Rodrigo Corrêa Agência Alesc Divulgação Notisul
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A produção de pinhão em Santa Catarina movimenta a economia e preserva tradições culturais, envolvendo mais de 10 mil famílias e alcançando cerca de 5 mil toneladas anuais. A semente da araucária é considerada um ativo estratégico, especialmente na região da Serra, onde representa uma importante fonte de renda durante o inverno.
Além do valor econômico, o pinhão também carrega forte significado cultural, sendo presença marcante na culinária e nas tradições do estado.
Incentivos impulsionam comercialização
Para fortalecer o setor, o poder público adotou medidas de incentivo à comercialização. Um dos principais instrumentos é a Lei 15.465/2011, que isenta da cobrança de ICMS as operações com pinhão em estado natural.
A medida busca ampliar a competitividade do produto e garantir melhores condições para pequenos produtores, que dependem da safra como complemento de renda.
Fonte de renda no inverno
Na Serra Catarinense, o pinhão tem papel fundamental na economia rural. Produtores utilizam a colheita como renda complementar em um período em que outras atividades agrícolas são reduzidas.
Casos como o de famílias que atuam na coleta e comercialização da semente mostram como a atividade pode representar parcela significativa da renda anual, especialmente em propriedades familiares.
Trabalhadores que atuam como catadores também dependem diretamente da safra, enfrentando desafios como esforço físico intenso e riscos durante a coleta.
Pinhão na merenda escolar
Outra iniciativa recente é a Lei 19.130/2024, que determina a compra do pinhão da agricultura familiar para a merenda escolar da rede estadual.
A medida amplia o mercado para os produtores e contribui para a segurança alimentar dos estudantes, além de incentivar a economia local em municípios da Serra.
Em cidades como Urupema, o produto já faz parte da alimentação escolar e também é utilizado em atividades pedagógicas, que abordam desde o cultivo até a importância cultural da semente.
Cultura e identidade regional
O pinhão também é valorizado como patrimônio cultural. Leis estaduais reconheceram pratos típicos como o entrevero e a paçoca de pinhão como patrimônios imateriais.
Essas receitas fazem parte da identidade da região e remetem a tradições históricas, como a culinária dos tropeiros e influências indígenas.
Produção e impacto econômico
Santa Catarina é responsável por cerca de 34,9% da produção nacional de pinhão, segundo dados do IBGE. Em 2025, foram colhidas aproximadamente 5,4 mil toneladas, gerando mais de R$ 32 milhões em renda.
A atividade é considerada estratégica, especialmente no Planalto Serrano, onde parte significativa dos produtores depende, total ou parcialmente, da coleta da semente.
Serviço
Produção anual: cerca de 5 mil toneladas
Famílias envolvidas: mais de 10 mil
Participação nacional: 34,9%
Renda gerada (2025): mais de R$ 32 milhões





