Por Luciane Bisognin Ceretta, secretária de Estado da Educação
A educação é o caminho mais sólido para transformar realidades, ampliar oportunidades e construir uma sociedade mais justa. No centro desse processo estão os professores profissionais que dedicam sua vida à formação de crianças e jovens e que carregam a responsabilidade de preparar as próximas gerações para os desafios do mundo contemporâneo. Valorizar o professor, portanto, não é apenas uma pauta corporativa. É uma decisão estratégica para o desenvolvimento de um estado.
Foi com essa compreensão que o Governador Jorginho Mello assumiu, desde o primeiro momento, o compromisso de enfrentar um dos principais desafios históricos da carreira do magistério: a chamada compactação da tabela salarial dos professores da rede estadual. Trata-se de uma distorção que se acumulava há quase duas décadas e que impactava diretamente a valorização da carreira docente, desestimulando a progressão profissional e reduzindo as diferenças salariais entre os níveis de formação.
A reivindicação da categoria é legítima e necessária. Afinal, uma carreira estruturada deve reconhecer o esforço de quem busca qualificação, de quem investe em especialização, mestrado e doutorado para levar mais conhecimento e qualidade para a sala de aula.
Agora, Santa Catarina dá mais um passo importante nessa direção.
O Governo Jorginho Mello apresentou uma nova proposta de descompactação da tabela salarial do magistério, com um investimento de cerca de R$ 330 milhões voltado exclusivamente para a valorização dos profissionais da Educação. A medida será encaminhada à Assembleia Legislativa nos próximos dias e representa a segunda fase de um processo que começou em novembro de 2024, quando foi iniciada a correção dessa distorção histórica.
Na primeira etapa, o foco esteve especialmente nos níveis mais altos da carreira, beneficiando professores com mestrado e doutorado. Agora, avançamos mais uma vez, ampliando o alcance da descompactação e valorizando especialmente os profissionais que possuem especialização, que hoje representam o total de professores da rede estadual, entre ativos e inativos 90 mil professores.
Esse movimento representa algo muito maior do que um ajuste técnico na tabela salarial. Ele simboliza um reconhecimento concreto ao esforço dos professores que continuam estudando, se qualificando e buscando novas formas de ensinar. É também uma mensagem objetiva de que Santa Catarina acredita no poder da educação e entende que valorizar o professor é um passo fundamental para melhorar a qualidade do ensino.
Quando assumiu o governo, o governador Jorginho Mello encontrou uma tabela salarial que permanecia praticamente achatada desde 2008. Havia, portanto, um passivo histórico a ser enfrentado. A decisão política foi: tratar a educação como prioridade e iniciar um processo consistente de reconstrução da carreira docente.
Os números demonstram esse compromisso. Em 2024, o governador Jorginho Mello realizou um aporte inicial de R$ 237 milhões para iniciar a descompactação da tabela. Em 2025, o investimento avançou para R$ 567 milhões. Agora, em 2026, com mais R$ 330 milhões, consolidamos um esforço financeiro que soma R$ 1,104 bilhão em apenas três anos destinado à valorização do magistério catarinense.
Um aspecto importante desse avanço é que o novo investimento será realizado exclusivamente com recursos próprios do Governo do Estado. Ou seja, ele vai além do compromisso já cumprido de aplicar integralmente os recursos do Fundeb na remuneração dos professores.
Esse esforço demonstra, de forma direta, que a educação está no centro das prioridades da gestão estadual.
Os impactos dessa política são concretos. Pela primeira vez em mais de uma década, um professor com doutorado, ao alcançar o final da carreira, poderá receber mais do que o dobro do piso inicial da categoria. Esse é um passo fundamental para restabelecer a lógica de progressão e reconhecimento dentro da carreira docente.
Mais do que números, estamos falando de valorização profissional, estímulo à qualificação e respeito à trajetória de quem escolheu a educação como missão de vida.
A descompactação da tabela salarial integra um conjunto ainda maior de iniciativas que compõem o movimento Educação Levada a Sério, um pacote amplo e inédito de valorização dos profissionais da rede estadual de ensino.
Ampliamos significativamente o incentivo à formação acadêmica dos professores. O Governo retirou o limite de 20 anos de carreira para a dispensa destinada à realização de mestrado e doutorado, além de triplicar a oferta de vagas para qualificação. Professores efetivos matriculados em programas reconhecidos pela CAPES e pelo MEC podem contar com dispensa parcial de carga horária, mantendo sua remuneração integral. Entre 2025 e 2026 já foram ofertadas 200 vagas para essa qualificação.
Outro avanço importante foi a criação da Escola de Formação de Professores e Gestores de Santa Catarina, um programa estruturado para apoiar a formação pedagógica em serviço. Desde janeiro de 2026, toda a rede estadual participa de processos formativos que utilizam metodologias inovadoras e tecnologias educacionais, fortalecendo o desenvolvimento profissional dos educadores.
Entre as ações já em andamento está o estímulo financeiro por presencialidade e formação, que prevê o pagamento de uma gratificação anual de R$ 3 mil para docentes ativos que alcançarem metas relacionadas à qualificação, dedicação em sala de aula e desempenho dos estudantes.
Também ampliamos a segurança profissional para os professores temporários, os acts, garantindo mais previsibilidade no planejamento de suas carreiras e possibilitando maior continuidade no trabalho desenvolvido nas escolas.
Realizamos ainda o maior concurso público da história da Secretaria de Estado da Educação, com mais de 10 mil vagas, e já anunciamos um novo certame para abril, também com cerca de 10 mil vagas, ampliando o quadro de profissionais efetivos da rede estadual de ensino.
Somam-se a essas ações o edital de remoção para professores efetivos, permitindo maior proximidade com suas cidades de residência, e a ampliação do número de assessores de direção nas escolas, uma medida que fortalece a gestão pedagógica e administrativa das unidades escolares.
A descompactação da tabela salarial do magistério também produz efeitos que vão além da valorização profissional, alcançando diretamente a economia catarinense. Com a medida, cerca de R$ 330 milhões por ano devem ser injetados na economia do Estado, o que representa aproximadamente R$ 27,5 milhões mensais circulando nas cidades onde vivem e trabalham os professores da rede pública. Trata-se de uma renda que retorna rapidamente ao comércio e aos serviços, movimentando supermercados, farmácias, transporte, educação e pequenos negócios locais. Em um estado como Santa Catarina, marcado por economias regionais dinâmicas e forte presença de micro e pequenas empresas, a ampliação da renda salarial tem efeito multiplicador, fortalecendo o consumo, estimulando a atividade econômica e gerando um ciclo virtuoso que beneficia não apenas os profissionais da educação, mas toda a sociedade.
Todas essas iniciativas têm um objetivo comum: fortalecer a carreira docente, melhorar as condições de trabalho nas escolas e garantir que nossos estudantes tenham acesso a uma educação cada vez mais qualificada. O que reflete diretamente na qualidade de vida dos catarinenses, na economia e no desenvolvimento do estado.
A descompactação da tabela salarial, portanto, não é uma ação isolada. Ela faz parte de um projeto maior de valorização da educação catarinense, construído com responsabilidade fiscal, diálogo com os profissionais da área e compromisso com o futuro.
Sabemos que a educação se constrói todos os dias, dentro das salas de aula, no trabalho dedicado de cada professor, em cada escola do nosso estado. Por isso, cada passo que damos na valorização desses profissionais representa também um avanço para toda a sociedade.
Reconhecer o esforço de quem ensina é reconhecer o valor da educação. E investir na educação é investir diretamente no desenvolvimento de Santa Catarina.
Seguiremos avançando com responsabilidade, planejamento e compromisso. Porque quando valorizamos nossos professores, fortalecemos as bases do futuro que queremos construir.

