domingo, 23 agosto , 2026
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Sul de SC se despede de Manoel Dias, político de Içara que chegou ao Ministério do Trabalho

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Catarata avança sem dor e pode afetar autonomia; alerta vale para moradores do Sul de SC

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Criciúma recebe congresso internacional sobre inovação em materiais e indústria

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Giassi Surf Tour chega à Praia da Vila em Imbituba

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Por que está faltando dinheiro no bolso dos brasileiros? Dívidas e despesas apertam orçamento

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FOTO José Cruz Agência Brasil Divulgação Notisul

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O desemprego caiu e a renda média avançou, mas milhões de brasileiros chegam ao segundo semestre de 2026 com a sensação de que o dinheiro termina antes do mês. O aparente paradoxo encontra explicação quando emprego e renda são analisados junto com endividamento, inadimplência, juros e peso das despesas essenciais.

O Brasil tem cerca de 70,7 milhões de consumidores inadimplentes, segundo dados da Serasa. Ao mesmo tempo, 82% das famílias possuem algum tipo de dívida, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento alcança 84,9%.

Os números ajudam a explicar por que uma melhora nos indicadores do mercado de trabalho não necessariamente se transforma, de imediato, em maior folga no orçamento doméstico.

O emprego melhora, mas o orçamento continua apertado

Os dados do mercado de trabalho apresentam um cenário que, isoladamente, seria favorável às famílias.

A taxa de desemprego está em 5,8%, equivalente a aproximadamente 6,3 milhões de pessoas desocupadas. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.732, conforme dados do IBGE, apesar de dados contestados por especialistas por conta do número de famílias recebendo auxílio emergencial e, por isso, não busca emprego formal.

Existe, porém, outra parte do mercado de trabalho que ajuda a compreender as dificuldades financeiras.

A taxa de subutilização da força de trabalho está em 13,8%. São aproximadamente 15,7 milhões de brasileiros subocupados ou com potencial de trabalho que não é plenamente aproveitado.

Isso significa que olhar apenas para o desemprego não revela toda a capacidade financeira das famílias.

Mesmo entre quem está trabalhando, parte da renda precisa cobrir compromissos assumidos anteriormente, além das despesas recorrentes com alimentação, moradia, energia, transporte e outros serviços.

A combinação reduz o dinheiro efetivamente disponível para consumo depois que as contas são pagas.

Oito em cada dez famílias têm dívidas

O endividamento é um dos indicadores mais claros da pressão sobre o orçamento.

Segundo a CNC, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, maior percentual da série histórica apresentada nos dados fornecidos. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, a proporção sobe para 84,9%.

Estar endividado, entretanto, não significa necessariamente estar inadimplente. Uma compra parcelada no cartão, um financiamento ou um empréstimo já entram na conta do endividamento mesmo quando as prestações estão em dia.

O problema se agrava quando a renda não é suficiente para cumprir esses compromissos.

A parcela de famílias com contas ou dívidas atrasadas está em 29,9%. Além disso, 12,3% afirmam não ter condições de pagar o que devem.

A Serasa contabiliza aproximadamente 70,7 milhões de consumidores inadimplentes. As mulheres representam 50,5% desse grupo e os homens, 49,5%.

Outro movimento destacado pelos dados é o crescimento da inadimplência entre pessoas com mais de 60 anos.

Cartão concentra as dívidas e crédito caro pesa no mês

O cartão de crédito aparece em 84,6% das famílias com dívidas, conforme os indicadores apresentados. Carnês de lojas, crédito pessoal e consignado também estão entre as modalidades utilizadas pelos consumidores.

O cartão ajuda a entender parte da sensação de falta de dinheiro.

Quando utilizado para parcelar compras ou complementar um orçamento insuficiente, parte da renda dos meses seguintes já começa comprometida. Se a fatura não é paga integralmente, a incidência de juros pode ampliar rapidamente a dívida.

Os juros elevados também aumentam o custo de outras modalidades de crédito.

O resultado é um ciclo difícil para quem já possui pouca margem financeira: despesas do mês são transferidas para o cartão, parcelas comprometem a renda futura e novas necessidades aparecem antes que as anteriores sejam quitadas.

Para famílias de menor renda, esse efeito tende a ser ainda mais significativo porque uma parcela maior do orçamento já é destinada às necessidades básicas.

Inflação de 4,44% não significa que tudo subiu igualmente

Outro componente importante para entender o bolso dos brasileiros é a inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,44% em 12 meses, conforme os dados apresentados. O indicador do IBGE acompanha uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos.

Isso não significa que cada família tenha enfrentado exatamente uma alta de 4,44% em seu custo de vida.

O IPCA é uma média ponderada de diferentes produtos e serviços. Alguns preços podem subir acima do índice enquanto outros registram estabilidade ou até redução.

Por isso, duas famílias podem perceber a inflação de formas bastante diferentes.

Por que a inflação parece maior no supermercado?

A diferença fica mais evidente quando se observa o orçamento das famílias de menor renda.

Quem utiliza a maior parte do salário para alimentação, gás, energia, transporte e outras necessidades essenciais fica mais exposto às oscilações desses preços.

Uma queda no preço de um bem durável, por exemplo, pode contribuir para reduzir o índice geral de inflação. Mas essa redução tem pouco efeito imediato para uma família que não pretende comprar aquele produto e precisa ir ao supermercado todas as semanas.

É nesse sentido que se fala em “inflação percebida” ou “inflação sentida”.

Não se trata de outro índice oficial de inflação. É a maneira como a composição particular dos gastos de cada família pode fazer a alta de preços ser percebida de forma diferente da média nacional.

O IBGE também calcula o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), direcionado às famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O indicador ajuda a observar a variação dos preços para uma parcela da população com orçamento mais concentrado em despesas de consumo.

Dívida antiga disputa espaço com a despesa nova

Os indicadores reunidos mostram que a situação financeira das famílias no segundo semestre de 2026 não pode ser explicada por um único número.

De um lado, a taxa de desemprego de 5,8% e o rendimento médio de R$ 3.732 indicam melhora no mercado de trabalho. Do outro, o recorde de 82% das famílias endividadas mostra que uma parcela relevante da renda já está comprometida antes mesmo de começar o mês.

Para quase três em cada dez famílias, a dificuldade já se transformou em atraso de contas.

Nesse cenário, receber renda não significa ter todo esse valor disponível. Antes do consumo discricionário, entram na conta despesas essenciais, parcelas, empréstimos, financiamentos e faturas acumuladas.

Quanto menor a renda, menor tende a ser a margem para absorver aumentos inesperados ou despesas extraordinárias.

Segundo semestre começa com desafio para consumo das famílias

A combinação de emprego, renda, endividamento e preços ajuda a explicar um cenário que pode parecer contraditório: o mercado de trabalho apresenta números positivos enquanto muitas famílias continuam relatando aperto financeiro.

O segundo semestre de 2026 começa, portanto, com uma questão central para o orçamento doméstico: quanto da renda permanece disponível depois do pagamento das despesas essenciais e das dívidas acumuladas.

Os dados indicam que, para milhões de brasileiros, essa margem continua pequena ou inexistente.

Com 70,7 milhões de consumidores inadimplentes, 82% das famílias endividadas e quase 30% com contas atrasadas, a recuperação da renda disponível depende não apenas do emprego.

Passa também pelo custo do crédito, pela evolução dos preços dos itens essenciais e pela capacidade das famílias de reduzir o comprometimento da renda com dívidas.

Seminário amplia debate sobre profissionalização do Terceiro Setor no Sul de SC

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FOTO Instituto Genésio A. Mendes Divulgação Notisul

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PM registra prisões por tráfico em Tubarão e Braço do Norte

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FOTO PMSC Divulgação Notisul

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A Polícia Militar atendeu 216 ocorrências em 24 horas na área do 8º Comando Regional, que abrange municípios do Sul de Santa Catarina. Entre os casos considerados relevantes pela corporação estão duas ocorrências de tráfico de drogas, em Tubarão e Braço do Norte, além do cumprimento de um mandado de prisão em Pescaria Brava.

O balanço considera o período entre as 7h de sábado (22) e as 7h deste domingo (23). Três ocorrências foram destacadas pela PM.

Jovem é preso por suspeita de tráfico em Tubarão

Em Tubarão, um homem de 19 anos foi preso por suspeita de tráfico de drogas no bairro Passagem. A ocorrência foi registrada às 17h38 de sábado.

Segundo a Polícia Militar, os agentes monitoraram o local e constataram uma suposta comercialização de entorpecentes antes de realizar a abordagem.

Com o jovem, foram encontrados R$ 50. Nas proximidades, os policiais localizaram 28 pedras de crack, que somaram 5,1 gramas. Conforme a PM, o material estava embalado e pronto para venda.

O suspeito e o material apreendido foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil.

Mulher é presa durante ocorrência em Braço do Norte

Já em Braço do Norte, uma mulher de 27 anos foi presa por suspeita de tráfico de drogas durante a madrugada deste domingo. O caso ocorreu no bairro Trevo, por volta das 0h48.

Um homem de 22 anos também foi conduzido após ser abordado com porções de maconha e cocaína.

Durante a ocorrência, a Polícia Militar apreendeu 61,5 gramas de maconha, 6,3 gramas de cocaína, três celulares e R$ 20.

Segundo a corporação, parte das drogas estava fracionada e embalada para venda. Os envolvidos e os materiais apreendidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil.

Mandado de prisão é cumprido em Pescaria Brava

A terceira ocorrência destacada no balanço aconteceu no bairro Laranjeiras, em Pescaria Brava, às 9h32 de sábado.

Um homem de 52 anos foi abordado pela Polícia Militar durante o cumprimento de um mandado de prisão relacionado ao crime de tráfico de drogas.

De acordo com a PM, ele foi informado sobre a ordem judicial e não ofereceu resistência. Após a prisão, o homem foi encaminhado à unidade prisional para o cumprimento das determinações da Justiça.

As três ocorrências fazem parte do balanço de 24 horas divulgado pelo 8º Comando Regional da Polícia Militar.

Motociclista morre em acidente na região das 7 Voltas, em Braço do Norte

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FOTO PCSC Divulgação Notisul

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Um motociclista de 39 anos morreu após um acidente em Braço do Norte, na noite deste sábado (22). A colisão entre uma motocicleta e um carro aconteceu na SC-370, no bairro Travessão, nas proximidades das “7 Voltas”, trecho conhecido por quem circula pela região.

O acidente foi registrado por volta das 21h04 e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Braço do Norte, Samu e Polícia Militar Rodoviária Estadual.

Segundo o 8º Batalhão de Bombeiros Militar, a ocorrência envolveu uma motocicleta Yamaha azul e um Peugeot 207 prata. Conforme o relato da guarnição, a motocicleta atingiu a lateral do automóvel.

Família que estava no carro foi levada ao HST

Quatro pessoas estavam no Peugeot no momento da colisão: o motorista, a esposa gestante, uma criança e um bebê de colo.

Todos foram avaliados pelas equipes de socorro que atenderam a ocorrência. Depois dos primeiros atendimentos, os quatro foram encaminhados ao Hospital Santa Teresinha (HST), em Braço do Norte, para avaliação médica.

O relatório divulgado pelos bombeiros não informa o estado de saúde dos ocupantes do veículo.

Motociclista morreu no local

O motociclista, identificado pelos bombeiros pelas iniciais J.P.R., tinha 39 anos. Ele foi encontrado caído e sem sinais vitais quando os socorristas chegaram ao local.

Com a constatação da morte, a Polícia Militar Rodoviária Estadual foi chamada para realizar a segurança e a preservação do trecho da SC-370.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) também foi acionado para os procedimentos periciais e legais.

Após a conclusão dos trabalhos no local, os veículos envolvidos e os pertences do motociclista ficaram sob responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária Estadual.

A ocorrência foi atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar de Braço do Norte, com apoio do Samu e da Polícia Militar Rodoviária Estadual.

Imbituba concentra 90 baleias-franca em novo sobrevoo da temporada

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FOTO Mariana Silvano Divulgação Notisul

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Imbituba concentrou 90 baleias-franca durante o segundo sobrevoo de monitoramento da temporada 2026, realizado na terça-feira (18). Foram identificados 45 pares de mãe e filhote no litoral do município, o maior número registrado durante todo o percurso entre Florianópolis, em Santa Catarina, e Torres, no Rio Grande do Sul.

O resultado reforça o protagonismo do litoral da região da Amurel durante o período reprodutivo da espécie. Em todo o levantamento, os pesquisadores contabilizaram 173 animais, sendo 86 pares de mãe e filhote e um adulto sem filhote.

Em Imbituba, as baleias-franca foram encontradas principalmente entre a Praia do Luz e a Ribanceira. Nesse trecho, foram registrados 31 pares de mãe e filhote, totalizando 62 animais.

Outros 14 pares foram observados entre a Praia da Vila e Itapirubá Norte, acrescentando 28 baleias ao total do município.

Somados, os dois trechos chegaram a 90 animais, todos formados por pares de mães e filhotes.

Litoral da Amurel concentra baleias durante a temporada

Além de Imbituba, o monitoramento registrou baleias ao longo do litoral em direção ao Cabo de Santa Marta. Outras avistagens ocorreram durante o restante do percurso até Torres, no Rio Grande do Sul.

O elevado número de animais chamou a atenção dos pesquisadores, principalmente porque o levantamento foi realizado em agosto.

Segundo Eduardo Renault, diretor de pesquisa do ProFRANCA/Instituto Australis, fazia muitos anos que um sobrevoo não era realizado neste período. O resultado foi considerado expressivo para a época.

A presença das baleias-franca no litoral da região ocorre durante o período reprodutivo da espécie. O acompanhamento permite identificar as áreas de maior concentração e observar a distribuição dos animais ao longo da temporada.

O diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, Christiano Lopes, destaca que os dados reforçam a importância do monitoramento permanente.

“Os resultados deste segundo sobrevoo reforçam a importância de mantermos um monitoramento permanente das áreas de ocorrência das baleias-francas. O registro de 173 animais, especialmente a expressiva concentração de mães e filhotes em Imbituba, demonstra a relevância do nosso litoral para a reprodução da espécie”,

afirma.

Segundo Lopes, a Autoridade Portuária busca conciliar as atividades do Porto de Imbituba com a conservação ambiental.

“Como Autoridade Portuária, temos o compromisso de conciliar as operações do Porto de Imbituba com a conservação ambiental, adotando medidas que garantam a segurança das atividades portuárias e a promoção da biodiversidade”,

acrescenta.

Fêmea semi-albina é encontrada com filhote

baleias-franca em Imbituba
FOTO Mariana Silvano Divulgação Notisul

O segundo sobrevoo também trouxe um registro considerado raro pelos pesquisadores: uma fêmea semi-albina acompanhada de seu filhote.

O ProFRANCA/Instituto Australis possui apenas uma fêmea com essa característica conhecida em seu catálogo.

Ela havia sido observada sozinha durante o sobrevoo realizado em julho. Na ocasião, os pesquisadores levantaram a possibilidade de que o animal estivesse grávido.

A suspeita foi confirmada no novo monitoramento, quando a fêmea foi localizada acompanhada do filhote.

O levantamento identificou ainda dois filhotes semi-albinos acompanhados de suas mães.

Monitoramento ocorre diariamente em pontos de Imbituba

O sobrevoo integra o Programa de Monitoramento das Baleias-franca da SCPAR Porto de Imbituba. O trabalho conta com profissionais do ProFRANCA/Instituto Australis, da Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental e da Autoridade Portuária.

O programa começou em 1º de julho e segue até 30 de novembro.

Além dos sobrevoos periódicos, equipes realizam observações terrestres diariamente a partir de pontos fixos nas praias do Porto e da Ribanceira, em Imbituba.

O monitoramento das áreas utilizadas pelas baleias-franca nas proximidades do porto fornece informações para medidas operacionais de conservação e segurança.

Os dados também ajudam a acompanhar a distribuição das baleias ao longo da temporada e a identificar os pontos de maior concentração no litoral.

De acordo com informações do ProFRANCA, a população de baleias-francas é estimada em cerca de 800 indivíduos, com taxa média de crescimento de 4,8% ao ano.

Os dados resultam de aproximadamente 20 anos de monitoramento aéreo da espécie no litoral catarinense.

El Cristiano pela Anhambaí: e se Brasil e Paraguai transformassem troféus de guerra em símbolos de amizade?

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FOTO Mídias Sociais Reprodução Notisul

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Há mais de 150 anos terminou a Guerra do Paraguai, mas alguns de seus símbolos continuam atravessando fronteiras, despertando sentimentos e provocando debates sobre memória, identidade e patrimônio histórico.

Um deles voltou ao centro das atenções: o canhão El Cristiano.

Há anos existem manifestações paraguaias pela restituição da peça, hoje pertencente ao acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Para o Paraguai, o enorme canhão possui um significado que ultrapassa sua função militar. Tornou-se parte da memória nacional de um país profundamente marcado pela guerra.

O debate ganhou novo impulso nos últimos dias, diante das informações de que a devolução avançou na esfera política brasileira. No Paraguai, autoridades receberam a possibilidade como um gesto de fraternidade entre os dois países.

É compreensível.

Mas a retomada dessa discussão permite fazer uma pergunta que raramente aparece quando se fala no El Cristiano: se vamos rever o destino dos patrimônios levados ou capturados durante aquela guerra, não deveríamos olhar para os dois lados da fronteira?

Porque existe no Paraguai uma extraordinária peça da história militar brasileira. Seu nome é Anhambaí.

E talvez ela ofereça a oportunidade para que uma discussão sobre devolução se transforme em algo muito maior: um gesto recíproco de reconciliação histórica.

Uma canhoneira brasileira no Paraguai

A Anhambaí foi uma canhoneira da Marinha do Império do Brasil incorporada à Armada Imperial em 1858 e destinada à região de Mato Grosso.

Quando forças paraguaias avançaram sobre território brasileiro em dezembro de 1864, a embarcação participou da defesa do Forte de Coimbra.

A pequena canhoneira teve papel na resistência e também auxiliou na retirada dos defensores brasileiros diante do avanço paraguaio.

Pouco depois, em janeiro de 1865, a Anhambaí foi perseguida e capturada por forças paraguaias. Houve combate e perdas entre seus tripulantes.

A partir dali, um navio que carregava a bandeira do Império do Brasil passou para as mãos do Paraguai.

A Anhambaí foi incorporada ao esforço militar paraguaio e permaneceu envolvida nos acontecimentos da guerra. Nos momentos finais do conflito, acabou afundada junto a outras embarcações para impedir que caíssem novamente nas mãos brasileiras.

E ali permaneceu durante décadas. Se a história terminasse dessa maneira, talvez hoje tivéssemos apenas documentos, desenhos e relatos sobre a embarcação.

Mas o Paraguai fez algo que merece reconhecimento. Seus remanescentes foram recuperados no século XX, preservados e incorporados ao patrimônio histórico daquele país.

Hoje, a Anhambaí pode ser vista no Parque Nacional Vapor Cué, em Caraguatay. É preciso reconhecer o mérito dessa preservação. Foram os paraguaios que recuperaram esses vestígios e permitiram que chegassem às gerações atuais.

E justamente por isso qualquer conversa sobre seu futuro deve nascer do respeito.

O outro lado do El Cristiano

O Paraguai pede de volta o El Cristiano. Há razões históricas e emocionais para isso.

A peça foi produzida durante a Guerra do Paraguai e tornou-se um dos símbolos mais conhecidos daquele conflito. Depois da derrota paraguaia, veio para o Brasil e passou a integrar nosso patrimônio histórico.

O Paraguai nunca deixou de atribuir ao canhão enorme importância simbólica. Essa reivindicação precisa ser ouvida com respeito. Mas ouvir não significa ignorar que o Brasil também possui patrimônios ligados à mesma guerra que permaneceram no Paraguai.

E a Anhambaí talvez seja o exemplo mais eloquente. De um lado, temos um canhão paraguaio preservado no Brasil. Do outro, uma canhoneira brasileira preservada no Paraguai. Ambos atravessaram a fronteira como consequência da mesma guerra.

Ambos sobreviveram por mais de um século. Ambos contam histórias que pertencem à memória nacional de seus povos.

Então por que a discussão precisa se limitar à devolução de apenas um deles?

El Cristiano pela Anhambaí

A proposta que colocamos em debate é simples. O Brasil devolve o El Cristiano ao Paraguai. O Paraguai devolve a Anhambaí ao Brasil. Não como indenização. Não como cobrança.

Não como tentativa de reabrir as feridas de uma guerra encerrada há mais de século e meio. Exatamente o contrário. Que seja um gesto simultâneo de amizade.

Uma troca de patrimônios históricos capaz de demonstrar que brasileiros e paraguaios podem olhar para um passado doloroso sem transformar a memória em ressentimento.

Não estamos afirmando que os dois objetos tenham necessariamente a mesma condição jurídica, museológica ou patrimonial. Essas questões precisariam ser examinadas pelos governos, instituições culturais e especialistas dos dois países.

O que propomos é um princípio político e cultural de reciprocidade. Se existe disposição para devolver, que ela possa existir dos dois lados.

O valor da reciprocidade

Há uma diferença profunda entre simplesmente retirar uma peça de um museu e devolvê-la a outro país e realizar uma cerimônia conjunta na qual duas nações restituem reciprocamente patrimônios ligados à sua história.

No primeiro caso, existe uma devolução. No segundo, existe reconciliação. Imagine o significado de uma cerimônia com representantes dos dois países. O El Cristiano retornando ao Paraguai. A Anhambaí retornando ao Brasil.

As bandeiras brasileira e paraguaia lado a lado, não mais diante de exércitos adversários, mas diante de dois povos que decidiram transformar objetos de guerra em instrumentos de aproximação.

Seria uma mensagem poderosa. Especialmente em uma América do Sul que precisa conhecer sua história sem permanecer prisioneira dela.

Onde deveria ficar a Anhambaí?

Caso algum dia essa proposta avance, a discussão brasileira não deveria terminar simplesmente com a chegada da embarcação ao país.

Seria necessário decidir como preservar e apresentar a Anhambaí às futuras gerações.

Ela poderia integrar um museu ligado à história naval brasileira ou ser exposta em local relacionado aos acontecimentos que protagonizou.

Mais importante que o endereço seria a narrativa.

A Anhambaí deveria contar a história da Marinha Imperial, da defesa do Forte de Coimbra, da invasão de Mato Grosso, de sua captura e também de sua longa permanência no Paraguai.

Inclusive do esforço paraguaio que permitiu sua recuperação e conservação. Trazer a embarcação ao Brasil não deveria significar apagar a parte paraguaia de sua história. Ao contrário.

Essa trajetória binacional é justamente o que torna a peça tão interessante.

O Paraguai também merece contar sua história

O mesmo princípio deve valer para o El Cristiano.

Caso retorne ao Paraguai, o canhão não deveria ser apresentado apenas como símbolo de vitória ou derrota, mas como testemunho de um dos conflitos mais devastadores da história sul-americana.

Patrimônio histórico não existe para ensinar novas gerações a odiar. Existe para ajudá-las a compreender. Brasileiros precisam conhecer melhor a história do Paraguai. Paraguaios precisam conhecer melhor a história do Brasil.

E ambos precisam compreender o tamanho da tragédia humana representada por aquela guerra. É possível honrar soldados, preservar memórias nacionais e reconhecer sofrimentos sem transformar a história em instrumento de hostilidade contemporânea.

Uma dívida de reconhecimento com quem preservou a Anhambaí

Há ainda um ponto indispensável. O Paraguai preservou a Anhambaí.

Seus remanescentes não chegariam ao século XXI nas condições atuais sem o trabalho realizado para recuperá-los.

Qualquer eventual negociação deveria reconhecer formalmente esse esforço.

Uma restituição não poderia ser tratada como se o Brasil estivesse simplesmente recuperando algo abandonado em território estrangeiro. Houve preservação. Houve trabalho. Houve investimento. Houve interesse histórico. Isso merece gratidão e reconhecimento.

Da mesma forma, o Brasil preservou o El Cristiano durante gerações no Museu Histórico Nacional.

Essa história de conservação dos dois lados torna a proposta ainda mais simbólica: cada país cuidou, por décadas, de um patrimônio profundamente ligado à história do outro.

Talvez tenha chegado o momento de perguntar se esses objetos poderiam retornar aos seus países de origem.

O passado não pode ser mudado. O significado dele, sim

Nenhuma troca de patrimônio modificará o que aconteceu entre 1864 e 1870. Não devolverá vidas. Não eliminará sofrimentos. Não mudará batalhas.

E certamente não encerrará os debates historiográficos sobre causas, responsabilidades e consequências da Guerra do Paraguai.

Mas as sociedades podem escolher o que fazem com os símbolos que herdaram. Durante muito tempo, objetos capturados em guerras foram exibidos como troféus. No século XXI, talvez alguns deles possam adquirir outro significado.

O El Cristiano pode deixar de representar aquilo que o Brasil trouxe do Paraguai e tornar-se aquilo que o Brasil decidiu devolver ao povo paraguaio.

A Anhambaí pode deixar de representar apenas uma embarcação brasileira capturada pelo Paraguai e tornar-se aquilo que os paraguaios preservaram e decidiram restituir aos brasileiros.

O passado permaneceria exatamente o mesmo. O significado presente desses patrimônios, entretanto, seria completamente diferente. Dois países. Dois patrimônios. Uma guerra encerrada há mais de 150 anos. E dois gestos simultâneos de respeito.

O historiador Paulo Rezzutti colocou essa questão novamente diante do público brasileiro, e acreditamos que ela merece ser discutida.

Se Brasil e Paraguai estão preparados para conversar sobre a volta do El Cristiano, talvez este seja também o momento de colocar a Anhambaí sobre a mesa.

Não como condição hostil. Não como ultimato. Mas como convite à reciprocidade. El Cristiano pelo Anhambaí. Uma troca justa?

Acreditamos que sim.

Mais do que justa, ela poderia transformar dois antigos troféus de guerra em símbolos permanentes de amizade entre brasileiros e paraguaios.

As informações foram extraídas de textos e proposições do príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Gerhard Erich Boehme e Paulo Rezzutti