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Quem explica primeiro influencia a repercussão

comunicação de crise Lúcia Helena Vieira ACI
FOTO Divulgação Notisul
FOTO Divulgação Notisul

Lúcia Helena Vieira*

Tempo de leitura: 4 minutos

Uma decisão que altera serviços, modifica regras ou afeta interesses pode provocar reações contrárias, mesmo quando necessária e bem fundamentada. Um problema identificado pela própria instituição também pode comprometer sua reputação. Nas duas situações, assumir a iniciativa de informar oferece melhores condições para conduzir a repercussão.

Quando uma instituição pública ou privada anuncia uma decisão potencialmente controversa, a explicação precisa acompanhar a notícia. Qual necessidade motivou a mudança? Quais alternativas foram consideradas? Quem será afetado? Quais serão os efeitos práticos? Apresentar essas informações desde o início permite que a sociedade avalie a medida conhecendo as razões que a sustentam.

Imagine a reorganização de um serviço público que muda locais ou horários de atendimento. Para a gestão, a medida pode representar uma melhoria. Para quem utiliza o serviço, pode significar dificuldades de deslocamento ou alterações na rotina. A comunicação precisa considerar essas consequências, explicar os critérios da decisão e orientar os usuários durante a transição.

A comunicação começa antes do anúncio

Esse trabalho começa antes do anúncio. Ouvir as áreas envolvidas, identificar os públicos afetados e antecipar dúvidas permite preparar uma divulgação consistente. Esse processo também pode revelar impactos que a própria gestão ainda precisa avaliar. A área de comunicação participa, assim, da construção das condições necessárias para implementar a decisão.

Quando se trata de um problema, a iniciativa ganha outro peso. Ao revelar o ocorrido antes de terceiros, a instituição pode apresentar os fatos, esclarecer os impactos e informar as providências adotadas. Se espera por uma denúncia ou um vazamento, começa sua resposta pressionada por uma história que já está sendo contada. Além do problema original, pode precisar enfrentar a suspeita de que pretendia ocultá-lo.

Essa divulgação antecipada é conhecida nos estudos de comunicação de crise como stealing thunder. Uma pesquisa publicada em 2024 na Human Communication Research, revista científica da Associação Internacional de Comunicação, examinou respostas de políticos a escândalos. Em um experimento com 905 eleitores americanos, revelar antecipadamente a informação desfavorável e pedir desculpas foram estratégias mais eficazes do que a evasão, a mudança de assunto ou o silêncio.

Explicar primeiro também exige coerência

Cada situação exige uma resposta adequada. Uma falha pode demandar reconhecimento de responsabilidade e reparação. Uma decisão controversa exige contexto, justificativas e atenção aos afetados. Em ambas, a credibilidade depende da consistência entre o que a instituição explica e o que efetivamente faz.

Sair na frente significa preparar a informação e assumir a responsabilidade por apresentá-la. A clareza sobre o que já se sabe, os pontos ainda em avaliação e os próximos passos ajuda a sustentar a comunicação ao longo da repercussão.

Quem explica primeiro assume o protagonismo. Pode antecipar dúvidas, esclarecer consequências e demonstrar que considerou os interesses envolvidos. Essa iniciativa fortalece a posição da instituição e dá à sociedade melhores condições para avaliar suas decisões e cobrar suas responsabilidades.

*Jornalista e consultora em Comunicação | Presidente da Associação Catarinense de Imprensa

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