A alta da gasolina no Brasil tem sido registrada nas últimas semanas em diversos estados, com o preço médio nacional chegando a cerca de R$ 6,46 por litro, segundo dados recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O aumento ocorre em meio à escalada do preço internacional do petróleo, influenciada por tensões no Oriente Médio, além de fatores internos como reajustes fiscais e movimentações no mercado de combustíveis.
No início de março, o valor médio da gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 em algumas semanas de levantamento da ANP, com variações posteriores que chegaram a 2,5%. Em determinados estados, o preço já ultrapassa R$ 6,40.
Conflito no Oriente Médio pressiona preço do petróleo
A recente escalada de conflitos no Oriente Médio elevou significativamente o preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, que serve de referência global, subiu de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 desde fevereiro.
Analistas apontam que o aumento está ligado principalmente às tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.
Esse cenário aumenta o custo de produção de derivados como gasolina e diesel, pressionando os preços nos países importadores ou que seguem referências internacionais.
Reajustes fiscais e diesel também influenciam mercado
Além do cenário externo, fatores internos também contribuíram para a alta recente.
No início de 2026 houve reajuste do ICMS sobre combustíveis, com impacto estimado de até R$ 0,10 por litro na gasolina, dependendo do estado.
Outro fator foi a decisão da Petrobras de elevar o preço do diesel em R$ 0,38 por litro para distribuidoras, anunciada em 14 de março de 2026. Apesar disso, a estatal ainda não reajustou o valor da gasolina nas refinarias.
Especialistas apontam que a gasolina brasileira permanece com defasagem de cerca de 27% em relação aos preços internacionais, o que pode indicar possíveis ajustes caso o petróleo permaneça em patamar elevado.
Governo pede investigação sobre aumentos
Diante da alta, o governo federal solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investigação sobre possíveis práticas anticompetitivas em alguns estados.
O pedido envolve mercados da Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, onde autoridades suspeitam de aumentos coordenados por distribuidoras.
Entidades do setor, por outro lado, afirmam que os reajustes refletem principalmente o aumento do custo de compra do combustível.
Impactos na economia e no bolso do consumidor
O aumento do preço dos combustíveis pode gerar efeitos em cadeia na economia. Especialistas apontam que o diesel mais caro eleva o custo do transporte de cargas, pressionando preços de alimentos e produtos.
Projeções indicam que a inflação de 2026 pode chegar a 5,8%, caso o petróleo permaneça acima de US$ 100 por barril por um período prolongado.
Para o consumidor, o impacto é direto. Em um veículo com tanque de 40 litros, a alta recente pode representar até R$ 20 a mais por abastecimento.
Perspectivas para as próximas semanas
A Petrobras informou que acompanha o cenário internacional antes de decidir eventuais reajustes na gasolina.
Analistas avaliam que, se o preço do petróleo continuar elevado, a gasolina pode chegar a R$ 7 por litro em algumas regiões nas próximas semanas. Caso haja redução das tensões internacionais, o mercado pode voltar a níveis mais estáveis.

