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A defesa de José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, investigado pela morte da estudante Joviana Evelyn Iankovski, de 19, divulgou uma nota com esclarecimentos sobre o caso ocorrido em Sangão, no Sul de Santa Catarina. O jovem confessou à Polícia Civil ter aplicado um golpe conhecido como “mata-leão” na vítima e está preso preventivamente.
Assinada pelos advogados Jardel Soares Luciano e Emanoela Costa da Silva, a manifestação apresenta condolências à família de Joviana, afirma que os familiares de José Gustavo não sabiam do ocorrido e defende que conclusões sobre a dinâmica do crime aguardem o avanço das investigações.
“A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento”,
afirma um dos trechos da nota.
Joviana tinha 19 anos e começava a cursar Ciências Biológicas
Joviana Evelyn Iankovski tinha 19 anos, trabalhava como operadora de máquinas e havia iniciado recentemente o curso de Ciências Biológicas na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).
As aulas haviam começado poucos dias antes da morte. Amigos descreveram Joviana como uma jovem curiosa, afetuosa e cheia de planos. Entre os projetos pessoais estavam viajar pelo mundo e realizar trabalho voluntário na África.
O corpo da jovem foi encontrado na segunda-feira, 10 de agosto, em uma residência no bairro Santa Apolônia, em Sangão. O imóvel era onde José Gustavo morava com a mãe e a avó.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, o crime teria ocorrido entre a noite de quinta-feira (6) e a madrugada de sexta-feira (7). José Gustavo confessou ter aplicado um golpe do tipo “mata-leão” na jovem.
A investigação trata o caso como feminicídio.
Discussão teria começado após mensagens no celular
Conforme informações atribuídas à investigação, Joviana havia saído com amigos e depois seguiu para a residência do namorado.
No local, teria ocorrido uma discussão depois que ela encontrou mensagens trocadas por José Gustavo com outras garotas. Segundo a versão apresentada pela Polícia Civil e repercutida por veículos da região, quando Joviana tentou deixar a residência, o jovem teria ido atrás dela e aplicado o golpe.
O corpo permaneceu no quarto durante o fim de semana. Segundo o delegado responsável pela investigação, o cômodo ficou trancado durante esse período.
Enquanto a família procurava por Joviana, mensagens continuaram sendo enviadas pelo celular da jovem.
Mensagens levantaram desconfiança da família
De acordo com relatos de familiares e informações da investigação, José Gustavo teria utilizado o celular e as redes sociais de Joviana para responder mensagens enviadas pela mãe da jovem.
Nas conversas, foram apresentadas justificativas para explicar a ausência. Entre elas estavam a alegação de que Joviana havia passado mal após consumir bebida alcoólica e que não teria ido trabalhar.
As respostas, porém, começaram a despertar desconfiança por causa do modo de escrever e de inconsistências nas explicações.
Na segunda-feira, a família procurou informações no trabalho de Joviana e descobriu que ela não havia comparecido.
A mãe então foi até a residência onde José Gustavo morava. A Polícia Militar acabou acionada e o corpo da estudante foi localizado no quarto.
Família relata relacionamento marcado por ciúmes e controle
Joviana e José Gustavo mantiveram um relacionamento por aproximadamente cinco meses.
Em entrevistas concedidas após o crime, familiares da jovem afirmaram que o namoro era marcado por discussões, ciúmes e comportamentos controladores.
A irmã de Joviana, Lívia Iankovski, relatou que José Gustavo tentava interferir até mesmo nas roupas utilizadas pela jovem. A família também afirma que houve um episódio de perseguição de motocicleta depois de um término ocorrido no fim de julho.
Esses relatos integram a versão apresentada pelos familiares da vítima e são elementos que podem ser considerados pela investigação.
Defesa diz que família não sabia do ocorrido
Um dos principais pontos da manifestação divulgada pela defesa nesta quinta-feira, dia 13 de agosto, é a situação da mãe e da avó de José Gustavo, que estavam na mesma residência.
Segundo os advogados, nenhuma das duas tinha conhecimento do fato.
“A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido”,
afirma a nota.
A defesa sustenta que algumas características da rotina da residência contribuíram para que não surgissem suspeitas anteriormente. Entre elas, cita a dificuldade auditiva da mãe e o hábito de José Gustavo permanecer no quarto fechado durante períodos de descanso.
Imediatmante após saberem do ocorrido, segundo a manifestação, os familiares conduziram José Gustavo à delegacia.
“Não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades”,
sustenta a defesa.
José Gustavo foi preso e teve a prisão convertida em preventiva. Ele permanece à disposição da Justiça desde o dia onde se apresentou às autoridades policiais.
Defesa pede cautela antes de conclusões sobre o caso
Os advogados também afirmam que o processo tramita sob segredo de justiça e que a atuação da defesa ficará limitada às informações que podem ser divulgadas publicamente.
“Qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório”,
diz outro trecho da manifestação.
A defesa acrescenta que não pretende transformar o sofrimento das famílias em uma disputa pública e afirma que seguirá atuando dentro do devido processo legal.
A Polícia Civil continua responsável pela investigação do caso.
Confira a nota da defesa na íntegra
NOTA À IMPRENSA
Assunto: Esclarecimentos da defesa de José Gustavo Rabelo de Souza
A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.
Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.
O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.
É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.
A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.
José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.
A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.
Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.
A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.
Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas.
José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente.
Jardel Soares Luciano
OAB/SC 54.362 | OAB/ES 44.281
Emanoela Costa da Silva
OAB/SC 54.176