam para possíveis impactos na economia nacional e riscos à soberania do país.
O Palácio do Planalto criticou publicamente a medida, defendendo que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional, respeitando a soberania de cada território. Especialistas avaliam que a classificação pode abrir precedentes para interferências externas e afetar setores estratégicos no Brasil, como o turismo, o comércio exterior, o sistema financeiro e a atração de investimentos estrangeiros.
A ação faz parte de uma estratégia mais ampla de Washington, que já aplicou designações semelhantes a cartéis e grupos do México, Venezuela, Equador e Colômbia, além de criar a coalizão “Escudo das Américas” em março deste ano.
Pressão comercial e tarifas
O cenário diplomático tornou-se ainda mais complexo com desdobramentos na área econômica. Recentemente, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou a aplicação de uma taxa de 25% sobre as importações brasileiras, alegando supostas práticas desleais. O relatório norte-americano chegou a criticar o sistema de pagamentos Pix, argumentando que a tecnologia afeta empresas de pagamentos baseadas nos EUA.
Além disso, a Casa Branca anunciou a intenção de impor tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 países, incluindo o Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) rebateu as justificativas americanas, classificando as ações como protecionismo unilateral. O governo brasileiro informou que avalia acionar os mecanismos da Lei de Reciprocidade, que permite a adoção de contrapartidas comerciais para proteger os produtos nacionais no mercado global.

