O objetivo deste Sétimo Seminário é aprofundar os esforços para que inundação como a de 1974 – que destruiu Tubarão, deixando 199 mortos e 65 mil desabrigados – não mais ocorra ou que seus efeitos sejam minimizados.
Graças às edições anteriores, o governo do estado financiou os projetos executivo (R$ 1,200 milhão) e o ambiental (R$ 1.135.000,00) – condição para alavancar, junto ao governo federal, os muitos milhões de reais para desassorear o rio, o que é insuficiente. É preciso também construir canais extravasores, barragens, fazer contenção das encostas, manter aberta a Barra do Camacho e elaborar um plano de contingência.
Outra enchente em Tubarão, com o forte adensamento populacional, principalmente às margens do rio, causará tragédia de proporções incalculáveis. Mas não mais será compreendida como fatalidade, mas como omissão, tantos são os alertas do próprio rio, as tecnologias que permitem prevenção e os milhões de reais – desperdiçados pela incompetência ou drenados para a corrupção – que poderiam financiar obras essenciais como as mencionadas.
Determina a lei municipal nº 3289/09 que todo o dia 24 de março (aniversário da tragédia de 1974) seja realizado o seminário, às 8h30min, na sede da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) e às 15 horas – momento em que o maior volume de águas invadiu a cidade -, durante um minuto, sejam emitidos sons compassados de sinos ou outros meios que recordem o evento. Todos são convidados a interromper suas atividades, também por um minuto, desde que não coloquem em risco atividades essenciais. As escolas, independente do grau de ensino que ministram e as igrejas, seja qual for o credo religioso, são convidadas a refletirem sobre a temática e a se engajarem nas atividades que preservam a memória e promovem prevenção ou reação eficiente a outros possíveis desastres naturais (inundações, vendavais e outras intempéries) a que estamos sujeitos devido à localização geográfica, mudanças climáticas e ações humanas sem planejamento ou ética.
Em função dos seminários alterou-se a rotina inútil de se dirigir para as margens do rio quando as águas sobem e tão logo baixam, voltar a agir como se nunca tivesse ocorrido enchentes em Tubarão ou como se nunca fosse ocorrer (já foram diversas, antes da de 1974). Articulou-se as entidades afins – sob a liderança da Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos, Conselho Municipal de Segurança, Defesa Civil, prefeitura e câmara de vereadores – para acompanharem os mencionados projetos.
A Unisul criou o Núcleo de Pesquisas Sobre Desastres Naturais (elaboração do mapa de risco geotécnico de Tubarão). A Defesa Civil conquistou status de secretaria, equipou-se melhor, realiza capacitação nas escolas e o monitoramento do rio.
Tubarão recebeu certificado das Nações Unidas para participar do programa “Cidades Resilientes” (que se recuperam de adversidades).
Com união muito se conquistou, porém precisa muito mais ou tudo pode ir por água abaixo. Inclusive as vidas, que não há como serem recuperadas.

