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Nereu, Jorge e Leoberto

 

No dia 16 de junho de 1958, há exatos 54 anos, o vizinho estado do Paraná presenciou o primeiro grande acidente aéreo em seu solo. Procedente de Porto Alegre, com destino ao Rio de Janeiro e escala em Florianópolis, o Convair 840 da companhia aérea Cruzeiro do Sul colidiu, às 18h45min, com um pinheiro e foi ao chão num local chamado Capão do Cerrado, próximo à Colônia Muricy, em São José dos Pinhais, a 30 quilômetros de Curitiba, vitimando 18 dos 24 ocupantes.
Neste sábado, Santa Catarina e o Brasil lembram a trágica morte nesse desastre aéreo de três grandes homens públicos catarinenses – Nereu Ramos, Jorge Lacerda (foto) e Leoberto Leal.
 
A tragédia causou comoção nacional. As circunstâncias em que se deu a interrupção da mais célebre carreira política de Santa Catarina e das outras duas jovens e promissoras trajetórias da vida pública catarinense foi um duro golpe para a história do estado.
 
Com exceção da vereança, Nereu Ramos foi o único catarinense que percorreu todos os degraus que um político pode almejar: deputado estadual, deputado federal, senador, governador, ministro, vice-presidente e presidente da República.
Sua chegada à culminância dessa trajetória deu-se num clima de intensíssima comoção nacional. Após o suicídio do presidente Getúlio Vargas, e estando impedidos tanto o vice-presidente, Café Filho, quanto o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, na qualidade de 1º vice-presidente do Senado Federal Nereu assumiu a presidência.
 
Filho de imigrantes gregos e nascido em Paranaguá (PR), o advogado e médico conceituado Jorge Lacerda, então um jovem de 43 anos, estava no segundo ano de seu mandato de Governador de Santa Catarina quando morreu. Dotado de altíssimo preparo intelectual, no Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista, foi editor de famoso suplemento literário do jornal A Manhã, conviveu com grandes intelectuais da época, como Augusto Frederico Schmidt, Adonias Filho, Dinah Silveira de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Manuel Bandeira. Com essa forte bagagem cultural, foi um dos políticos mais talentosos do Estado e fazia um governo bem-sucedido e inovador, o que indicava uma carreira promissora.conviveu com grandes intelectuais da época, como Augusto Frederico Schmidt, Adonias Filho, Dinah Silveira de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Manuel Bandeira), foi um dos políticos mais talentosos do estado e fazia um governo bem-sucedido e inovador, o que indicava uma carreira promissora.
 
Formado em Direito no Rio de janeiro, advogado do Juizado de Menores de Florianópolis. Secretário da Viação e Obras Públicas e Agricultura (1947-50), Leoberto Leal era Deputado federal quando de seu falecimento. Em sua homenagem, o nome do município de Vargedo ganhou o seu nome em 12-12-1962.
 
Juscelino Kubitschek, então presidente da República, mostrou seus sinceros sentimentos diante da catástrofe: “Nunca o ato de decretar luto nacional terá correspondido mais ao sentimento íntimo de um presidente da República do que neste momento. Sinceramente consternado é que deploro as numerosas vidas perdidas e me volto para as três figuras ilustres desaparecidas neste desastre”.
 
Juscelino chorou à beira do túmulo de Nereu Ramos. Afinal, fora das mãos dele que recebera a faixa presidencial e o governo do país.
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