Por Walney Raimondi – CEO na Raimondi Artefatos de Cimento e sócio do Gran Monvieri Condomínio Club
O mercado imobiliário acompanha os movimentos da economia local. Onde há geração de empregos, empresas em expansão, circulação de renda e crescimento populacional, surge a necessidade de ampliar e qualificar a oferta de moradia. Essa relação explica por que cidades médias e municípios vizinhos a polos econômicos têm recebido novos investimentos.
Santa Catarina reúne vários exemplos desse processo. O estado tem uma economia diversificada e uma rede urbana formada por municípios próximos, que mantêm laços econômicos e sociais entre si. Muitas pessoas trabalham em uma cidade, moram em outra e utilizam serviços distribuídos por toda a região. Os dados do IBGE confirmam essa característica: em 2023, as cinco maiores economias do estado responderam por 33,4% do PIB catarinense, uma das menores concentrações do país.
Brusque ocupa uma posição relevante nesse cenário. Em 2023, o município registrou Produto Interno Bruto de R$ 11,1 bilhões, o nono maior de Santa Catarina, e PIB per capita superior a R$ 78 mil. A população passou de 105,5 mil habitantes em 2010 para 141,4 mil em 2022, crescimento de 34% em doze anos. A estimativa divulgada pelo IBGE em agosto de 2026 aponta 158,6 mil moradores, e a Análise Situacional da Habitação em Brusque, elaborada pela Facisc e pelo IEL, projeta entre 220 mil e 260 mil habitantes para 2050.
Esse crescimento não se limita às fronteiras municipais. Ele alcança as cidades vizinhas, amplia os deslocamentos diários, estimula novos negócios e cria demanda por diferentes formas de morar. Guabiruba está no centro dessa dinâmica. O município faz divisa com Brusque, Botuverá, Gaspar e Blumenau, e o Centro de Brusque fica a poucos minutos de carro.
A evolução de Guabiruba mostra como esse movimento se consolida. A população passou de 18,4 mil habitantes em 2010 para 24,5 mil em 2022, o que representa um aumento de 33%. A estimativa do IBGE para 2026 é de 27,2 mil moradores, e o PIB per capita alcançou R$ 60,8 mil em 2023. A cidade cresce sem perder aquilo que a define: a herança dos imigrantes alemães e italianos, a paisagem do Vale e a vida em comunidade.
Para o setor imobiliário, esses números indicam uma combinação consistente: crescimento demográfico, renda em circulação e proximidade com um polo regional. Daí a procura por imóveis que acompanhem as novas etapas da vida das famílias. Há quem busque mais espaço, quem deseje sair de áreas muito adensadas e quem queira permanecer perto do trabalho sem abrir mão da tranquilidade.
A decisão de investir, porém, não pode se apoiar apenas no desempenho econômico atual. É preciso avaliar se a cidade tem condições de sustentar o próprio crescimento. Infraestrutura urbana, mobilidade, oferta de serviços, planejamento territorial e preservação ambiental influenciam diretamente a valorização de uma região. O crescimento que ignora esses cuidados tende a comprometer a qualidade de vida que atraiu os novos moradores.
Também é necessário compreender o perfil local. Projetos desconectados da rotina e da cultura de uma cidade enfrentam dificuldades, mesmo quando os indicadores econômicos são positivos. Cada mercado pede uma proposta própria. O desenvolvimento precisa dialogar com a paisagem, com as formas de convivência e com o que os moradores esperam para os próximos anos. Em Guabiruba, isso significa respeitar a escala da cidade, a presença da natureza e a proximidade entre os vizinhos.
Há ainda uma responsabilidade que vai além do empreendimento. Quem incorpora em uma cidade em crescimento interfere na forma como ela vai se organizar nas próximas décadas. Destinar áreas à vegetação e à preservação, investir em infraestrutura e projetar espaços de convivência são decisões que perduram após a última venda. São elas que definem o legado deixado à região.
Cidades economicamente fortes atraem investimentos porque oferecem mercado, oportunidades e perspectivas de longo prazo. Quando essa força se estende aos municípios vizinhos, cria-se um ambiente regional mais favorável. O setor imobiliário participa desse ciclo ao transformar crescimento econômico em lugares para morar, conviver e construir patrimônio, e deve fazê-lo com a mesma solidez que se espera da economia que o sustenta.
