No cumprimento da Lei nº 3289/09, Area-TB, Conselho Municipal de Segurança, prefeitura, via Defesa Civil, e câmara de vereadores promoverão, amanhã, entre 8h30min e 12 horas, no auditório da Amurel, o 5º Seminário – 39 Anos da Inundação de 1974, que destruiu a cidade e vitimou 199 pessoas.
O objetivo é mantê-la viva na memória da coletividade e envidar esforços para que outra não ocorra. E, se acontecer, que os efeitos sejam mínimos. Assim agem judeus, japoneses e americanos, para não esquecerem o horror do holocausto, das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, do gigantesco tsunami e da destruição das Torres Gêmeas, respectivamente, procurando evitar que se repitam.
Este 5º seminário focará nas ações locais para que o nosso rio não transborde, mas, se o fizer, que todo tubaronense saiba como proceder e, na ordem de serviço do governo estadual, para que a empresa Prosul inicie o projeto – condição para alavancar os R$ 80 milhões do governo federal que viabilizarão a redragagem e as obras complementares. É fundamental lembrar que Santa Catarina recebeu, no ano passado, R$ 594 milhões para prevenção de desastres naturais, e Tubarão nenhum centavo, porque não tem o referido projeto.
Nas inundações, até a de 74, admite-se que a população tubaronense foi pega de surpresa. Se houver outra – com tantas informações, tantos alertas, tantas tecnologias, tanto dinheiro público desperdiçado -, será forçoso admitir, que houve, no mínimo, descompromisso e omissão.
Em decorrência dos seminários anteriores, criou-se o Núcleo de Pesquisas sobre Desastres Naturais na Unisul (que apresentou o mapa de risco geotécnico da cidade – modelo Shalstab). A Defesa Civil Municipal realizou capacitações, obteve equipamentos e nova sede. Cidasc e Deinfra realizaram a batimetria do rio e orientaram projetos complementares e área de bota-fora. A câmara municipal criou a lei nº 3289/09, que justifica e determina a ocorrência anual deste evento.
Documento encaminhado para a promotoria pública resultou na campanha Cidade Legal, com objetivo de contribuir para conter invasões, que se tornam, inevitavelmente, áreas de risco. A Associação Regional de Engenheiros e Arquitetos de Tubarão (Area-TB) apresentou projeto para monitorar o Rio Tubarão, por meio de sensores, e divulgar, em tempo real, via internet. Foram liberados R$ 5 milhões pela Caixa Econômica Federal para a macrodrenagem e construção de duas estações elevatórias na margem esquerda. Tubarão foi escolhida pela ONU para participar do programa ‘cidades resilientes’. Recuperaram-se projetos de prevenção de cheias, incluindo construir barragens, elaborados pelo extinto DNOS, em 1978. Aspectos institucionais, legislação estadual e federal sobre gestão de bacias hidrográficas, fundamentais para a nossa região, foram apresentados. Escolas debatem a tragédia e formas de evitá-la. Às 15 horas de 24 de março, momento em que as águas estouraram em nossa cidade, os sinos das igrejas bimbalharam e as portas de algumas casas comerciais baixaram por um minuto.
Participe. Dê sugestões e faça cobranças ou literalmente tudo poderá ir por água abaixo. Afinal, se repetido o fenômeno da recorrência – as inundações anteriores ocorreram a cada 40 anos -, estamos muito próximos.
