terça-feira, 30 junho , 2026

Giro por SC: Brasileiro diz que está proibido de ir a Venezuela por 10 anos e detalha prisão: ‘Mandaram ficar nu’

O brasileiro Jonatan Diniz, de 31 anos, que ficou 11 dias preso na Venezuela, publicou um depoimento em uma rede social nesta terça (9) detalhando como foi preso, como era a cela onde foi levado e o tratamento que teve no local. Ele afirma estar proibido de pisar naquele país pelos próximos 10 anos. Jonatan foi solto, expulso no sábado (6) e voltou para os Estados Unidos, onde mora.

O governo da Venezuela afirma que o brasileiro é membro de uma organização criminosa e presidia uma ONG de fachada. A família dele, que é de Balneário Camboriú, e Jonatan negam as acusações.

O rapaz disse que ficou preso em uma cela de 8 metros quadrados dividida com oito venezuelanos. “Me fizeram ficar nu não sei quantas vezes e com quantos celulares tiraram fotos minha, inclusive mandaram ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei”, detalhou.

Jonatan afirma que foi preso quando estava na praia, bebendo com amigos, e detido por um homem que não estava caracterizado como policial.

“Fui preso por um homem que falou que trabalhava para a polícia, mas estava à paisana. Me tirou da praia me ameaçando com a arma, tirou meus dois relógios que usava e os repassou como penhora na conta do bar já que não me deu a chance de pagar minha conta, meu óculos de sol roubaram nesse rolo todo. Ele fez diversas acusações falsas a meu respeito dizendo que eu era da CIA, que eu estava lá usando fotos de crianças da Venezuela para ganhar dinheiro a custa de outros”, disse.

O brasileiro ainda conta que foi levado para a polícia tática da Venezuela. Segundo ele, no local não tinha direito a banho de sol, dormiam em colchões no chão e triliche, não tinham chuveiro e dividiam o vaso sanitário que era na cela, “sem privacidade alguma”. Ele ainda diz que recebeu comida só em três dias.

“Os outros 8 presos que estão lá há quase 3 anos não recebem nenhuma comida, tendo que a família deles viajar todos os dias para levar algo para eles sobreviverem e foi da comida de meus colegas de cela que me alimentei”.

Jonatan diz ainda que não tinha nenhuma notícia sobre a família ou das tentativas do Brasil em libertá-lo. “Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto 1 como 1000 dias, que ninguém havia me procurado e que ninguém nem sequer sabia de minha prisão. Como eu estava preso e sem contato, simplesmente ouvi e deu”.

No entanto, ele destaca também que na cela havia regalias e foi bem tratado pelos presos. “Tínhamos televisão e muitos filmes para passar o tempo e meus companheiros de cela eram pessoas muito humanas e queridas”.

Esforço para soltá-lo

A prisão foi anunciada pelo militar e político venezuelano Diosdado Cabello, em seu programa de televisão no dia 27 de dezembro. A família e Jonatan dizem que ele foi para lá ajudar a população e fazer uma festa de Natal para as crianças venezuelanas.

Desde que foi preso, a família dele, que mora em Balneário Camboriú, e o Itamaraty diziam não ter informações sobre o brasileiro. O Itamaraty relatava, inclusive, dificuldades para obter do governo venezuelano informações sobre o paradeiro e a situação de Diniz.

A família afirmava até a manhã de segunda-feira (8) que ainda não tinha falado com ele, mas no fim da tarde daquele dia divulgou uma nota em que afirmava estar em contato com Jonatan desde sua saída do país vizinho.

“Estamos divulgando somente hoje [segunda], pois ele já chegou no seu destino e encontra-se seguro”, dizia a nota.

Brasileiro vive nos EUA

Jonatan é natural de Ijuí, no Rio Grande do Sul, e vive há pelo menos um ano em Los Angeles, nos Estados Unidos. Antes ele morava em Balneário Camboriú, onde vive sua família. Ele diz que não foi autorizado a voltar ao Brasil quando foi deportado.

“Mudaram meu vôo do Brasil para EUA porque alegaram que eu deveria voltar de onde eu vim e não de meu país de origem, não foi minha opção. Tomei meu vôo direção Miami e logo direção Los Angeles”, diz.

A prisão de Jonatan ocorreu poucos dias depois do início de uma crise diplomática entre os dois países, Venezuela e Brasil. Em dezembro, o governo brasileiro criticou o governo de Nicolás Maduro que, em resposta, expulsou o embaixador brasileiro em Caracas.

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