Braço do Norte
Santa Catarina venceu a etapa mais importante para abrir o mercado japonês à carne suína. Após a reunião da Comissão de Sanidade Animal (CSA) do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca (MAFF) do Japão, o estado foi aprovado na avaliação de risco.
Amanhã, os secretários de defesa agropecuária e relações internacionais do Ministério da Agricultura, Enio Marques e Célio Porto, respectivamente, apresentarão, em Tóquio, a primeira proposta de Certificado Sanitário Internacional (CSI) às autoridades japonesas.
A meta é concluir todo o processo até, no máximo, outubro. Abrir mercado para o país asiático é mais do que conquistar um novo espaço à produção catarinense, avalia o governador Raimundo Colombo. “O Japão paga um valor maior do que a média externa, além de ser um mercado seguro e equilibrado. Isso vai melhorar nossos negócios, valorizar a atividade e ajudar a superar a crise no setor”, completa.
O estado negocia a abertura de mercado para a carne suína no Japão desde 2007, quando conquistou o título de zona livre de febre aftosa sem vacinação. Atualmente, são exportadas 150 mil toneladas de carne suína produzida no oeste catarinense para Rússia e Coreia do Sul.
A expectativa é que o mercado japonês compre mais 130 mil toneladas por ano, em um primeiro momento. O país asiático é o principal consumidor de carne suína do mundo.
Importa, em média, 1,3 milhão de toneladas por ano. Em seguida vem a Rússia, com 800 mil toneladas. Hoje, cerca de 43% do que é produzido em Santa Catarina vai para a Rússia. O terceiro maior comprador é a Coreia do Sul.
O próximo passo à exportação
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora da Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, confirma que a decisão das autoridades japonesas equaciona a questão de saúde animal para o comércio de carne suína entre o Brasil e o Japão.
Falta, ainda, a negociação dos termos do Certificado Sanitário Internacional (CSI), a ser emitido pelas autoridades do Brasil. O documento garante que os requisitos de sanidade animal da carne suína atendem todas as exigências apresentadas pelas autoridades japonesas, durante o processo de aprovação.
Na sequência, as autoridades do Japão deverão aprovar uma lista de estabelecimentos de abate que atendem as exigências de saúde pública em relação a higiene e controles laboratoriais. A meta do estado começar a exportar ainda neste ano.
O mercado japonês
A Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs) acredita que o Brasil fornecerá aproximadamente 15% das importações do Japão no próximo ano. Em 2011, o país asiático importou cerca de 793 mil toneladas do produto, o equivalente a cerca de US$ 5,225 bilhões (mais de R$ 10,5 bilhões). Os principais fornecedores foram Estados Unidos e Canadá. Atualmente, o Brasil é o maior exportador de carne de aves in natura congelada para o Japão, com quase 90% de participação.
Falta de milho pode afetar a produção
Um documento com sugestões de medidas emergenciais para, até 31 de dezembro, para amenizar a falta de milho em Santa Catarina será apresentado hoje pelo secretário estadual da agricultura e da pesca, João Rodrigues, ao ministro da agricultura, pecuária e abastecimento, Mendes Ribeiro. A falta do grão já afeta a avicultura, a suinocultura e a bovinocultura de leite catarinense.
A três atividades são tradicionais na economia do estado e passam por uma crise sem precedentes na história, devido a dificuldades de acesso a insumos. O milho e o farelo de soja representam mais de 70% do custo dessas atividades. Em função da estiagem, o déficit anual do estado na produção de milho e soja pulou para mais de 2,7 milhões de toneladas.

