terça-feira, 2 junho , 2026
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Alimentação: O grande mito da carne de porco

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Tubarão

Não há com o que se preocupar na hora de apreciar uma fatia de carne de porco. Não existe nenhum caso da influenza (H1N1) nos rebanhos brasileiros. E, diferente do que muitos pensam, a carne mais consumida do mundo não passa a nova gripe.
Atualmente, Santa Catarina é um estado livre de febre aftosa. Na região sul, Braço do Norte tem o melhor gado de leite e a melhor carne suína do país. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) monitora o abate de animais regularmente para que a qualidade seja mantida e respeitada.

“Todos os rebanhos são monitorados de Sangão a Paulo Lopes e enviados relatórios periódicos”, informa o médico veterinário da Cidasc em Tubarão, Iraê Antônio Pizzolatti.
Mesmo com o equívoco de algumas pessoas, o médico veterinário garante que o consumo não tem restrição. “O modo como o suíno é criado é muito sadio. Mesmo com o alarde, o consumo no Brasil e no estado não diminui”, garante.

As relações de poder são arcaicas no Brasil

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Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Hoje, é comum os brasileiros mudarem-se para Portugal, mas o senhor fez o contrário. Como decidiu vir para Santa Catarina?
Alberto
– Eu venho para o Brasil desde jovem. Estive aqui pela primeira vez em 1978. Vim outras vezes, casei com um brasileira, e em 2002 em vim para Santa Catarina já para trabalhar na Unisul. Eu tinha vindo em setembro de 2001 para acertar a contratação com a universidade. Em 2002, vim de mala e cuia.

Notisul – Quando você veio para o Brasil em 1978, foi a passeio?
Alberto
– Foi a passeio, para conhecer algumas pessoas com as quais eu tinha contato. Tinha 23 anos na época e conheci parte do Brasil. Estive mais de um mês, fiz Rio, São Paulo, Minas, interior de Goiás, Mato Grosso, Bahia. Eu vim mais vezes depois de conhecer a minha esposa. Ela é de Bom Retiro e nos conhecemos. Ela foi para Portugal,, moramos lá sete anos, em Lisboa, e decidimos vir para o Brasil.

Notisul – Como foi essa mudança, uma vez que o senhor morava na capital de Portugal, e decidiu vir para Tubarão?
Alberto
– Há sempre um choque. Nós compartilhamos a mesma língua, mas dentro do países existem diferenças culturais grandes.Encontrei aqui um Brasil que eu não tinha conhecimento. Um Brasil bastante europeu. Conhecia antes o norte, nordeste, o chamado Brasil tropical. E, quando vim morar aqui, deparei-me com um país diferente. Visto que a imigração de alemães e italianos é mais recente, 1870, 1880, e os açorianos e portugueses do continente um pouco antes, 1740. Portanto, é um fênomeno recente e deixa as suas marcas na cultura.

Notisul – Na sua avaliação, o sul é de fato, mais europeu?
Alberto
– Eu acho que em algumas coisas sim. Já houve uma miscigenação grande. O fator português, açoriano, italiano e alemão estão bem compensados, não existem clivagens. Mas as características são diferentes do restante do Brasil. As comunidades são mais fechadas, reservadas e nisso são muito europeias (risos).
Notisul – Como o Brasil é visto lá em Portugal? Porque aqui você deve ter ouvido muitas piadas de português…
Alberto – Como nós fomos os colonizadores do Brasil, o conhecimento sobre a cultura e a história são maiores, mas ele não é aprofundado. Por exemplo, quando se fala de Brasil, o povão, o que se imagina? Rio, São Paulo, nordeste, as praias com coqueiros.

Notisul – O Brasil Carmem Miranda?
Alberto
– Ela foi a imigrante portuguesa/brasileira de maior sucesso nos Estados Unidos (risos). Essa ideia da tropicalidade que ela representa é o que se pensa do Brasil. De sol, de praia, de mar, calor, coqueiros. Mas o sul é pouco conhecido e é diferente. O Brasil é visto com muito carinho pelos portugueses, afinal, nós fomos os colonizadores, apesar das muitas críticas, ao modelo português, com tudo que há de bom e de mais ruim.

Notisul – Politicamente, como o Brasil é visto? Mudou muito após as viagens de Fernando Henrique (PSDB) e de Lula (PT)?
Alberto
– Eu acho que não é muito visto por lá, porque não há informações. Os jornais falam quando há eleições, mas os escândalos não têm repercussão lá, até porque não é interesse deles. Lá, a população está voltada para os seus próprios políticos e com a União Europeia.

Notisul – Nos artigos que você escreveu para o Notisul, falou da possibilidade dos municípios saírem da Amurel. Como você vê essa questão?
Alberto
– O que eu escrevi é o que eu penso. Com base na experiência acumulada com a União Europeia. A integração funciona mais do que a desintegração. Nós estamos em um mundo global, onde as relações são complexas e complicadas. Complexas porque são interligadas, vem do latim complexus. Edgar Morin fala que é complexo algo que é tecido em conjunto. E hoje há uma interdependência muito grande entre as coisas e pessoas. Isso significa que é muito difícil uma pessoa, um país, uma região, um município tenha um protagonismo grande se trabalhar sozinho. Hoje, isso não existe mais. Justamente porque as relações são profundas, têm uma diversidade de fatores que tudo parece ir ao encontro a uma ideia de cooperação e integração. Essa é a tônica que a União Europeia tem dado nas últimas décadas. Não apenas em relação a si mesma, mas também multilaterais. Então, transportando tudo isso para o sul catarinense, eu acho que os municípios ganham mais se integrarem-se em uma filosofia de cooperação, de relações entre iguais, do que três ou quatro quererem criarem uma outra associação, porque ela será apenas virtual. Porque hoje nada é feito isolado.

Notisul – Essa certa rivalidade que obsersavamos na região pode ser usada como analogia para o Mercosul? Desta dificuldade de se ver o bloco econômico funcionar de fato, já que a Argentina puxa de um lado, o Brasil de outro?
Alberto
– Essa rivalidade é antiga. Esse arquétipo funciona desde uma escala global, para os continentes, países, indíviduos e até entre os indivíduos e organizações. Hoje, uma das grandes tônicas da gestão moderna é justamente a integração das competências para criar algo em comum. Algo que seja mais forte, mais competitivo. Acho que hoje é a única saída, ou ao menos uma cooperação entre iguais, para que haja o desenvolvimento economicamente sustentável e também ambientalmente sustentável.

Notisul – E você, como profissional da área de gestão, como observa essa preocupação com o meio ambiente, os empresários estão mais conscientes disso?
Alberto
– Aqui no Brasil, tem alguns aspectos mais adiantados, outros menos do que na Europa. As empresas hoje estão pretendendo um desenvolvimento econômico em harmonia com o meio ambiente. Na Europa, esse esforço é um pouco mais antigo, até porque eles foram grandes poluidores. Na década de 1950, houve um boom industrial no pós guerra, com muitas fábricas e sem os cuidados adequados. Viu-se então que esse não era o melhor caminho. Já nos anos 1980, começaram a trabalhar em tecnologias limpas. E no Brasil essa preocupação é mais recente, até porque o desenvolvimento industrial do país é mais recente.

Notisul – Poderia ser também um reflexo do conceito de que os recursos naturais no Brasil são infindáveis?
Alberto
– Uma pelo atraso do desenvolvimento industrial, que é normal, e depois com a ideia de achar que os recursos não acabarão, porque é tudo muito abundante no país. Como o Brasil é muito grande, acham que as matas não têm fim, que a água não tem fim, e não é bem assim. Hoje, está se vendo que estes recursos tem um limite. Eu acrescento ainda um outro fator: uma ambição desmedida dos empresários. Se nota que o empresário quer ter um lucro imediato, rápido, investindo pouco e sem se ater muito às regras. Há muitos anos observo isso no Brasil, essa questão do imediatismo. E nisso se enquandra a questão ambiental, os desmatamentos.

Notisul – Podemos ter aí um certo resquício da colonização portuguesa? Porque a ideia dos colonizadores era sair de Portugal, vir para o Brasil, ‘ficar rico’ e voltar para a Europa…
Alberto
– Eu acredito que existe um eco. O país sempre foi um pouco assim e hoje continua, de certa forma. Em Portugal, houve mudanças, um amadurecimento do pensamento político, social e humano e hoje deu uma nova mentalidade. Aqui, o processo é mais lento. No Brasil, os resquícios da escravidão, este estado de senhor e escravo, de um ter totais direitos e outro nada poder, foi perpetuado por muito mais tempo do que em Portugal. São resquícios de um tempo que não volta mais e é insustentável manter isso, não apenas em relações pessoais, mas também com o meio ambiente.

Notisul – Esse amadurecimento que você fala também tem que ser conquistado na área política?
Alberto
– Sim. Mas isso não apenas no Brasil, também em outros lugares, como os países islâmicos, oriente médio. Eles ainda não derrubaram um certo feudalismo. Só que eu vejo que o Brasil precisa avançar mais. O país tem potencial para alcançar o reconhecimento internacional. Para competir com outros países, com relações políticas mais sofisticadas, é preciso seguir algumas regras, até por uma certa ética. Aí é que está o problema. O Brasil tem que evoluir mais. Encontramos aqui pessoas muito inteligentes, preparadas em muitas áreas, técnicas, humanas, mas as relações de poder são muito arcaicas. Eu vejo o Brasil ao mesmo tempo em muitas épocas. Ou seja, há um Brasil que se encontra na Idade Média, outro que está no Renascimento, no Iluminismo, na Revolução Francesa, na Revolução Industrial, na Modernidade e outro ainda que é Pós-Moderno. Mas a parte antiga continua a puxar muito e a condicionar o desenvolvimento, não apenas econômico, mas social. E isso se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Por exemplo, os últimos números mostraram que em termos de Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é a décima economia do mundo, mas em IDH está lá embaixo. Já o índice de corrupção, é um dos mais altos. Há uma série de disparidades que precisam ser ajustadas. Para que realmente o desenvolvimento seja compatível com o potencial do Brasil.

Notisul – Isso ocorre por que a nossa visão de estado ainda é muito paternalista, mas que ao mesmo tempo não é um estado de bem estar social?
Alberto
– Eu até uso como um paradigma um filme que foi sucesso nos anos de 1980. É um filme italiano chamado Padre Padrone, ou seja, um pai patrão. O enredo é sobre uma criança que é extremamente reprimido por um pai com excesso de autoridade. O paradigma político aqui é bem esse, padre, padrone. É um pai que é altamente protetor, mas pensa muito nele mesmo e que esquece dos próprios filhos. Porque os filhos querem crescer, estudar, viver melhor, bons hospitais, boas estradas, mas o pai retém boa parte da riqueza. Eu não comparo Brasil com Europa, porque são duas realidades diferentes. O que eu vejo é que, no Brasil, o país poderia estar melhor, se fosse menos arcaico de relações de poder, de organização da administração pública.

Notisul – Na história, fala-se do fato, do contexto e da estrutura. No caso do Brasil, mudou-se o fato e o contexto, mas a estrutura não. É isso que você observa quando fala de relações arcaicas?
Alberto
– É isso aí. O problema é estrutural e, por sua vez, acaba sendo sistêmico. Assim, a estrutura reflete-se nas pontas. E, por ser sistêmico, reflete-se também no comportamento humano. O que falta é a cooperação, daí essa a minha crítica de Brasília como Versailhes. A corte de Luiz 16, no século 18, consumia praticamente tudo o que a França produzia. O resultado é que o povo era subdesenvolvido, pobre, faminto e resultou na revolução feita pelos intelectuais. E no Brasil, o problema hoje é que a maior parte das riquezas, do PIB, fica no bolso de poucos e é mal distribuído, não como uma dádiva, e sim como investimento no ser humano. Porque tudo é feito pelo ser humano.

Notisul – E voltando à área de gestão. Pela sua experiência, os empresários estão mais preocupados em remunerar melhor os funcionários?
Alberto
– Sim. Observo muito isso em pesquisas, em leituras. Há cases de sucesso em áreas de responsabilidade humana, social e de um novo estilo de gestão. Uma gestão mais participativa. Com a capacidade de se delegar, de ser flexível, rápido, ágil e responsável. Tudo isso faz parte de novas ideias que podem ser aplicadas desde a política às empresas. Em alguns países como a Inglaterra, Portugal, Holanda, tem se buscado também a eficiência de gestão na administração pública. Aplicando modelos de gestão semelhantes à iniciativa privada, reduzindo custos da máquina pública e oferencendo melhores serviços aos cidadãos.

Sabe o que os astros guardam para você hoje?

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Áries (21/03 a 19/04)
Marte agora se aproxima do aspecto com Júpiter e indica energia que visa a expansão de conhecimentos. Uma atitude mais confiante e generosa atrai oportunidades. Dia com possibilidades financeiras positivas.

Touro ( 20/04 a 20/05)
A Lua está em seu signo e indica consciência de poderosas emoções e transformações necessárias à evolução. Momento inspirador para a expressão dos dons, com inteligência e consequente crescimento profissional, nativo de Touro.

Gêmeos (21/05 a 21/06)
A segurança, que é importante a você, não é algo que esteja somente atrelado a garantias materiais. É na verdade uma disposição interna, uma confiança na abundância da vida e em ser merecedor e grato.

Câncer (22/06 a 22/07)
O contato astrológico entre a Lua, regente canceriano e Plutão, indica a percepção dos tesouros nos seus relacionamentos, ou seja, de que por meio das relações você descobre suas riquezas internas e motivações.

Leão (23/07 a 22/08)
O convívio nas amizades, nos grupos e na sociedade estimula a percepção do papel de cada pessoa na evolução humana. Hoje é um dia interessante para o trabalho e as finanças.

Virgem (23/08 a 22/09)
Mudanças emocionais profundas ocorrem com você desde o ano passado e se estenderão ao longo dos próximos anos. É o chamado do universo para evoluir e deixar de lado as motivações orgulhosas.

Libra (23/09 a 22/10)
Conscientização das emoções intensas e da necessidade de realizar mudanças. Desapegue-se de velhos padrões emocionais e familiares. Deverá ter uma base firme sobre a qual se apoiar.

Escorpião (23/10 a 21/11)
Plutão, o regente escorpiano, está em contato com a Lua e sinaliza a percepção de sentimentos que são mexidos nas relações. A segurança não está em um relacionamento ou em algo material.

Sagitário (22/11 a 21/12)
Júpiter agora se aproxima do contato com Marte, expande as ações entusiastas e motiva a buscar um ideal, um sonho ou uma visão de futuro. Dia que também favorece os negócios e a valorização dos seus talentos.

Capricórnio (22/12 a 19/01)
Plutão se movimenta em seu signo desde o ano passado e nele permanecerá ainda por muitos anos. Símbolo de uma poderosa transição econômica, política e social em larga escala. O que ocorre no mundo reflete-se em você.

Aquário (20/01 a 18/02)
Você agora se sente mais confiante para agir de acordo com o que almeja e refletir seus sonhos e ideais. O aprendizado é de que os pensamentos criam a realidade. Então reflita sobre o tipo de realidade que está criando para si.

Peixes (19/02 a 20/03)
Piscianos se sentem agora motivados por uma força interior que move na superação da ambivalência e tentam integrar diferentes aspectos de sua personalidade. O futuro abre-se diante dos seus olhos. E você? O que fará a respeito?

Gripe A: Angústia, medo e descaso

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O povo que já vive situação de caos no que diz respeito à saúde pública, agora nem dorme mais direito, em razão da nova gripe. E aí eu me pergunto: Como pode o senhor ministro da saúde José Gomes Temporão dizer que o Brasil estava preparado para enfrentar essa nova doença? Para mim foi uma das maiores piadas do ano. Como alguém, que é responsável pela saúde dos brasileiros, pode falar uma bobagem dessa, se há pouco tempo várias pessoas morreram devido a uma epidemia de dengue, só para citar um exemplo.

Porque não se diz logo a verdade e se fez um trabalho de prevenção com medidas rigorosas antes que a gripe chegasse, em vez de querer tapar o sol com a peneira. Se antes de qualquer epidemia, já é uma batalha para ser atendido, imaginem com emergências e postos de saúde superlotados?
Acho que está na hora do Ministério da Saúde ter mais responsabilidade e fiscalizar melhor o dinheiro de nossos impostos, para serem investidos na saúde antes de pararem nas contas de políticos corruptos ou pagar altos salários para mordomos.

Deveria também se fazer uma mobilização para aumentar o repasse de verbas para a saúde em vez de fazer festa para anunciar que a copa de 2014 será no Brasil (grande coisa). Talvez, se as autoridades tivessem mais respeito pelo cidadão, não estaríamos tão apavorados.
Devemos exigir mais hospitais bem equipados, um número maior de profissionais na área da saúde bem remunerados, postos de saúde com médicos que deem atendimento de qualidade para não afogar as emergências. Afinal, não é para isso que pagamos impostos? Aliás, nossos representantes deveriam pensar mais nisso antes de começarem as articulações políticas para 2010.

Na TV, tem propaganda mandando procurar atendimento médico em um posto de saúde mais próximo, mas o que o ministro da saúde talvez, não saiba (ou faz que não sabe) é que faltam médicos. E aí o que se faz é ir para as emergências.
Enquanto isso, devemos fazer também a nossa parte seguindo as orientações das secretarias dos municípios para conter a propagação do vírus, como evitar, o máximo que puder, sair de casa, deixar as crianças em casa, seguir todas as recomendações de higiene e rezar para que Deus tenha misericórdia de nós.

Hemosc: Doadores de sangue estão ausentes

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Cíntia Abreu
Tubarão

A saúde é o bem maior de qualquer ser humano e, quando fragilizada, muitos esquecem de outros fatores que auxiliam a sua manutenção. Um deles é a doação de sangue. As campanhas são constantes, pois é sempre necessário abastecer os hospitais e garantir bom estoque para emergências. Porém, desde que o número de casos suspeitos da nova gripe aumentou na região, a coleta de sangue no Hemocentro Regional de Criciúma e na unidade coletora de Tubarão está muito baixa. “No inverno as doações caem, mas em função da gripe A, o número é cada vez menor”, lamenta a responsável pela captação de doadores do Hemosc de Criciúma, Ana Rúbria Zanette.

Nesta segunda-feira, por exemplo, em Tubarão, somente duas bolsas de sangue foram coletas. “As pessoas estão assustadas e pensam que ao realizar a doação, a imunidade baixará. Ou ainda que há aglomeração de pessoas no local. Mas isto não ocorre”, garante a médica responsável pela unidade de Tubarão, Laurene de Abreu Viana.

Ana Rúbria conta que o número de doadores diminuiu 50% em todo o estado. A regional do Hemosc e a unidade de Tubarão atendem cerca de 27 hospitais e recolhem de 60 a 70 bolsas de sangue diariamente, em épocas normais. “Atualmente, não passa de 30 a 35 doações por dia. Um índice muito abaixo do que o estado precisa”, diz Ana Rúbria, em tom preocupado.

Comerciantes recebem
orientação em Braço do Norte

Braço do Norte

Os fiscais da vigilância sanitária de Braço do Norte iniciaram esta semana um trabalho de orientação aos donos de estabelecimentos comerciais e agências bancárias. O intuito é prevenir a gripe A.
Entre as recomendações dos fiscais está o uso álcool gel ou líquido para higienizar os ambientes. Além disso, para quem manipula alimentos ou dinheiro, agentes sugerem o uso de luvas.

Aos bancos, é repassada a orientação para distribuir luvas aos funcionários e não permitir a entrada de mais de dez pessoas por vez nas agências. Panfletos informativos que ajudam as pessoas a diferenciarem a gripe comum a nova Influenza também são distribuídos pela cidade.

Crédito: Cidadãos estão mais responsáveis

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Cíntia Abreu
Tubarão

A necessidade de registrar momentos especiais fez com que o brasileiro se endividasse nos últimos meses. Segundo os dados da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), no mês passado a inadimplência no comércio registrou alta de 15,25%, na comparação com o resultado de junho, quando houve queda 22,67%.

Em contrapartida, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Tubarão comemora a recuperação de crédito em 99,81% no mês de junho. “Normalmente a recuperação é de 60% a 70%”, compara o diretor executivo da CDL, Pedro Paulo Nascimento.
Ele acredita que em função do clima, as pessoas procuram organizar-se economicamente para comprar. O presidente da CDL, Walmor Jung Júnior, considera que as campanhas da entidade auxiliam na conscientização do cidadão. “Mais importante do que vender, é receber”, sublinha Jung Júnior.

O supervisor de vendas do grupo Nandi Lojas, Roberto Dandolini, reafirma que a inadimplência no comércio diminuiu. “O inverno 2009 foi melhor do que o anterior. Aqui, por exemplo, temos nosso centro de cobranças interno e procuramos conversar com o cliente antes de inseri-lo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)”, afirma Dandolini.

Centro de Múltiplo Uso: Obra iniciará em novembro deste ano

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Wagner da Silva
São Ludgero

Após dois anos de espera, a construção do Centro de Múltiplo Uso de São Ludgero começará em novembro. O processo de contratação da empresa é feito através de concorrência pública e deve durar cerca de 50 dias. A estrutura será edificada na mesma área da capela Sagrada Família.

O centro terá três mil metros quadrados de área construída e está orçado em R$ 3 milhões. Deste total, R$ 2,5 milhões são recursos do governo do estado e o restante é a contrapartida da prefeitura. Além de salão de eventos e o Memorial Huberto Rohden, o centro será formado ainda pelo Museu da Colonização, a Casa do Idoso, o Museu da Arte, o Centro Cultural e a praça do Imigrante.
Segundo o prefeito de São Ludgero, Ademir Gesing (PMDB), o Gogo, o governo do estado já confirmou o repasse R$ 1 milhão para a obra neste ano. O restante (R$ 1,5 milhões) será enviado em 2010. “Será mais um investimento significativo e merecido”, orgulha-se Gogo.

Para o secretário de desenvolvimento regional em Braço do Norte, Gelson Luiz Padilha (PSDB), a obra fará com que a cidade retome o processo histórico e cultural. “Será um local para o desenvolvimento de ações conjugadas na área da cultura e esportes, entre outras atividades”, destaca.

Operação Gaia: Inquérito ainda não foi concluído

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Amanda Menger
Tubarão

A Operação Gaia, realizada em conjunto pela Polícia Civil de Tubarão e Ministério Público Estadual, completa um mês hoje. Ao todo cinco pessoas foram presas temporariamente. Entre elas dois servidores da Fatma, um funcionário e o proprietário de uma empresa de consultoria ambiental de São José e uma pessoa ligada ao Sindicato dos Revendedores Varejistas de Combustíveis de São José e Região.

Eles são suspeitos de estarem envolvidos em fraudes de licenças ambientais para o funcionamento de postos de combustíveis em Tubarão. “As investigações continuam. Com os depoimentos tomados em Florianópolis, durante a prisão temporária dos acusados, conseguimos informações que agora são checadas. Não posso revelar mais detalhes por enquanto”, diz o delegado Marcos Ghizoni, responsável pelo caso.
No dia 17 de junho, o governador Luiz Henrique (PMDB) anulou as licenças ambientais dos postos de combustíveis de todo o estado que obtiveram a licença ambiental para o funcionamento, com base em laudos periciais emitidos pela empresa de São José.

Dos sete estabelecimentos interditados pela Fatma, todos já voltaram a funcionar com mandados de segurança. Dois foram lacrados novamente, no fim de julho, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Polícia Federal, por não tomarem providências para resolver o problema de contaminação do solo. Eles também já voltaram às atividades.

Nova gripe: São 12 mortes na região

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Tatiana Stock
Tubarão

Em Santa Catarina, Tubarão é vista como sinônimo da nova gripe. A maioria das informações, no entanto, são alarme falso. Dos pacientes que procuram a clínica de referência Humaitá, onde foi instalado o centro de referência, apenas 10% necessita de tratamento por conta de sintomas gripais, que podem ser o da nova gripe.

O medo da doença, fez todo o sistema de saúde ficar superlotado, principalmente as emergências dos hospitais. Agora, com o centro de triagem, o quadro mudou.
Segundo dados do secretário de saúde da prefeitura de Tubarão, Roger Augusto Vieira e Silva, no ano passado, de 8 a 11 de agosto, o Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) atendeu 663 pacientes. Neste ano, no mesmo período, o número de procedimento caiu para 646.

Isso confirma a eficácia do centro de triagem. Desta forma, os profissionais do HNSC podem atender os casos suspeitos de gripe e ainda outros pacientes que procuram o setor, mais rapidamente. “Dos 186 pacientes atendidos no centro de triagem nesta terça-feira, somente sete necessitaram do tamiflú”, coloca o secretário. A maioria dos paciente têm sintomas simples como coriza, tosse e mal estar, que podem ser tratadas com anti-térmicos.

Roger explica que somente a partir da próxima semana é que poderá ser observado se houve, ou não, diminuição no atendimento no centro de triagem. Por ora, uma média de 150 pessoas por dia são atendidas no local. Ontem, por exemplo, foram 125 pacientes. Destes, 12 foram notificados como suspeitos da nova Influenza e são tratados com o tamiflú.
O secretário avalia que em aproximadamente em duas semanas a cidade deverá voltar a rotina normal. “Até lá, as medidas de higienização devem ser adotada e as pessoas devem evitar locais com aglomeração de pessoas”, sugere Roger.

De olho no bolso

Nas farmácias de Tubarão, o produto mais vendido e procurado é o álcool gel. Devido a alta demanda, o valor subiu e em muitos estabelecimentos o produto tornou-se artigo raro.

“Não temos o álcool gel desde (a última) terça-feira. E as prateleiras continuarão vazias até a próxima semana. Isto porque conseguimos com outro fornecedor”, explica a atendente da farmácia Sprenger, no centro, Hélida Martins de Souza.
Como alternativa, Hélida sugere aos clientes o álcool 70% e um sabonete anti-séptico. “O preço do álcool em gel aumentou porque os fornecedores também elevaram o valor”, justifica.

Na farmácia Sprenger, por exemplo, o valor da versão gel oscila entre R$ 4,50 (120ml) e R$ 10,00 (250ml). Já o álcool 70% custa R$ 5,00 (500ml). “O poder de higienização é o mesmo”, garante a atendente.
Assim como álcool, luvas e máscaras também estão em falta, inclusive junto aos fornecedores destes produtos.

“Foi como qualquer outra gripe”

A assistente de recursos humanos Marina Panseira Figueiredo Roussenq, 26 anos, adquiriu o vírus da nova gripe em uma viagem a Buenos Aires, na Argentina, durante o feriado de Corpus Christi. Ela foi o primeira caso confirmado da Influenza A em Tubarão e na Amurel. Recuperada, agora é Marina quem leva informação aqueles que ainda tratam os outros com preconceito. Por isso, mostrar o rosto e contar o houve é atitude de mérito.
“Na Argentina tinham muitos casos naquela época (junho) e a preocupação era maior. No aeroporto respondemos a uma lista de perguntas. Lembro que voltamos no domingo e já na terça-feira seguinte ela começou a apresentar os sintomas”, lembra o marido Jean Marcel Rousseng.

Como Marina era praticamente um caso raro em junho, conta que sentiu um certo despreparo no sistema de saúde para lidar com situações como a que ela estava. “Acredito que por ser novidade e também por não ter tanta informação na época, os profissionais não sabiam como proceder. Hoje, vejo que a cidade está preparada”, compara.
Quando saiu o resultado, duas semanas após o exame, Marina já estava curada. “Nem cheguei a tomar o tamiflú”, lembra. Mesmo assim, muitos de seus amigos e colegas não levaram a sério sua melhora. Entre a família, Marina foi a única a desenvolver a doença. Os dois filhos e o marido, que também viajaram para a Argentina, não tiveram nada.

Marina trabalha em uma empresa com 300 funcionários e foi a única a adquirir o vírus. Ainda assim, não foi entre os colegas que sentiu maior preconceito, mas sim da escola dos filhos. “Fiquei de licença durante 15 dias. Senti-me discriminada, principalmente na escola, com os meus filhos. Alguns pais me perguntavam porque eu estava circulando no colégio. Até boatos de que os meus filhos estavam gripados foram feitos. Lamentável”, pontua Marina.

As relações de poder são arcaicas no Brasil

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Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Hoje, é comum os brasileiros mudarem-se para Portugal, mas o senhor fez o contrário. Como decidiu vir para Santa Catarina?
Alberto
– Eu venho para o Brasil desde jovem. Estive aqui pela primeira vez em 1978. Vim outras vezes, casei com um brasileira, e em 2002 em vim para Santa Catarina já para trabalhar na Unisul. Eu tinha vindo em setembro de 2001 para acertar a contratação com a universidade. Em 2002, vim de mala e cuia.

Notisul – Quando você veio para o Brasil em 1978, foi a passeio?
Alberto
– Foi a passeio, para conhecer algumas pessoas com as quais eu tinha contato. Tinha 23 anos na época e conheci parte do Brasil. Estive mais de um mês, fiz Rio, São Paulo, Minas, interior de Goiás, Mato Grosso, Bahia. Eu vim mais vezes depois de conhecer a minha esposa. Ela é de Bom Retiro e nos conhecemos. Ela foi para Portugal,, moramos lá sete anos, em Lisboa, e decidimos vir para o Brasil.

Notisul – Como foi essa mudança, uma vez que o senhor morava na capital de Portugal, e decidiu vir para Tubarão?
Alberto
– Há sempre um choque. Nós compartilhamos a mesma língua, mas dentro do países existem diferenças culturais grandes.Encontrei aqui um Brasil que eu não tinha conhecimento. Um Brasil bastante europeu. Conhecia antes o norte, nordeste, o chamado Brasil tropical. E, quando vim morar aqui, deparei-me com um país diferente. Visto que a imigração de alemães e italianos é mais recente, 1870, 1880, e os açorianos e portugueses do continente um pouco antes, 1740. Portanto, é um fênomeno recente e deixa as suas marcas na cultura.

Notisul – Na sua avaliação, o sul é de fato, mais europeu?
Alberto
– Eu acho que em algumas coisas sim. Já houve uma miscigenação grande. O fator português, açoriano, italiano e alemão estão bem compensados, não existem clivagens. Mas as características são diferentes do restante do Brasil. As comunidades são mais fechadas, reservadas e nisso são muito europeias (risos).
Notisul – Como o Brasil é visto lá em Portugal? Porque aqui você deve ter ouvido muitas piadas de português…
Alberto – Como nós fomos os colonizadores do Brasil, o conhecimento sobre a cultura e a história são maiores, mas ele não é aprofundado. Por exemplo, quando se fala de Brasil, o povão, o que se imagina? Rio, São Paulo, nordeste, as praias com coqueiros.

Notisul – O Brasil Carmem Miranda?
Alberto
– Ela foi a imigrante portuguesa/brasileira de maior sucesso nos Estados Unidos (risos). Essa ideia da tropicalidade que ela representa é o que se pensa do Brasil. De sol, de praia, de mar, calor, coqueiros. Mas o sul é pouco conhecido e é diferente. O Brasil é visto com muito carinho pelos portugueses, afinal, nós fomos os colonizadores, apesar das muitas críticas, ao modelo português, com tudo que há de bom e de mais ruim.

Notisul – Politicamente, como o Brasil é visto? Mudou muito após as viagens de Fernando Henrique (PSDB) e de Lula (PT)?
Alberto
– Eu acho que não é muito visto por lá, porque não há informações. Os jornais falam quando há eleições, mas os escândalos não têm repercussão lá, até porque não é interesse deles. Lá, a população está voltada para os seus próprios políticos e com a União Europeia.

Notisul – Nos artigos que você escreveu para o Notisul, falou da possibilidade dos municípios saírem da Amurel. Como você vê essa questão?
Alberto
– O que eu escrevi é o que eu penso. Com base na experiência acumulada com a União Europeia. A integração funciona mais do que a desintegração. Nós estamos em um mundo global, onde as relações são complexas e complicadas. Complexas porque são interligadas, vem do latim complexus. Edgar Morin fala que é complexo algo que é tecido em conjunto. E hoje há uma interdependência muito grande entre as coisas e pessoas. Isso significa que é muito difícil uma pessoa, um país, uma região, um município tenha um protagonismo grande se trabalhar sozinho. Hoje, isso não existe mais. Justamente porque as relações são profundas, têm uma diversidade de fatores que tudo parece ir ao encontro a uma ideia de cooperação e integração. Essa é a tônica que a União Europeia tem dado nas últimas décadas. Não apenas em relação a si mesma, mas também multilaterais. Então, transportando tudo isso para o sul catarinense, eu acho que os municípios ganham mais se integrarem-se em uma filosofia de cooperação, de relações entre iguais, do que três ou quatro quererem criarem uma outra associação, porque ela será apenas virtual. Porque hoje nada é feito isolado.

Notisul – Essa certa rivalidade que obsersavamos na região pode ser usada como analogia para o Mercosul? Desta dificuldade de se ver o bloco econômico funcionar de fato, já que a Argentina puxa de um lado, o Brasil de outro?
Alberto
– Essa rivalidade é antiga. Esse arquétipo funciona desde uma escala global, para os continentes, países, indíviduos e até entre os indivíduos e organizações. Hoje, uma das grandes tônicas da gestão moderna é justamente a integração das competências para criar algo em comum. Algo que seja mais forte, mais competitivo. Acho que hoje é a única saída, ou ao menos uma cooperação entre iguais, para que haja o desenvolvimento economicamente sustentável e também ambientalmente sustentável.

Notisul – E você, como profissional da área de gestão, como observa essa preocupação com o meio ambiente, os empresários estão mais conscientes disso?
Alberto
– Aqui no Brasil, tem alguns aspectos mais adiantados, outros menos do que na Europa. As empresas hoje estão pretendendo um desenvolvimento econômico em harmonia com o meio ambiente. Na Europa, esse esforço é um pouco mais antigo, até porque eles foram grandes poluidores. Na década de 1950, houve um boom industrial no pós guerra, com muitas fábricas e sem os cuidados adequados. Viu-se então que esse não era o melhor caminho. Já nos anos 1980, começaram a trabalhar em tecnologias limpas. E no Brasil essa preocupação é mais recente, até porque o desenvolvimento industrial do país é mais recente.

Notisul – Poderia ser também um reflexo do conceito de que os recursos naturais no Brasil são infindáveis?
Alberto
– Uma pelo atraso do desenvolvimento industrial, que é normal, e depois com a ideia de achar que os recursos não acabarão, porque é tudo muito abundante no país. Como o Brasil é muito grande, acham que as matas não têm fim, que a água não tem fim, e não é bem assim. Hoje, está se vendo que estes recursos tem um limite. Eu acrescento ainda um outro fator: uma ambição desmedida dos empresários. Se nota que o empresário quer ter um lucro imediato, rápido, investindo pouco e sem se ater muito às regras. Há muitos anos observo isso no Brasil, essa questão do imediatismo. E nisso se enquandra a questão ambiental, os desmatamentos.

Notisul – Podemos ter aí um certo resquício da colonização portuguesa? Porque a ideia dos colonizadores era sair de Portugal, vir para o Brasil, ‘ficar rico’ e voltar para a Europa…
Alberto
– Eu acredito que existe um eco. O país sempre foi um pouco assim e hoje continua, de certa forma. Em Portugal, houve mudanças, um amadurecimento do pensamento político, social e humano e hoje deu uma nova mentalidade. Aqui, o processo é mais lento. No Brasil, os resquícios da escravidão, este estado de senhor e escravo, de um ter totais direitos e outro nada poder, foi perpetuado por muito mais tempo do que em Portugal. São resquícios de um tempo que não volta mais e é insustentável manter isso, não apenas em relações pessoais, mas também com o meio ambiente.

Notisul – Esse amadurecimento que você fala também tem que ser conquistado na área política?
Alberto
– Sim. Mas isso não apenas no Brasil, também em outros lugares, como os países islâmicos, oriente médio. Eles ainda não derrubaram um certo feudalismo. Só que eu vejo que o Brasil precisa avançar mais. O país tem potencial para alcançar o reconhecimento internacional. Para competir com outros países, com relações políticas mais sofisticadas, é preciso seguir algumas regras, até por uma certa ética. Aí é que está o problema. O Brasil tem que evoluir mais. Encontramos aqui pessoas muito inteligentes, preparadas em muitas áreas, técnicas, humanas, mas as relações de poder são muito arcaicas. Eu vejo o Brasil ao mesmo tempo em muitas épocas. Ou seja, há um Brasil que se encontra na Idade Média, outro que está no Renascimento, no Iluminismo, na Revolução Francesa, na Revolução Industrial, na Modernidade e outro ainda que é Pós-Moderno. Mas a parte antiga continua a puxar muito e a condicionar o desenvolvimento, não apenas econômico, mas social. E isso se reflete no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Por exemplo, os últimos números mostraram que em termos de Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é a décima economia do mundo, mas em IDH está lá embaixo. Já o índice de corrupção, é um dos mais altos. Há uma série de disparidades que precisam ser ajustadas. Para que realmente o desenvolvimento seja compatível com o potencial do Brasil.

Notisul – Isso ocorre por que a nossa visão de estado ainda é muito paternalista, mas que ao mesmo tempo não é um estado de bem estar social?
Alberto
– Eu até uso como um paradigma um filme que foi sucesso nos anos de 1980. É um filme italiano chamado Padre Padrone, ou seja, um pai patrão. O enredo é sobre uma criança que é extremamente reprimido por um pai com excesso de autoridade. O paradigma político aqui é bem esse, padre, padrone. É um pai que é altamente protetor, mas pensa muito nele mesmo e que esquece dos próprios filhos. Porque os filhos querem crescer, estudar, viver melhor, bons hospitais, boas estradas, mas o pai retém boa parte da riqueza. Eu não comparo Brasil com Europa, porque são duas realidades diferentes. O que eu vejo é que, no Brasil, o país poderia estar melhor, se fosse menos arcaico de relações de poder, de organização da administração pública.

Notisul – Na história, fala-se do fato, do contexto e da estrutura. No caso do Brasil, mudou-se o fato e o contexto, mas a estrutura não. É isso que você observa quando fala de relações arcaicas?
Alberto
– É isso aí. O problema é estrutural e, por sua vez, acaba sendo sistêmico. Assim, a estrutura reflete-se nas pontas. E, por ser sistêmico, reflete-se também no comportamento humano. O que falta é a cooperação, daí essa a minha crítica de Brasília como Versailhes. A corte de Luiz 16, no século 18, consumia praticamente tudo o que a França produzia. O resultado é que o povo era subdesenvolvido, pobre, faminto e resultou na revolução feita pelos intelectuais. E no Brasil, o problema hoje é que a maior parte das riquezas, do PIB, fica no bolso de poucos e é mal distribuído, não como uma dádiva, e sim como investimento no ser humano. Porque tudo é feito pelo ser humano.

Notisul – E voltando à área de gestão. Pela sua experiência, os empresários estão mais preocupados em remunerar melhor os funcionários?
Alberto
– Sim. Observo muito isso em pesquisas, em leituras. Há cases de sucesso em áreas de responsabilidade humana, social e de um novo estilo de gestão. Uma gestão mais participativa. Com a capacidade de se delegar, de ser flexível, rápido, ágil e responsável. Tudo isso faz parte de novas ideias que podem ser aplicadas desde a política às empresas. Em alguns países como a Inglaterra, Portugal, Holanda, tem se buscado também a eficiência de gestão na administração pública. Aplicando modelos de gestão semelhantes à iniciativa privada, reduzindo custos da máquina pública e oferencendo melhores serviços aos cidadãos.