Tubarão, município de predominante colonização açoriana, fundado na região povoada pelos índios Carijós, reconhecidos como um povo “cordial e hospitaleiro”, foi declarada cidade em novembro de 1890. Esse município leva o nome de um “líder” Carijó, soberbo e arrogante, que promovia guerra entre os carijós para escravizar e vender aos escravocratas brancos. Poderíamos defini-lo como um grande pelego, vendido aos interesses alheios a “sua gente”.
Depois de dizimar aos povos originais, os portugueses consolidam-se na região. Tubarão nasce sendo pensada como passo comercial entre Lages e Laguna, depois entre Rio Grande e o sudeste, mais recentemente como ligação entre Criciúma, Laguna e Imbituba. Parece que as elites locais nunca ousaram pensar um projeto mais ousado de desenvolvimento. Em alguns casos, os mesmos sobrenomes daqueles que comandaram a medíocre política local muitos anos atrás perpetuaram-se por décadas, com o mesmo “adjetivo” no governo municipal. Os partidos “tradicionais” alternavam-se no comando da prefeitura, mudando para deixar tudo igual.
Os partidos tradicionais hegemonicamente foram comandados pelos mais fiéis representantes da velha e histórica forma de fazer politica: mentindo, traindo os próprios correligionários, vendendo e comprando partidos e lideranças, usando a coaptação e a ameaça como armas fundamentais no “jogo político”. Sabem discursos prontos e até “saem” muito bem nos debates. Aprenderam a fazer discurso “bonito” e a “disputar” de eleições. Mais do mesmo. E ainda que alguns possam ter cara de jovem, representam o passado.
Quando Tubarão pôde firmar-se com um novo projeto de desenvolvimento, sendo uma região de importância estratégica nacional com a instalação da termoelétrica, a oligarquia política local e todas suas redes de influência optaram por apoiar o projeto neoliberal, de vender o Brasil, de deixar o desenvolvimento sendo dirigido pela paralítica “mão invisível do mercado”, apoiaram a privatização da estatal, que levou ao fim da ferrovia e de todo um projeto de desenvolvimento que implicava o ciclo carvão-ferrovia-eletricidade-porto. E para completar: apoiaram todas as ações policiais e judiciais contra os trabalhadores que lutavam por um projeto de cidade diferente.
Tudo o que tinha que ver com produção, trabalho, riqueza foi rejeitado. Preferiram o destino de cidade comercial, uma cidade de passagem. E o município com a maior extensão agrícola da região tem os piores resultados produtivos.
Parece que durante muito tempo parte do meu povo tubaronense viveu pensando que a única forma de fazer política era sendo pelego, fazendo o jogo dos que tinham as “cartas do jogo político” municipal. No entanto, parte da classe trabalhadora nunca aceitou esse jogo. Sempre insistiram na possibilidade histórica de fazer diferente. E foi necessário que o povo provasse oito anos de Lula e dois de Dilma para perceber que a mudança na política local era necessária.
No último dia 7 de outubro, consolidou-se uma virada histórica nesta cidade. Rompeu-se um ciclo de alternância conservadora, a direita local está politicamente esgotada, dividida, sem referências ou projetos para o município. A renovação da câmara de vereadores é outro sinal importante. Caberá aos novos atores locais da nossa jovem democracia representativa brasileira entender o momento e decidir mudar o rumo da cidade. Aproveitar a oportunidade histórica é um dever, governar com e para o povo é uma obrigação. Oxalá a participação popular seja a principal marca desse novo governo. Que os novos representantes eleitos lembrem daquilo que os velhos derrotados já aprenderam: não se pode enganar todo mundo o tempo inteiro.
Conterrâneos, juventude, trabalhadores e trabalhadoras, a hora é agora!

