Agentes do FBI realizaram, nesta quarta-feira (14), uma busca na casa da jornalista Hannah Natanson, do Washington Post, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. A operação ocorreu no contexto de uma investigação sobre vazamento de informações confidenciais do governo norte-americano durante a gestão do presidente Donald Trump.
Segundo o jornal, os agentes apreenderam um telefone celular, notebooks e um relógio pertencentes à repórter. Em nota, o Washington Post classificou a ação como “extremamente incomum e agressiva”, destacando que buscas na residência de jornalistas são raras e levantam preocupações sobre a liberdade de imprensa.
Repórter cobre Casa Branca e reformas do governo federal
Hannah Natanson é responsável pela cobertura da Casa Branca e acompanha, ao longo dos últimos meses, a reformulação do governo federal promovida por Donald Trump. Entre suas reportagens mais recentes estão matérias sobre o agravamento da situação da previdência social nos Estados Unidos e a demissão de diversos embaixadores pelo presidente.
De acordo com o Washington Post, os investigadores informaram à jornalista que ela não é alvo direto da apuração. A investigação tem como foco Aurelio Perez-Lugones, funcionário terceirizado do Pentágono, suspeito de imprimir e repassar ilegalmente informações oficiais de defesa nacional à imprensa.
Investigação apura vazamento de documentos secretos
As autoridades afirmam ter encontrado documentos classificados como “secretos” no carro e na residência de Perez-Lugones. Embora ele tivesse acesso a esse tipo de material, não estaria autorizado a retirá-lo das dependências oficiais.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, confirmou a operação em uma publicação nas redes sociais e informou que o suspeito foi preso. Segundo ela, o mandado de busca contra a jornalista foi cumprido a pedido do Departamento de Defesa.
Em sua declaração, Bondi afirmou que o governo Trump não tolerará vazamentos ilegais de informações confidenciais, alegando que esse tipo de prática representa riscos à segurança nacional e às forças armadas do país.
Casa Branca reforça discurso contra vazamentos
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, também comentou o caso. Em nota, afirmou que o vazamento de informações confidenciais “coloca em sério risco a segurança nacional dos Estados Unidos e a proteção de militares”.
Até o momento, não há confirmação oficial de qualquer relação direta entre a jornalista e o funcionário investigado. O episódio, no entanto, é visto como uma escalada na já tensa relação entre o governo Trump e a imprensa norte-americana.
Mudança em política sobre proteção a jornalistas
Em abril do ano passado, Pam Bondi revogou uma política adotada durante o governo de Joe Biden que impedia autoridades federais de acessar registros telefônicos de jornalistas em investigações sobre vazamentos. A mudança abriu caminho para ações mais duras contra profissionais da imprensa em casos envolvendo informações sigilosas.
Especialistas em liberdade de imprensa apontam que medidas desse tipo podem gerar um efeito intimidatório sobre o jornalismo investigativo nos Estados Unidos.

