(*) Valter Alves Schmitz Neto — Presidente da Fundação InoversaSul
Participo, a convite da Associação Empresarial de Tubarão (ACIT), da Missão China, com passagem por Israel, em uma jornada de aproximação com diferentes culturas, experiências institucionais, modelos de desenvolvimento e ecossistemas internacionais de inovação.
Tenho a convicção de que liderar mudanças significa promover o protagonismo do inédito, estimular novas ideias e buscar soluções para os desafios reais da sociedade. Sem essa disposição, organizações e instituições correm o risco de reproduzir modelos tradicionais, muitas vezes superados pelas transformações tecnológicas, econômicas e sociais do mundo contemporâneo.
Por isso, considero fundamental estimular missões internacionais que permitam identificar oportunidades de inovação científica, tecnológica, cultural e socioeconômica. Essas iniciativas ampliam horizontes, aproximam instituições e favorecem o compartilhamento de conhecimentos e experiências.
O desenvolvimento regional está cada vez mais conectado aos movimentos globais. A inovação não reconhece fronteiras geográficas. Fortalece-se pela circulação de ideias, pela cooperação institucional e pela capacidade de transformar experiências internacionais em oportunidades concretas para nossas comunidades.
É com essa compreensão que participo da missão e pretendo estimular novas iniciativas internacionais, envolvendo lideranças regionais e diferentes áreas estratégicas do desenvolvimento.
Experiências internacionais e oportunidades regionais
Em Israel, além do conhecimento de experiências consolidadas no turismo religioso, que podem oferecer referências às dezenas de rotas turísticas mapeadas na Amurel, programei visitas a centros de inovação tecnológica e agropecuária.
Meu propósito é trazer muito mais do que informações. Quero reunir conhecimentos, referências e modelos institucionais que contribuam para aperfeiçoar e democratizar metodologias de planejamento, gestão e desenvolvimento regional.
Essas experiências poderão subsidiar projetos estruturantes nas áreas de planejamento urbano, saneamento, turismo e estímulo ao empreendedorismo inovador.
Também representam oportunidades para fortalecer o Sigma Park, Centro de Inovação de Tubarão, ampliando suas conexões com outros ambientes de inovação e criando possibilidades de cooperação entre empresas, startups, pesquisadores e instituições de ensino.
Na China, além da participação na Feira de Cantão (Canton Fair), pretendo conhecer tecnologias e soluções que apontam tendências capazes de transformar, nos próximos cinco a dez anos, a maneira como vivemos, trabalhamos, produzimos e nos relacionamos.

Inteligência artificial e o futuro da educação
Um dos objetivos mais relevantes da missão está relacionado à inovação educacional.
Programei contatos com cinco empresas que desenvolvem tecnologias e metodologias aplicadas à aprendizagem: Seewo (CVTE), MAXHUB, UBTECH Robotics, Makeblock e Leaderhub.
O interesse institucional é conhecer e avaliar soluções que possam modernizar os ambientes educacionais, especialmente por meio da inteligência artificial e de recursos capazes de ampliar as possibilidades de acompanhamento pedagógico.
A partir dessas experiências, pretendo estudar a viabilidade de implantar, experimentalmente, em 2027, três ambientes de aprendizagem apoiados por novas tecnologias: dois no Colégio Dehon e um na rede pública de ensino, mediante parceria institucional a ser definida.
A proposta é desenvolver projetos-piloto que permitam avaliar ferramentas capazes de auxiliar professores e equipes multidisciplinares na identificação de dificuldades de atenção, concentração, assimilação de conteúdos e outros fatores relacionados ao desempenho dos estudantes.
Também buscamos soluções que ampliem a acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência, contribuindo para uma educação mais personalizada e comprometida com as necessidades individuais dos alunos.
Essa possibilidade já está sendo discutida com integrantes de nossas equipes de especialistas. Caso os estudos avancem, pretendo proporcionar novas visitas técnicas em 2027, permitindo que esses profissionais aprofundem o conhecimento das tecnologias identificadas.
Naturalmente, sua eventual utilização exigirá validação técnica e pedagógica, cuidados éticos e respeito à privacidade dos estudantes.
Nenhuma ferramenta substitui a sensibilidade, o conhecimento e a responsabilidade do professor. Ao contrário, a tecnologia deve ampliar sua capacidade de compreender e acompanhar o desenvolvimento de cada aluno.
O verdadeiro desafio não está simplesmente na instalação de equipamentos ou aplicativos, mas na construção de metodologias pedagógicas capazes de transformar recursos tecnológicos em instrumentos efetivos de qualificação da aprendizagem.
Conhecimento global, transformação local
É nessa perspectiva que a experiência internacional adquire significado estratégico.
Não se trata de importar modelos prontos ou reproduzir iniciativas sem reflexão. Trata-se de conhecer experiências inovadoras, estabelecer conexões e construir soluções adaptadas à nossa realidade.
A integração global do conhecimento deve produzir oportunidades locais de desenvolvimento. Esse é um princípio essencial para instituições comprometidas com o futuro.
Quando aproximamos universidades, centros de inovação, empresas, startups, pesquisadores, educadores e gestores públicos de diferentes países, ampliamos as possibilidades de cooperação científica, tecnológica, educacional e econômica.
Essas conexões podem produzir resultados que ultrapassam os objetivos imediatos de uma missão internacional, estimulando projetos conjuntos, intercâmbios técnicos, novos empreendimentos e soluções para desafios regionais.
Para a Fundação InoversaSul, a participação nesta missão representa uma estratégia de modernização e fortalecimento institucional, com perspectivas de aplicação no Colégio Dehon, em escolas públicas parceiras, no Sigma Park e em projetos de desenvolvimento regional.
Nossa responsabilidade é transformar oportunidades de conhecimento em iniciativas capazes de gerar benefícios duradouros para a sociedade.
Afinal, a inovação se fortalece quando o conhecimento circula, as instituições se conectam e as experiências globais encontram oportunidades de transformação na realidade local.
É com essa visão de integração, cooperação e compromisso com o futuro que participo desta missão internacional.
(*) Valter Alves Schmitz Neto
Presidente da Fundação InoversaSul