Eduardo Zabot
Tubarão
Para o bispo de Tubarão, Dom João Francisco Salm, o Natal não pode perder o verdadeiro sentido. Por isso é preciso refletir e seguir o projeto de Deus. “Aproveitamos o Natal para reconhecer o verdadeiro sentido do nascimento de Jesus. O advento é um convite para a oração, para a reflexão e para focar em Deus”, explica Dom João.
Hoje, avalia o bispo, o Natal tem um foco maior no comércio e as pessoas esquecem de rezar. “Não sou contra os presentes, mas o ritmo e o modo como as coisas seguem acaba por tirar a visão de Jesus Cristo da data”, declara.
Para o católico, o presépio montado em casa sem a presença do menino Jesus reflete a esperança de viver o nascimento do filho de Deus. “Temos que aprender a amar. Esse é o desafio do ser humano. Se as pessoas viverem com os ensinamentos de Deus, vamos ter dias melhores”, reflete Dom João.
Como no tempo de hoje Papai Noel tem mais espaço do que o nascimento de Cristo, Dom João acredita que a igreja tem que continuar no papel de evangelizar. “Temos que mostrar aos jovens que o valor de Cristo é maior do que um presente. O Natal é o nascimento do filho de Deus, Jesus”, enfatiza.
“É preciso viver o Natal com a humildade de Nossa Senhora”, diz o papa Bento 16
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Em um dos pronunciamentos antes do Natal, o papa Bento 16 apresentou aos fiéis uma reflexão sobre a fé de Maria a partir do grande mistério da anunciação. Bento 16 começou lembrando que o anjo convidou a virgem a se alegrar, chamando-a “cheia de graça”. Tal saudação anuncia o fim da tristeza que existe no mundo diante dos limites da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e das trevas que parecem obscurecer a luz da bondade divina. “É uma saudação que marca o início do evangelho”, destacou o pontífice.
O papa explicou que o mesmo ocorre no caminho de fé de cada um de nós: existem momentos de luz e passagens onde parece que Deus está ausente; seu silêncio pesa em nossos corações e sua vontade não corresponde à nossa. “A fé sólida de Maria foi possível graças à sua atitude constante de diálogo íntimo com a palavra de Deus, à sua humildade profunda e obediente, que aceitou tudo, até o que não compreendia da ação de Deus”, recordou o papa.
Bento 16 disse que a solenidade do Natal nos convida a viver esta mesma humildade e obediência de fé. “A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder do rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas habita no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino”, proferiu.
O papa leu breves resumos de sua catequese em várias línguas, inclusive em português. “Amados peregrinos de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos, com votos de um santo Natal de Jesus no coração e na família de cada um, pedindo a mesma humildade e obediência da fé de Maria e José, que vos faça ver, na força indefesa daquele menino, a vitória final sobre todos os arrogantes e rumorosos poderes do mundo. Bom Natal!”.
Cristãos evangélicos refletem sobre a doação e a entrega por amor
Para os evangélicos, a provável data do nascimento de Cristo não seria o dia 25 de dezembro. Mesmo assim a maioria dos cristãos evangélicos celebra, nesta data, o nascimento de Jesus em sua forma humana. Segundo o pastor Wilson Simerman, presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Tubarão (Conpet), apesar do apelo comercial e do espírito fraterno que caracteriza esta época do ano, os evangélicos creem que a essência do Natal não está nos presentes, no consumismo ou nas festas e confraternizações. “Precisamos reforçar, refletir sobre o reconhecimento de que Jesus, sendo Deus, escolheu vir ao mundo como humano, de uma forma simples e humilde, para salvar o homem de seus erros”, afirma. Assim como a maioria dos cristãos, as famílias evangélicas reúnem-se para confraternizar o Natal. Nos templos, cultos especiais são realizados na data. “Esta é a maior mensagem do Natal: a doação e a entrega por amor”, destaca o pastor Simerman.
Estudos históricos
Jesus nasceu durante o reinado de Herodes – o Grande, que os romanos haviam designado para governar a Judéia. Os calendários são contados a partir do ano em que se supõe ter nascido Jesus, mas as pessoas que fizeram essa contagem equivocaram-se com as datas: Herodes morreu no ano 4 antes de Cristo (a.C.), de modo que Jesus nasceu 3 anos antes do censo do povo judeu.
À época, Roma promovia censos para facilitar a respectiva cobrança dos impostos dos povos conquistados. Os Judeus sempre se opuseram a qualquer tentativa de contagem e, por essa razão, o censo judeu ocorreu um ano depois da contagem de outros povos vizinhos.
Desde o século 4, os cristãos festejam o Natal, ou nascimento de Cristo, no dia 25 de Dezembro. Esta foi uma adaptação das festas ao Deus Sol, realizada por povos pagãos e absorvida pelos romanos.
Família árabe que mora no Brasil segue a tradição dos brasileiros
Nas mesquitas da Palestina, as famílias têm um dia normal seguindo a tradição de cinco orações diárias. Ratep Abuali, que é mais conhecido em Tubarão como Paulo, o muçulmano não comemora o Natal. “Na Palestina as famílias fazem as cinco orações como se fosse um dia como outro qualquer”, confere o tubaronense de coração. Ratep chegou no Brasil em 1970, quando se instalou com a família em São Borja, no Rio Grande do Sul. Nove anos depois mudou-se para Tubarão, onde vive até hoje.
Segundo ele, a sua família reúne-se na véspera de Natal para seguir a tradição brasileira. “Existe muita miscigenação e como estamos aqui há 33 anos, seguimos a tradição do Brasil. Compramos presentes e reunimos familiares e amigos”, destaca.
Sobre Deus, Ratep é enfático. “Vou rezar e pedir que os conflitos acabem. Precisamos de mais união entre os povos. Não importa a raça. É preciso que todos se unam e convivam em paz, sem guerra”, afirma.
Ratep mostra a mesquita onde os palestinos se concentram para rezar
Turismo religioso
A cidade palestina de Belém espera atingir neste Natal um novo recorde de visitantes, apesar das dificuldades que seus moradores enfrentam para promover o turismo e a peregrinação no lugar onde, conforme a tradição cristã, Jesus Cristo nasceu. O muro de concreto que a separa de Jerusalém – a apenas oito quilômetros de distância – soma-se a expansão dos assentamentos israelenses.
Neste ano, o governo espera receber cerca de 2,5 milhões de pessoas. O número de pernoites em hotéis aumentou 12% neste ano, principalmente em Belém. Este crescimento representa uma conquista para os palestinos, já que a maioria dos turistas costuma dormir em Jerusalém e passar apenas algumas horas na cidade vizinha para visitar a Basílica da Natividade.
Exemplo divino de Jesus: maioridade espiritual da humanidade
Segundo o livro Antologia Mediúnica do Natal, psicografado por Chico Xavier, muitos séculos depois da exemplificação incompreendida de Jesus há quem o veja entre os essênios, aprendendo as doutrinas, antes do messianismo de amor e de redenção. O mestre, porém, não obstante da elevada cultura das escolas essênias, não necessitou de sua contribuição. Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta conheceu-lhe desde os tempos longínquos do princípio.
A crença espírita dita que o dono da festa é o mestre, quem deve receber os presentes e as homenagens é o aniversariante e não as pessoas. Do seu divino apostolado nada compete dizer em acréscimo das tradições que a cultura evangélica apresentou em todos os séculos posteriores à sua vinda à Terra, reafirmando, todavia, que a lição de fraternidade, amor e de humildade foi única em todos os tempos da humanidade.

