Se buscarmos dentro de cada época, veremos que existiram veículos que se transformaram em verdadeiros ícones. O modelo T, de Henry Ford, vendeu 15 milhões de unidades nos idos de 1920, um assombro até hoje. Por aqui, já temos história de sucessos. Comecemos com o mais longevo deles, a velha Kombi, fabricada desde 1957, durante longos 56 anos, um de nossos primeiros veículos. A única alternativa para o transporte de quase uma tonelada de carga só veio a ter concorrentes na década de 90, unindo o conceito de transporte barato, mecânica simples e rústica, mas com a ergonomia e segurança de uma época em que esses conceitos e preocupações não tinham nenhuma importância.
O velhinho Fusca reinou absoluto por muitas décadas. Fabricado aqui desde 1959 até 1996, sintetizou o conceito de veículo popular. Inicialmente encomendado por Hitler, que imaginava conquistar inclusive a África, inovou com a refrigeração a ar e não a água, por óbvias razões, já que se destinava a circular no deserto, uniu a mecânica simples, barata e confiável, aliado a uma resistência incomum, mesmo em condições severas, que lhe valeram vários apelidos, como “poisé”, teimoso, etc. Foi até reinventado, a pedido do presidente Itamar. Confundindo os conceitos de carro antigo, com projeto ultrapassado, acabou ainda incorporando a preferência pelo modelo duas portas, inclusive em taxis, sem similar em qualquer outra parte do mundo. Saiu de cena atropelado pela concorrência, que reclamava conforto, menor poluição e evolução tecnológica.
O Galaxie 1967, projeto oriundo da América do Norte, passou por duas crises do petróleo, de 1973 e 1979, consagrando sobretudo os modelos mais luxuosos como Landau e LTD, com motores acima de 4,5 litros com nível de conforto ainda não superado, segundo muitos saudosistas. Deixou de ser fabricado por volta de 1983. No museu da Ulbra, existe um exemplar de cada uma das cores, em estado zero quilômetro.
Outro exemplo marcante foi o Opala, na verdade uma mistura de motor do Impala com a carroceria do Opel. Apareceu em 1968 e continuou a ser fabricado durante 23 anos, unindo conforto, confiabilidade e desempenho, nas versões mais incrementadas, um ícone para a classe média da época, sobretudo por conjugar preço e qualidade, algo que o consumidor percebe e apoia.
O VW Gol foi lançado em 1980 com o inadequado motor 1300 refrigerado a ar. Corrigiu sua trajetória e reinou como o mais vendido em seu segmento de 1987 a 2013, com mudanças significativas em 1994 e 2008. As razões para o sucesso foram as mesmas do Fusca, robustez, mecânica simples e manutenção acessível. O Monza, lançado em 1982, não sendo um modelo básico e sim um modelo compacto, médio, conseguiu superar entre 1984 e 1986 os modelos de entrada, como o Chevette, de 1973, o VW Passat, 1974, e o Fiat 147, de 1976. Até hoje, nenhum modelo deste segmento conseguiu superar os concorrentes de entrada.
O Fiat UNO, lançado em 1984, herdando em parte o anterior Fiat 147, aproveitou muito bem a redução de impostos para os modelos com até 1000 cm3, em 1990, deixando a concorrência tonta pela reação rápida e eficaz, frente às inovações. Reinou com boas vendas até 2013 e sua versão básica durante 29 anos do modelo, aproximando-se do sucesso do Fusca. (Com adaptações, matéria do jornalista Fernado Calmon).