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PF apura fraudes ambientais na área da Baleia-Franca em Jaguaruna

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (29) uma operação para combater irregularidades na emissão de licenças ambientais dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia-Franca, no Sul de Santa Catarina. A ação, batizada de “APA Segura”, cumpre 16 mandados de busca e apreensão em sete municípios catarinenses.

Entre os alvos estão o Instituto Municipal do Meio Ambiente de Jaguaruna (IMAJ) e a Diretoria de Planejamento Urbano do município. Servidores públicos e outros suspeitos também são investigados por fraudes em certidões, licenças e laudos ambientais.

Cidades alvo da operação

Além de Jaguaruna, as ordens judiciais são cumpridas em Itapema, Araranguá, Urussanga, Armazém, Capivari de Baixo e Tubarão. A operação ocorre após solicitação do Ministério Público Federal (MPF), que pediu a apuração de licenças concedidas entre 2015 e 2025 em desacordo com a legislação ambiental.

Fraudes e impactos ambientais

As investigações apontam a existência de uma organização criminosa voltada à negociação irregular de licenças e autorizações ambientais, com indícios de corrupção ativa e passiva. Segundo laudos técnicos, a urbanização desordenada pode causar contaminação de lençóis freáticos, enchentes e degradação da fauna marinha.

A APA da Baleia-Franca é considerada um berçário natural da espécie Eubalaena australis, baleia que migra anualmente para o litoral catarinense para reprodução e nascimento dos filhotes. A região é uma das mais sensíveis e fiscalizadas do estado por sua importância ecológica.

Declarações e próximos passos

Em nota, a Polícia Federal informou que a operação busca coletar provas e interromper práticas ilegais que estariam prejudicando a conservação da área de preservação. A Prefeitura de Jaguaruna e o IMAJ ainda não se manifestaram oficialmente sobre as investigações.

A PF destacou que os investigados podem responder por crimes contra a administração ambiental, corrupção e organização criminosa, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de prisão.

Entenda a megaoperação no Rio que já deixou mais de 100 mortos

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A megaoperação realizada no Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2025 foi a maior e mais letal da história do estado, mobilizando cerca de 2.500 policiais civis e militares. A ação teve como objetivo combater o Comando Vermelho nos Complexos do Alemão e da Penha, cumprindo 100 mandados de prisão contra lideranças e integrantes da facção.

Balanço e número de vítimas

O número de mortos ainda é incerto. O balanço oficial divulgado até esta quarta-feira (29) indica 64 mortes, incluindo suspeitos e quatro policiais — dois civis e dois do Bope.
Relatos de moradores e fontes independentes, porém, apontam que mais de 100 pessoas podem ter sido mortas, com corpos encontrados em áreas de mata no dia seguinte à ação.

Entre as vítimas estão 18 suspeitos identificados e dois policiais mortos durante os confrontos.

Prisões e apreensões

A operação resultou na prisão de 81 pessoas, entre elas Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão, apontado como operador financeiro da facção e braço direito de Edgar Alves, o Doca ou Urso.

Foram apreendidos 91 fuzis, 26 pistolas, granadas, 14 artefatos explosivos e toneladas de drogas. A ação contou com helicópteros, drones, 32 blindados e 12 veículos de demolição.

Foto: Divulgação

Confrontos e uso de tecnologia

Criminosos utilizaram drones para lançar explosivos contra as forças de segurança. Em resposta, a polícia empregou táticas de cerco conhecidas como “muro do Bope”, que visavam encurralar os traficantes dentro da área de 9 milhões de metros quadrados que abrange os complexos.

Os confrontos provocaram bloqueios em vias importantes, como a Avenida Brasil, e deixaram a cidade em estágio 2 de atenção por risco de novos incidentes.

Repercussão e impactos sociais

A operação gerou forte repercussão nacional e internacional. Moradores relataram horas de pânico, tiroteios intensos, casas atingidas e dificuldades para circular. Entidades de direitos humanos classificaram a ação como uma das mais letais da história da segurança pública brasileira.

A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) solicitou explicações oficiais sobre o número de mortos e a condução da operação. Já o governo estadual defende que a ação representou uma resposta ao avanço do tráfico e à expansão territorial do Comando Vermelho.

Repercussão internacional

Veículos como The Guardian e Deutsche Welle destacaram o episódio como um dos mais violentos do Rio, descrevendo cenas de guerra urbana e crise humanitária nas comunidades.

Debate sobre segurança pública

Especialistas afirmam que a operação expõe o dilema da segurança pública fluminense, marcada por confrontos de alta letalidade e pouca transparência nos resultados. Organizações civis alertam para o impacto psicológico e social nas comunidades, e cobram novos modelos de combate ao crime que priorizem a inteligência policial e a redução de danos.

Mega-Sena acumula e prêmio chega a R$ 7 milhões

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Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.933 da Mega-Sena, sorteado nesta terça-feira (28). Com isso, o prêmio principal acumulou e está estimado em R$ 7 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 01 – 18 – 22 – 42 – 48 – 50.

Mesmo sem ganhador na faixa principal, houve premiações para outras apostas.
De acordo com a Caixa Econômica Federal, 12 apostas acertaram cinco dezenas e levarão R$ 85.025,66 cada.
Outras 1.231 apostas fizeram quatro acertos e receberão R$ 1.366,22 cada.

Como apostar no próximo concurso

As apostas para o próximo sorteio podem ser feitas até as 19h desta quinta-feira (30), em qualquer lotérica do país ou pela internet, por meio do site e do aplicativo da Caixa.
O valor da aposta simples, com seis dezenas, é de R$ 6.

Fratura de pênis exige atendimento imediato para evitar sequelas

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FOTO Freepik Reprodução Notisul

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A fratura de pênis é uma condição médica rara, mas grave, que exige atendimento imediato. Ocorre quando há ruptura da túnica albugínea, uma membrana que envolve os corpos cavernosos do pênis, geralmente após um trauma durante a ereção — mais comum em relações sexuais vigorosas ou masturbação agressiva.

Embora o tema ainda seja cercado de constrangimento, médicos alertam que a demora em procurar atendimento pode causar complicações permanentes, incluindo deformação peniana e disfunção erétil.

Incidência e dados brasileiros

A incidência real da fratura peniana é subestimada, já que muitos pacientes evitam procurar socorro imediato. Estudos brasileiros indicam que o problema afeta cerca de 1 em cada 175 mil homens ao longo da vida, com maior ocorrência entre 27 e 35 anos.

Pesquisas realizadas em hospitais de Minas Gerais e no Sul do país mostram que 80% dos casos ocorrem durante o ato sexual, enquanto o restante está associado à masturbação, quedas ou até traumas durante o sono.

Segundo urologistas, o mecanismo típico é uma flexão súbita e forçada do pênis ereto, que rompe a túnica albugínea e causa hemorragia interna imediata.

“O paciente normalmente ouve um estalo, sente dor intensa e perde a ereção instantaneamente. O pênis incha e adquire formato curvado, o que chamamos de deformação em ‘berinjela’”, explica um urologista em publicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Causas mais comuns

As situações mais associadas à fratura peniana incluem:

  • Relações sexuais vigorosas (principal causa);

  • Masturbação agressiva;

  • Prática cultural conhecida como taqaandan, que consiste em dobrar o pênis ereto para provocar um “estalo”;

  • Traumas acidentais, como quedas ou movimentos bruscos durante o sono.

Em alguns casos, há também lesão uretral, registrada em 11% a 22% dos pacientes, o que pode provocar sangramento pela uretra (uretrorragia) e dificuldade para urinar.

Complicações e riscos

A fratura peniana é uma emergência urológica. O diagnóstico é clínico e o tratamento precisa ser realizado o quanto antes. A demora pode levar a sequelas como:

  • Deformação peniana permanente (em cerca de 14% dos casos);

  • Disfunção erétil (em 5% a 6% dos casos);

  • Formação de nódulos e fibrose;

  • Sensibilidade alterada no glande;

  • Lesão uretral ou dificuldade urinária persistente.

Médicos alertam que, mesmo sendo raro, o quadro não deve ser ignorado ou tratado em casa.

Tratamento e recuperação

O tratamento padrão é cirúrgico e deve ser feito nas primeiras 48 horas após o trauma. A cirurgia reconstrutiva permite reparar a túnica rompida e preservar a função erétil.

Estudos clínicos brasileiros mostraram que pacientes operados rapidamente recuperam a função sexual em poucas semanas e apresentam baixo índice de curvatura peniana residual.

O uso de anti-inflamatórios, resfriamento local e repouso sexual por cerca de 30 dias fazem parte do pós-operatório.

“A cirurgia precoce garante melhores resultados e evita sequelas permanentes. O atendimento tardio é o principal fator de complicação”, destaca um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Quando procurar ajuda médicaFratura de pênis exige atendimento imediato para evitar sequelas

Os principais sinais que indicam uma possível fratura de pênis são:

  • Estalo súbito durante o ato sexual ou masturbação;

  • Dor intensa e imediata;

  • Perda instantânea da ereção;

  • Inchaço e hematoma;

  • Deformidade visível;

  • Sangramento pela uretra.

Diante desses sintomas, o paciente deve procurar um pronto-atendimento imediatamente e solicitar avaliação de um urologista.

Conscientização e quebra de tabu

Apesar de ser uma emergência médica conhecida pelos especialistas, a fratura peniana ainda é um tema tabu no Brasil. O constrangimento leva muitos homens a adiar o atendimento, o que aumenta o risco de sequelas.

Campanhas de conscientização da Sociedade Brasileira de Urologia reforçam que buscar ajuda rápida é essencial e que o tratamento cirúrgico tem altas taxas de sucesso quando feito a tempo.

“A vergonha não pode ser maior que a saúde. Quanto antes o paciente procurar ajuda, melhor será o resultado”, reforçam os especialistas.

Chuvas intensas causam alagamentos e suspensão de aulas em Gravatal

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FOTO PMG Divulgação, Notisul

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A chuva persistente das últimas 24 horas causou alagamentos em diferentes pontos de Gravatal e a suspensão de aulas em algumas localidades do município. Segundo a Defesa Civil Municipal, o volume acumulado chegou a 86 milímetros em apenas um dia.

De acordo com a coordenadora da Defesa Civil, Mônica Costa Onofre, algumas localidades do interior estão com dificuldades de locomoção, e trechos ficaram parcialmente intransitáveis.

“Pedimos atenção especial aos motoristas e cuidado no tráfego, principalmente na Ilhota, onde há animais soltos na pista. Estamos verificando in loco todos os pontos”, informou a coordenadora.

Transporte escolar e aulas afetadas

O transporte escolar foi impactado pelas chuvas. A Secretaria Municipal de Educação comunicou a suspensão das aulas para os alunos das localidades de Ilhota, Indaial, Indaial de Cima e Morro de Fátima.

A secretária de Educação, Andréia Assmann, explicou que os ônibus enfrentaram dificuldades para trafegar em determinadas vias.

“Por isso, os alunos estão dispensados nesta tarde e as faltas estão justificadas”, informou a secretária.

Defesa Civil mantém monitoramento

As equipes da Defesa Civil seguem em campo monitorando as regiões mais atingidas, avaliando danos e garantindo a segurança da população.

A orientação é que os moradores evitem trafegar por áreas alagadas e redobrem a atenção ao dirigir.

Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil Municipal ou entrar em contato diretamente com a Prefeitura de Gravatal.

Chuva intensa causa suspensão temporária de aulas em Tubarão

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IMAGEM PMT Divulgação, Notisul

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A Prefeitura de Tubarão, por meio da Fundação Municipal de Educação, informou que as aulas no Centro de Educação Infantil Professor José Santos Nunes foram suspensas na manhã desta quarta-feira (29) devido ao alto volume de chuvas, que impossibilitou o acesso seguro à unidade escolar.

Com a melhora das condições climáticas e a redução do volume de chuva, as aulas serão retomadas normalmente no período da tarde, segundo a prefeitura.

A equipe da Fundação de Educação reforçou que a medida foi preventiva, adotada para garantir a segurança de alunos e servidores.

“Nossa prioridade é sempre a segurança das crianças e das equipes escolares. Assim que as condições se normalizaram, autorizamos o retorno das atividades”, destacou a Fundação.

O município segue monitorando as condições meteorológicas e a situação das demais unidades de ensino. Até o momento, nenhuma outra escola ou creche registrou ocorrências significativas.

Licitação para reforma do deck do Casario em Tubarão é aberta

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A prefeitura de Tubarão abriu o processo de licitação para definir a empresa responsável pela reforma do deck do Casario, localizado na rua Lauro Müller, às margens do Rio Tubarão. O resultado deve ser conhecido no próximo mês.

A nova estrutura será feita em concreto, com guarda-corpos em aço inox, substituindo o antigo deck de madeira que estava deteriorado. O investimento total estimado é de R$ 483.728,32. As propostas poderão ser enviadas até 10 de novembro, e a previsão é de que a obra seja concluída até o Natal deste ano.

Segundo a prefeitura, o objetivo é oferecer uma solução mais duradoura e segura, com materiais resistentes que suportem até 20 anos de uso e exijam baixa manutenção. Os recursos para execução são próprios do município.


Estrutura antiga está interditada há 10 meses

De acordo com o edital de licitação, a requalificação do deck inclui a substituição completa da estrutura de madeira, execução de laje painel treliçada e acabamento superficial em concreto alisado.

O documento também prevê a remoção e destinação ambientalmente correta dos resíduos da obra, além de adequações voltadas à acessibilidade, segurança e durabilidade do espaço.

O deck do Casario está interditado há 10 meses, desde que parte do assoalho cedeu e um homem acabou se ferindo no local.

Chuva intensa causa alerta para alagamentos e deslizamentos em Santa Catarina

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A instabilidade atmosférica que atua sobre Santa Catarina provocou volumes expressivos de chuva em diversas regiões do estado nas últimas 24 horas, principalmente no Litoral Sul e no Oeste. Conforme dados atualizados da Defesa Civil estadual, municípios como Timbé do Sul, Morro Grande, Tubarão e Orleans registraram acumulados significativos, elevando o risco de alagamentos e deslizamentos em áreas vulneráveis.

Em Tubarão, o acumulado chegou a 37,2 mm, enquanto Orleans registrou 36,6 mm. Em Timbé do Sul, a precipitação atingiu 47,8 mm, e Morro Grande somou 40 mm. A combinação da chuva persistente com o solo já encharcado mantém a região em estado de atenção.


Defesa Civil mantém alerta moderado

De acordo com o órgão, o alerta é moderado para novas precipitações, principalmente entre o Litoral Sul, Grande Florianópolis e Planalto Sul, nas próximas horas.

A tendência indica que, nesta quarta-feira (29), a chuva perde intensidade no Oeste, mas persiste na faixa litorânea, especialmente entre a Grande Florianópolis e o Sul do estado, com possibilidade de novos acumulados significativos.


Orientações da Defesa Civil

A Defesa Civil de Santa Catarina orienta a população a manter a atenção redobrada e adotar medidas preventivas:

  • Evitar trafegar por áreas alagadas ou com correnteza;

  • Redobrar a atenção em pontes, passagens estreitas e pontilhões, que podem ficar submersos rapidamente;

  • Evitar deixar crianças próximas a rios, ribeirões e canais;

  • Em caso de risco, procurar abrigo em local seguro e acionar a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).

As equipes de monitoramento seguem acompanhando o avanço das áreas de instabilidade e a atualização dos acumulados de precipitação em todo o estado.

O “só celular” está criando uma lacuna de habilidades e precisamos reagir

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Por Antonio Beluco

O Brasil conectou sua infância e adolescência quase por completo, mas pela porta estreita do smartphone. Em 2023, 95% dos jovens de 9 a 17 anos usavam internet; para 97% deles o acesso passava pelo telefone, e para 1 em cada 5 o celular era o único dispositivo disponível. Nas classes D/E, essa exclusividade sobe para 38%. Isso amplia inclusão, mas também cria um efeito colateral: jovens fluentes em telas pequenas, pouco expostos às tarefas de produção típicas do computador.

Esse cenário não nasce no vácuo. Dados recentes do IBGE mostram um país em que 88,9% das pessoas com 10 anos ou mais já possuem celular, o que equivale a 167,5 milhões de brasileiros. O celular virou o objeto central da vida digital, e faz sentido que ele também concentre o aprendizado informal de tecnologia. O problema é quando esse aprendizado não é complementado por experiências estruturadas em computadores, onde se digita rápido, organiza-se arquivos, edita-se mídia com precisão, automatiza-se planilhas e se programa com conforto.

Pior: o espaço natural para essa complementação, a escola,  encolheu no uso cotidiano da internet. Reportagem da Agência Brasil, com base nas séries mais recentes da TIC Kids, mostra queda do uso de internet na escola por adolescentes, de 51% para 37% entre 2023 e 2025, após restrições ao celular em sala. A intenção de reduzir distrações é legítima, mas o efeito colateral pode ser a perda de oportunidades de uso pedagógico orientado, com computadores e projetos. Política pública precisa calibrar essa conta.

Há quem minimize o problema lembrando que “jovem se adapta a qualquer tela”. Nem sempre. Quando medimos competências, e não apenas acesso, a diferença aparece. A própria série da TIC Kids indica que o uso de computador para acessar a rede é muito menor que o do celular, e, nas classes de menor renda, o computador praticamente some do mapa. Isso afeta o repertório: sem teclado, pasta, atalho e software “de mesa”, a transição para tarefas escolares e profissionais fica mais difícil.

No debate sobre tempo de tela, convém largar os mitos. A melhor evidência nacional (PeNSE/IBGE) fala em comportamento sedentário de 3 horas ou mais por dia entre mais da metade dos estudantes do 9º ano. Não há base robusta para o número, repetido à exaustão, de “7,5 horas para 70% dos adolescentes”. O que existe são diretrizes que pedem moderação e intencionalidade, como as da Sociedade Brasileira de Pediatria, que recomendam 2 a 3 horas/dia para 11–18 anos, preferencialmente com propósito educativo e mediação de adultos. Ou seja, menos fetiche pelo cronômetro e mais foco no que se faz diante da tela.

O governo federal, por sua vez, publicou em 2025 um Guia sobre uso de dispositivos digitais. A mensagem é simples e correta: evitar o uso não pedagógico em sala, promover conectividade significativa e garantir mediação qualificada de educadores e famílias. Isso não é sinônimo de “proibir tecnologia”; é priorizar contextos que desenvolvam competências, inclusive as que dependem de computadores.

O que fazer, então?

  • Diversificar o parque. Laboratórios com desktops e notebooks são tão importantes quanto Wi-Fi. Esbarra em orçamento, mas não é opcional em 2025 se levamos a sério formação para trabalho e cidadania digital.
  • Ensinar letramento digital completo. Digitação, organização de arquivos, planilhas, apresentações, edição de mídia e noções de programação. Cada item desse currículo tem impacto direto em desempenho escolar e empregabilidade.
  • Medir competência, não só uso. Indicadores de política pública deveriam acompanhar o que cada estudante consegue produzir (um relatório bem formatado, uma planilha automatizada, um protótipo simples), e não apenas se “acessou a internet”.
  • Mediar com propósito. As recomendações técnicas existem; cabe a redes de ensino e famílias traduzi-las em rotinas viáveis, tempo de tela equilibrado e atividades com objetivo claro.

Aqui entra o papel das iniciativas locais. Em Tubarão-SC, o Unimate Labs estruturou um caminho prático: começar pelo alfabetismo digital no computador (curso Unimate Click, a partir de 7 anos), avançar para eletrônica e prototipagem (Unimate Maker), criação de jogos (Unimate Games) e programação (Unimate Code). Não é “anti-celular”; é pró-competência. O celular continua sendo porta de entrada e ferramenta de apoio, mas o protagonismo passa para ambientes onde se cria, testa e documenta com a ergonomia e a precisão que o computador oferece. Experiência prática, guiada e cumulativa, exatamente o que as evidências sugerem.

A boa notícia é que essa mudança não exige gadgets futuristas. Exige prioridade. Enquanto celebramos a inclusão trazida pelo smartphone, precisamos corrigir a rota que está empurrando uma geração para o consumo passivo. Se queremos estudantes e futuros profissionais capazes de resolver problemas reais, chegou a hora de tratar o computador não como peça de museu, mas como instrumento de autoria, na escola, em projetos comunitários e em cursos extracurriculares sérios. O resto é barulho.

Antonio Beluco é fundador do Unimate Labs, laboratório educacional de tecnologia em Tubarão-SC. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor.

Daniela Reinehr propõe sustar decreto sobre educação inclusiva

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FOTO Divulgação, Notisul

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A deputada federal Daniela Reinehr (PL/SC) protocolou, nesta terça-feira (28), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 921/2025, que susta os efeitos do Decreto 12.686, editado pelo Governo Federal em 20 de outubro.

A norma cria a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, mas, segundo a parlamentar, representa “um grave retrocesso” para famílias que dependem das APAEs e demais instituições especializadas em atendimento educacional de pessoas com deficiência.

Parlamentar aponta risco de desmonte das escolas especiais

Daniela Reinehr afirma que o novo decreto elimina o apoio técnico e financeiro destinado às escolas especiais, comprometendo o atendimento individualizado a estudantes com deficiência intelectual e múltipla.

“O Governo tenta vender uma ideia de inclusão, mas faz exatamente o contrário. Ele retira o direito de escolha das famílias e ignora as necessidades reais das pessoas com deficiência. As APAEs cumprem um papel essencial e insubstituível. Precisam ser fortalecidas, não desmontadas”, declarou.

O PDL se apoia no artigo 49, inciso V, da Constituição Federal, que autoriza o Congresso Nacional a sustar atos do Executivo que extrapolem o poder regulamentar.

Para Daniela, o Decreto 12.686/2025 revoga indevidamente o Decreto 7.611/2011, que assegurava o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o financiamento de instituições filantrópicas sem fins lucrativos.

Projeto defende direito de escolha das famílias

Na justificativa, a deputada afirma que o novo decreto fere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) e a própria Constituição Federal, todas reconhecendo a coexistência dos modelos regular e especial de ensino.

O texto também critica a falta de diálogo na elaboração do decreto. Segundo a parlamentar, a medida foi editada sem consulta às famílias e às pessoas com deficiência, desrespeitando o princípio da gestão participativa, previsto no artigo 37 da Constituição.

“Sou mãe de uma pessoa com deficiência e sei, por experiência, que cada aluno tem um ritmo e uma necessidade única. Precisamos buscar ajuda em várias instituições, inclusive as APAEs. Excluir as escolas especializadas é um erro que prejudica os próprios alunos que o Estado diz querer proteger”, destacou Daniela.

PDL busca restabelecer o modelo complementar

Com o PDL 921/2025, Daniela Reinehr propõe restabelecer a vigência do Decreto 7.611/2011, que garante o modelo complementar entre escolas inclusivas e instituições especializadas.

A deputada defende que o Congresso Nacional deve agir para proteger as famílias e os estudantes que necessitam do atendimento educacional especializado.

“O Brasil avançou muito graças à atuação das APAEs e entidades congêneres. Não podemos permitir que um decreto destrua esse legado. O Congresso precisa agir para proteger as famílias e os alunos que precisam dessas instituições”, concluiu a parlamentar, que integra a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência.